sábado, 11 de abril de 2026

MAAT NÃO JULGA: ELA EQUILIBRA O MUNDO

 


MAAT, LA PHILOSOPHIE DE LA JUSTICE DE L’ANCIENNE EGYPTE

ANNA MANCINI

BUENOS BOOKS INTERNATIONAL – 2007

152 páginas

Pesquisei muito sobre Maat e não encontrei muita coisa em português que atendesse ao que eu procurava. A pergunta inicial era: porque as mulheres egípcias tinham uma posição melhor, em relação a direitos, liberdade e autonomia, do que outras mulheres das regiões ao redor?

Maat é uma das principais divindades egípcias, ao lado de Ísis e Osíris, e rege toda a vida egípcia. Trata-se de uma divindade feminina. Em minhas pesquisas ela sempre aparecia sendo traduzida simplesmente como “justiça”. Até que encontrei este livro – mas ele está em francês.

Anna Mancini pesquisou longamente sobre Maat. Ela apresenta os principais egiptólogos que escreveram sobre o tema, mas também aponta as falhas de muitos deles ao interpretar o conceito. Neste livro, Mancini realiza uma análise profunda da famosa cena conhecida como o Julgamento de Osíris, muito difundida através do Livro dos Mortos.

Segundo a interpretação tradicional, tratar-se-ia do julgamento da alma do morto para determinar se ele poderia ou não entrar no paraíso egípcio. Nessa cena, Maat aparece simbolizada como uma pluma colocada na balança ao lado do coração do morto.

Mancini demonstra, porém, que essa leitura está equivocada. Em primeiro lugar, não se trata de um julgamento no sentido ocidental da palavra. Ninguém ali emite uma sentença. A decisão se dá pela própria balança. Nem Osíris julga, nem Maat.

Ao longo do livro, Mancini analisa ponto por ponto essa cena – aliás, o próprio nome “julgamento” foi dado pelos ocidentais.  

Maat representa o equilíbrio cósmico, a justiça no sentido de igualdade, harmonia e complementaridade. Todos devem viver segundo esse princípio, principalmente o faraó. Esse fundamento ajuda a compreender, em parte, a posição relativamente elevada que a mulher ocupava na sociedade egípcia. Evidentemente, não é apenas isso: há também outros fatores ligados à religião egípcia – que nós chamamos de mitologia -, onde Ísis desempenha um papel fundamental, assim como uma concepção de maternidade bastante diferente da nossa.

Infelizmente, não encontrei tradução deste livro para o português.


Anna Mancini é francesa de origem italiana. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário