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sexta-feira, 31 de julho de 2015

FILME: FOTÓGRAFO - 2015


Direção: Irena Pavlásková - 2015
Duração: 120 min
Título Original: Fotograf
País: República Tcheca

Não conhecia nada sobre o fotógrafo Tcheco Jan Saudek, mas ele me lembrou Lucian Freud, neto do psicanalista, que desenha e pinta também as pessoas que não correspondem exatamente ao ideal de beleza e de corpos magros que a sociedade nos impõe atualmente, e penso que isto é importante, pois a beleza está muito além destes estereótipos. 

A vida de Jan Saudek (Karel Roden) é centrada nas mulheres, desde as que pousavam para ele até as que a rodeavam em sua vida, o que nem sempre dava bons resultados para sua vida pessoal, uma vez que uma mulher quando se sente rejeitada ou trocada por outra é capaz de ser extremamente vingativa e é o que faz Líba (Marie Málková) se apoderando de tudo que ele possui. Jan apesar de lutar para tentar reaver seus bens e os negativos de suas fotos não se dá por vencido, e recomeça sua vida de artista e também de eterno amante das mulheres. 



Jan Saudek é filho de judeus e esteve num campo de concentração quando criança escapando por pouco das experiências de Josef Mengele, ele sobreviveu. Sua arte talvez reflita inconscientemente esta parte trágica de sua infância, quando conheceu de perto o horror, os limites humanos e a extrema magreza e fome. Ele tem uma percepção crítica e ácida sobre a sociedade que se finge de moralista enquanto em suas mentes são devassos e desejosos. 

Saudek é pouco conhecido no Brasil, mas é o mais importante fotógrafo da República Tcheca e reconhecido na Europa como um dos maiores fotógrafos. Ele tira fotos principalmente de mulheres gordas com um fundo marrom claro e depois as pinta à mão deixando-as com tons sépia e aparência do século XIX. Ele representa uma sociedade livre e erótica. 



Em suas palavras: "Para mim a diferença entre Arte e Pornografia é simples. Você pode olhar a Arte por uma eternidade, enquanto a pornografia você olha rapidamente e coloca de lado, porque tudo é explícito; não há mistério, a fantasia não tem espaço ali." 



Uma definição perfeita entre o real e o imaginário, e o amor e o sexo necessitam do imaginário e da fantasia. Sem o véu, o mistério, ele é como diz Saudek , algo que se olha rapidamente, ou nem se olha. 

Suas fotos são realmente impressionantes e interessantes.Fotografa modelos nuas ou vestidas, ou semi cobertas, captura cenas belas e estranhas, mas podemos ver em suas fotos algo como quando olhamos um homem ou uma mulher e o despimos mentalmente, ou imaginamos algo diferente do que está ali. É o imaginário, a fantasia atuando sobre o real. É o que desejamos fazer e não temos a coragem ou audácia para fazer, é o que desejamos ver. Seria como o que o inconsciente deseja. 

Coincidentemente ontem vi um artigo na internet sobre uma fotógrafa brasileira, Mariana Godoy, que também faz ensaios com fotos com mulheres gordas. Ela fiz que gosta e usa a palavra gorda justamente para combater a gordofobia. Já Saudek ao ser questionado sobre sua preferência por mulheres gordas e se isto estaria relacionado a sua passagem pelos campos e concentração o nega dizendo que gosta de mulheres gordas e que a maioria dos homens é assim, apenas não o admitem. 



Irena Pavlásková nasceu em 1960 em Frýdek-Místek, República Tcheca


Jan Saudek nasceu em 1935 em Praga, República Tcheca





domingo, 5 de julho de 2015

DOCUMENTÁRIO: A FOTOGRAFIA OCULTA DE VIVIAN MAIER - 2013



Direção: John Maloof e Charlie Siskel - 2013
Duração: 84 min
Título Original: Finding Vivian Maier
País: Estados Unidos

Ganhou o Oscar de melhor documentário de 2015 

Vivian Maier passou a maior parte de sua vida adulta trabalhando como babá em um bairro rico de Chicago, mas sua grande paixão foi a fotografia, tirou milhares de fotos principalmente do cotidiano, de peculiaridades, de coisas bizarras, do humano, demasiadamente humano e também filmava, porém tudo isto ficou em segredo, ninguém sabia nada disto até que em 2007  John Maloof arrematou por 400 dólares 30 mil negativos e 1600 rolos de filmes não revelados. Ele não sabia o que iria encontrar, buscava fotos de Chicago para sua pesquisa e acabou encontrando Vivian Maier. 



