quinta-feira, 2 de abril de 2026

AMOR, ESCOLHA E QUEDA COMPARTILHADA

 


PARAÍSO PERDIDO

 JOHN MILTON

MARTIN CLARET – 1ª ED. 2018

513 páginas

Paraíso Perdido é um poema épico do Século XVII, publicado originalmente em 1667, no qual John Milton reconta, a partir do Gênesis, a queda de Satã, a criação do mundo e a expulsão de Adão e Eva do Paraíso. A epopeia narra a luta entre Deus e Satã, que culmina com a expulsão deste e de suas hordas do Céu. Movido pela vingança, Satã decide destruir a obra recém-criada por Deus: a Terra e seus dois primeiros humanos.

Após perder o direito de permanecer no Céu, Satã e seus seguidores - todos anjos decaídos - encontram-se em um abismo profundo, árido e em chamas: o inferno, cercado por nove muralhas. O castigo não apazigua sua ira. Dominado pela cobiça, pela inveja e pelo ódio, Satã descobre que Deus criou um novo Paraíso, no qual uma nova humanidade poderia, caso permanecesse fiel, serem alçados ao céu e ocupar os lugares deixados vagos pelos anjos destituídos. É esse conhecimento que o impulsiona a agir.

Satã parte em busca do Paraíso e, para isso, alia-se à Culpa e à Morte, que lhe abrem as portas do inferno. Deus, que tudo vê e tudo sabe, acompanha seus movimentos e anuncia ao Filho que Satã alcançará seu objetivo: Adão e Eva cairão, e a culpa e a morte recairão sobre eles. O Filho, então, oferece a própria vida para redimir a humanidade, proposta aceita por Deus.  

Os anjos tentam proteger o Paraíso. O Arcanjo Rafael vai até Adão e lhe relata os acontecimentos do Céu, a guerra entre os anjos e a astúcia do inimigo que agora ronda o Éden. Adverte-o a obedecer ao único mandamento divino: não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, do contrário estariam perdidos, assim como toda a sua descendência.

Adão demonstra fé absoluta e acredita que jamais desobedecerá, assim como Eva, sua amada esposa. Satã, porém, descobre a proibição e decide agir por meio da sedução. Sabendo que Adão seria mais difícil de convencer, escolhe Eva como alvo. Disfarça-se de serpente – o animal mais astuto – e se aproxima dela enquanto ela cuida do jardim sozinha. Eva havia sugerido a separação para que o trabalho fosse feito mais rapidamente. Adão, lembrando-se dos avisos de Rafael, tenta dissuadi-la, mas acaba cedendo diante da tristeza dela, que interpreta sua preocupação como desconfiança.

Sozinha, Eva encontra a serpente, que fala com eloquência e persuasão. Assustada, ela questiona como um animal pode falar, ao que a serpente responde que foi graças ao fruto de uma árvore que adquiriu tal capacidade. Afirma ainda que o fruto, além de delicioso, concederia a Eva maior inteligência e a tornaria semelhante a uma deusa. Eva pede então que lhe mostre a árvore e, ao reconhecê-la como a árvore proibida, hesita. A serpente a tranquiliza, dizendo estar viva, feliz e saudável. Diante disso, Eva começa a duvidar da gravidade da proibição e, por fim, come o fruto.

 

Encantada com o sabor e com a sensação que experimenta, Eva retorna até Adão e lhe oferece o fruto. Adão, horrorizado ao perceber o que ocorreu, decide comer também, movido pelo amor que sente por ela e pela recusa em ter um destino diferente do de sua companheira. Com esse gesto, consuma-se a queda.

Após o ato, tudo se transforma. Surge a animosidade entre eles, o amor deixa de ser puro e a harmonia do mundo natural se rompe. Animais antes pacíficos passam a se perseguir, alguns se tornam predadores, outros presas. Criaturas que antes lhes obedeciam tornam-se ferozes. O Paraíso chega ao fim.  

Adão e Eva percebem então sua nudez, e a vergonha – inexistente até então – surge. Cobrem-se com folhas de figueira, enquanto a culpa e a morte, conforme o pacto com Satã, entram no mundo. Embora não morram imediatamente, sentem o peso da transgressão. A esperança persiste, pois Deus, apiedado pelo arrependimento humano, poupa-lhes a morte imediata graças ao acordo feito previamente com o Filho.

Ainda assim, o castigo precisa ser cumprido. Deus anuncia que Eva dará à luz com dor, que a serpente será sua inimiga até ter a cabeça esmagada por uma mulher, e que Adão deverá trabalhar e suar para obter o sustento. A serpente passa a rastejar. O Arcanjo Miguel conduz o casal para fora do Paraíso, fecha suas portas e coloca anjos como guardiões. Antes, porém, mostra a Adão, do alto de um monte, o futuro da humanidade, desde a queda até o nascimento de Jesus, fruto de uma virgem – aquela que esmagará a cabeça da serpente.

Quanto a Satã e seus companheiros, ao retornarem ao Inferno esperando glória por sua façanha, são transformados em serpentes. Algum tempo depois, retomam suas antigas formas, perpetuando o ciclo de orgulho, punição e queda.  


John Milton nasceu em Londres em 1608 e faleceu na mesma localidade em 1674. Foi um poeta, polemista, intelectual e funcionário público inglês. 


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