MAAT, LA
PHILOSOPHIE DE LA JUSTICE DE L’ANCIENNE EGYPTE
BUENOS BOOKS INTERNATIONAL – 2007
152 páginas
Pesquisei muito sobre Maat e não
encontrei muita coisa em português que atendesse ao que eu procurava. A
pergunta inicial era: porque as mulheres egípcias tinham uma posição melhor, em
relação a direitos, liberdade e autonomia, do que outras mulheres das regiões ao
redor?
Maat é uma das principais
divindades egípcias, ao lado de Ísis e Osíris, e rege toda a vida egípcia. Trata-se
de uma divindade feminina. Em minhas pesquisas ela sempre aparecia sendo
traduzida simplesmente como “justiça”. Até que encontrei este livro – mas ele
está em francês.
Anna Mancini pesquisou longamente
sobre Maat. Ela apresenta os principais egiptólogos que escreveram sobre o tema,
mas também aponta as falhas de muitos deles ao interpretar o conceito. Neste
livro, Mancini realiza uma análise profunda da famosa cena conhecida como o Julgamento
de Osíris, muito difundida através do Livro dos Mortos.
Segundo a interpretação tradicional,
tratar-se-ia do julgamento da alma do morto para determinar se ele poderia ou
não entrar no paraíso egípcio. Nessa cena, Maat aparece simbolizada como uma
pluma colocada na balança ao lado do coração do morto.
Mancini demonstra, porém, que
essa leitura está equivocada. Em primeiro lugar, não se trata de um julgamento
no sentido ocidental da palavra. Ninguém ali emite uma sentença. A decisão se
dá pela própria balança. Nem Osíris julga, nem Maat.
Ao longo do livro, Mancini
analisa ponto por ponto essa cena – aliás, o próprio nome “julgamento” foi dado
pelos ocidentais.
Maat representa o equilíbrio
cósmico, a justiça no sentido de igualdade, harmonia e complementaridade. Todos
devem viver segundo esse princípio, principalmente o faraó. Esse fundamento
ajuda a compreender, em parte, a posição relativamente elevada que a mulher
ocupava na sociedade egípcia. Evidentemente, não é apenas isso: há também
outros fatores ligados à religião egípcia – que nós chamamos de mitologia -,
onde Ísis desempenha um papel fundamental, assim como uma concepção de
maternidade bastante diferente da nossa.
Infelizmente, não encontrei tradução deste livro para o
português.
Anna Mancini é francesa de origem italiana.


Nenhum comentário:
Postar um comentário