Ele logo percebeu que tinha em mãos algo inusitado e de excelente qualidade. Procurou no google sobre ela e nada encontrou, o que o deixou ainda mais curioso. Numa nova pesquisa encontrou sobre o falecimento dela. Mallof iniciou uma busca obsessiva e acabou descobrindo muitas coisas sobre esta estranha mulher que tirava fotos fantásticas, mas nunca as mostrou a ninguém. 





Ao contrário do que a maioria busca que é ser reconhecido, Vivian não se interessava por isto, ela queria tirar fotos, apenas isto. Com o pouco que se sabe sobre sua vida através das descobertas de Maloof e do que relatam as pessoas que com ela conviveram, percebemos que possivelmente houve coisas difíceis em sua vida, talvez até mesmo um trauma, que acabou exacerbando uma sensibilidade aguçada para captar o ser humano pelo seu lado cômico, cruel, feio, banal, cotidiano, mas sem que isto retire a beleza de suas fotos. É impressionante. 

Vale conferir!








Charlie Siskel e John Maloof 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

FILME: REPÓRTERES DE GUERRA - 2010



Direção: Steven Silver - 2010
Duração: 106 min
Título Original: The bang bang club
País de Origem: Canadá e África do Sul 

Baseado no livro The Bang Bang Club escrito por Marinovich e João Silva. 

Um filme que nos mostra a realidade dos repórteres de guerra. Baseado em fatos reais, é a história de um grupo conhecido como Bang Bang Club, formado por Greg Marinovich (Ryan Phillipe), João Silva ( Neels Van Jaarsveld), Kevin Carter (Taylor Kitsch) e Ken Oosterbroek (Frank Rautenbach). 

O grupo se formou na África do Sul, juntos para maior segurança, mas também unidos pela amizade, eles arriscam suas vidas para contar ao mundo toda a violência, brutalidade, fome, horrores que acontecem ao nosso redor. São as primeiras eleições livres da África do Sul após o fim do regime de Apartheid e a violência étnica impera. Greg ganhou um Pulitzer por suas fotos do confronto, mas o preço que pagaram foi muito alto. 

Foto de Greg Marinovich que ganhou o Pulitzer em 1991, um assassinato brutal cometido por apoiadores do Congresso Nacional Africano a um homem que acreditavam ser um espião do Partido da Liberdade Inkatha. 

Estes repórteres são obcecados por tirar suas fotos, mas o preço emocional, psíquico, psicológico que pagam é extremamente alto. Eles tiram fotos, mas não interveem, não fazem nada. 

Greg Marinovich 

A noite eles tentam se divertir, bebem, mulheres, tentam apagar as imagens, mas não é possível. A questão ética se impõe, a consciência cobra seu preço. Eles reagem dizendo que tiram as fotos para que elas sejam divulgadas e desta forma algo aconteça para mudar. Mas não é o que acontece. 

Kevin Carter se drogava para suportar. Ao ser afastado do conflito na África partindo para o Sudão, ele tira uma das fotos mais famosas no mundo, mas que foi o seu fim. Ele suicidou-se um tempo depois por não suportar as perguntas, ele foi cobrado por não ter feito nada pela menina, exceto espantar o abutre. E somado a isto ainda houve a morte de Ken Oosterbroek. 

Foto de Kevin Carter que ganhou o Pulitzer

Ken Oosterbroek foi atingido por um tiro durante as últimas manifestações antes da eleição. Ele morreu no local. Gren também foi atingido, mas sobreviveu. 

Ken Oosterbroek 

João da Silva continuou fotografando, em outubro de 2010 ficou gravemente ferido num acidente com uma mina no sul do Afeganistão e teve suas duas pernas amputadas, mas ele voltou a fotografar.

João da Silva 

Steven Silver 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

DOCUMENTÁRIO: O SAL DA TERRA - 2014


Direção: Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado
Duração: 110 mim
Título Original: Le sel de la terre
País: Brasil - França - Itália 

Indicado ao Festival de Cannes 2014 como Un certain regard

Estou encantada com o trabalho de Sebastião Salgado, é muito especial.

O Documentário realizado por Wim Wenders e pelo filho de Sebastião, Juliano Ribeiro Salgado nos mostra muito mais do que as fotos que ele tirou, nos fala de sua vida e do que o levou a tirar as fotos, mas além disto também o que este trabalho trouxe para ele mesmo, o que modificou nele mesmo na sua maneira de ver o mundo. 

Há fotos impactantes, duras, difíceis de olhar, feitas justamente para chocar e sacudir as pessoas que estão acomodadas em sua vida de conforto longe das tragédias e misérias do mundo, mas o que mais elas fazem é nos lembrar que se hoje estamos no conforto nada nos garante que amanhã seja assim. Isto fica evidente quando após mostrar uma série de fotos da África e suas guerras civis e deslocamentos de população e sobre a América Latina ele nos lembra que é bom não pensar exatamente isto: isto é na África, é na América Latina, porque em seguida ele retorna à Europa e uma Europa já atual, pós segunda guerra mundial para fotografar a Bósnia, a Croácia, a ex-Iugoslávia e tudo o que aconteceu por lá. 

Sebastião viveu exilado por muitos anos até que pode finalmente retornar ao Brasil com a anistia para os refugiados políticos. Pode rever sua família, seus pais, o lugar onde nasceu. Neste momento ele faz uma viagem pelo Brasil que retrata, principalmente a seca do sertão, a morte. 

Finalmente, já próximo dos 70 anos em 2004 ele inicia um novo projeto e se lança numa viagem por mais de 30 países em busca do belo, do que não foi destruído, do que ainda está intocado pela dita modernidade, pelo suposto progresso, ou seja, onde a crueldade do homem ainda não chegou. E o resultado é Genesis que vi no MON em Curitiba e postei aqui no Blog. 

Vale a pena assistir!

Wim Wenders
Juliano Ribeiro Salgado
Sebastião Salgado

segunda-feira, 6 de abril de 2015

FILME: MIL VEZES BOA NOITE - 2013


Direção: Erik Poppe - 2013
Duração: 112 min
Título Original: Tusen ganger got natt

Filme belíssimo. Rebecca (Juliette Binoche) é uma fotógrafa de guerra. Ela está no Afeganistão tirando fotos de mulheres bombas quando é atingida por uma explosão. Seu marido (Nikolaj Coster-Waldau) lhe dá um ultimato pois nem ele, nem suas filhas aguentam viver sob a tensão de nunca saber se ela está viva ou morta, que é impossível viver assim. Rebecca acaba aceitando e desiste de sua profissão. No entanto sua filha mais velha parece lhe seguir os passos participando de um projeto sobre a África e quando surge a oportunidade de ir ao Quênia tirar fotos de um campo de refugiados que é considerado um local seguro ela pede a mãe que aceite e que a leve junto.





Elas partirão, mas enquanto estão no acampamento há um ataque e elas precisam sair imediatamente, porém Rebecca não parte, pede que levem sua filha para um local seguro e fica para fotografar tudo. Com suas fotos consegue que a ONU mande reforços. Sua filha lhe pede que não conte nada para o pai, mas ela fica traumatizada pelo que ocorreu. Numa conversa com a mãe ela mostra que filmou tudo, o momento em que ela fica e pede para a levarem. O medo, estar sozinha num país estranho, não saber o que iria acontecer, tudo isto foi forte para a jovem adolescente. É então que o pai descobre a filmagem e é a gota d'água. Eles se separam, e Rebecca pensa em retomar sua vida, porém desiste no aeroporto e volta. Vai à apresentação da filha sobre a África e a ouve falar do seu orgulho da mãe e que o mundo e as crianças que sofrem precisam dela e dos fotógrafos para denunciar o que está acontecendo.







Rebecca retoma sua vida de fotógrafa e volta ao Afeganistão. Só que desta vez quem está sendo preparado para explodir é uma criança. O final do filme é um soco no estômago, quando ficam a mãe da criança que se foi ajoelhada no chão e Rebecca que também cai ali ajoelhada. 

Durante o filme acabamos julgando Rebecca como mãe, por ter uma profissão de alto risco e com isto deixar suas filhas sempre num estado de tensão e sofrendo com sua ausência, e mais ainda a julgamos quando ela fica no acampamento e manda levar sua filha para um lugar seguro. Mas e agora? diante desta outra mãe que acaba de entregar seu filho para explodir, uma criança bomba? Ambas agiram de acordo com o que acreditam, de acordo com uma fé, de acordo com aquilo que as move. Só que uma pela paixão de seu trabalho e do que pode conseguir com isto, salvando pessoas, ajudando, e a outra pelo o que acredita ser correto para salvar seu povo, mesmo que seja através de atos terroristas. Ambas são fanáticas de alguma maneira. E ambas são mães. 

Não me arrisco a julgar pelos padrões ocidentais. Obvio que não concordo de forma alguma com a violência, com o ato de matar, mas o que não julgo é a crença delas e que as levam a certas ações. Fiquei aturdida no final do filme, sem saber o que pensar, sentindo uma angustia forte. Que força é esta que move estas duas mães? estas duas mulheres? Sim, eu considero um crime fazer de uma criança um objeto que vai explodir com as bombas, a criança não tem opção de escolha, ela está sob o jugo dos adultos. Notamos o quanto o ser humano tem em si mesmo a vida e a morte. Eros que nos leva ao desejo e à vida e Tânatos que nos leva à morte, a destruição. Rebecca é movida por Eros, pelo desejo, mesmo que seja fotografando a morte, a destruição, a miséria, a guerra. O que ela quer é chocar o mundo, sacudir, tentar fazer com que as pessoas acordem. A outra mãe está movida por Tânatos, pela morte. Mas segundo suas ideias é uma morte necessária para se atingir algo. Como encarar isto? Para mim é um crime, um absurdo, inconcebível, mas não para ela. A criança bomba vai morrer e com ela outros. 

Rebecca fica com um sentimento de culpa após a primeira explosão por ter descido do carro e atraído a atenção da polícia levando a mulher a detonar a bomba ali mesmo, onde havia crianças, mulheres, velhos. E esta mãe do menino? tem culpa? qual o tamanho da dor dela ali ajoelhada e rezando?

Erik Poppe nasceu em 1960 em Oslo, Noruega. Ele foi fotógrafo de guerra antes de ser cineasta.

sábado, 29 de novembro de 2014

FILME: MOMENTOS ETERNOS DE MARIA LARSSONS - 2008


Direção: Jan Troell - 2008
Duração: 131 Min
Título Original: Maria Larssons Eviga Ögonblick

País de origem: Suécia 

Baseado na vida da avó da mulher do diretor, a primeira fotógrafa profissional da Suécia

Suécia - 1907

Maria Larssons (Maria Heiskanen)  ganha num bilhete de loteria uma câmera fotográfica. Seu noivo diz que ela devia dar para ele já que o dinheiro com que comprou o bilhete era dele, ela lhe responde que só a dará se ele se casar com ela, e eles se casam. Quem nos conta a história é uma de suas filhas, Maja. 

Esta história de amor logo logo se defrontará com a dura realidade da vida pobre e com um marido que começa a chegar bêbado em casa e se envolve com outras mulheres. Além disto ele é violento e várias vezes baterá em Maria que procura a ajuda de seu pai, mas tem que voltar para casa em função da moral da época que não permitia que uma mulher se separasse e ela teria que viver com Sigfrid ( Mikael Persbrandt) até que a morte os separe. 

Será uma vida difícil, mas Maria não desanima e lutará para manter seus sete filhos alimentados e tendo onde morar. Em determinado momento diante de uma situação difícil Maria tenta vender sua câmera ao fotógrafo da cidade, Sebastian (Jesper Christensen) , que ao invés de comprá-la a ensina a usá-la, e lhe dá o material que precisa dizendo que é uma penhora. Maria aceita. 

A partir deste momento ela olha o mundo pela lente da câmera e descobrirá coisas que não via antes. Este mundo lhe pertence e nada de toda tristeza, violência e pobreza pode invadir, nem mesmo seu marido. 

O filme retrata a vida das mulheres no início do século XX, sempre grávidas, trabalhando, limpando, criando filhos e sofrendo com as bebedeiras e violência dos maridos. Maria encontra em Sebastian um amigo, alguém que a ouve e que a compreende. 

Um dia Sigfrid perde a cabeça e tenta matá-la e acaba preso. Ao contrário do que todos esperavam, inclusive seus filhos, Maria não o deixa e faz de tudo para sobreviver. É quando ela começa a tirar fotos para ganhar algum dinheiro e assim acabará se tornando uma das maiores fotógrafas da Suécia, e a primeira mulher a sê-lo. 

Aos poucos a vida deles melhora, Sigfrid consegue abrir um negócio e seus filhos poderão realizar seus desejos de estudar. Eles mudarão para uma casa no campo. Maja também começará a tirar fotos. 

A vida de Maria não foi fácil, era cheia de tristezas e muita luta, mas ela conseguiu fazer o que era possível, e dentro disto achar algo que lhe permitia olhar o mundo de outra forma, e lhe dar alegrias e prazer. E isto é uma grande lição, ao invés de sonhar com o impossível, fazer aquilo que se pode, e transformar a vida em algo mais do que sofrimento. 


Jan Troell nasceu em 1931 em Limhamn, Suécia. 

Fotos de Maria Larssons 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

FILME: A PELE - 2006



Direção: Steven Shainberg - 2006
Duração: 121 min
Título Original: Fur: An imaginary portrait of Diane Arbus


Um retrato imaginário de Diane Arbus

Não se trata de uma história biográfica, mas sim uma tentativa de refletir o mundo interior da fotógrafa Diane Arbus (1923-1971) considerada uma das maiores artistas do século XX, apesar de pouco conhecida na Brasil. 

Diane (Nicole Kidman) é a única filha de um casal de peleteiros (Harris Yulim e Jane Alexander) casada com um fotógrafo, Allan (Ty Burrell) e mãe de duas meninas. Ela é assistente de seu marido, uma mulher reprimida pelo ego fortíssimo da mãe que a intimida, não lhe permitindo ser um sujeito. Numa festa de apresentação das peles e do estúdio de fotografia de seu marido ela vê pela janela a chegada de um novo morador, Lionel (Robert Downey) que usa uma máscara no rosto o que a atrai enormemente. 

Aos poucos ela começa a reviver fatos de sua infância e de sua sexualidade inconsciente, onde é voyeur e gosta de se exibir. Um dia ela vai ao apartamento de Lionel e descobre que ele sofre de uma doença - hipertricose - e tem o corpo todo coberto de pelos. 

Diane é atraída por tudo que é diferente, estranho, e que atiça seu olhar. Lionel a introduz neste mundo apresentando-a a pessoas diferentes, anões, portadores de deficiências físicas, obsessões sexuais, ou seja, os outsiders, que sua família se choca ao ter contato. 

O interessante é o fascínio que ela sente em olhar, não conseguir desviar os olhos, e pela fotografia ela irá capturar estes momentos, enquadrá-los. A associação entre o homem peludo e seu pai um peleteiro é óbvia psicanaliticamente falando. Seu pai cobre as mulheres de pelos de animais com suas peles, e ela termina o filme se cobrindo com um manto feito dos pelos de Lionel. 

Allan em dado momento ao perceber que tem um rival no homem peludo deixa a barba crescer, mas isto não é suficiente. Diane não é atraída pelo o que é considerado normal, ela busca o estranho. 

Interessante o uso de uma chave que Diane encontra no encanamento entupido de pelos. A chave que abre as portas do inconsciente, a chave que abre a porta do quarto de Barba Azul. Ela abre a porta para sair de seu mundo de aparências e do que é considerado belo para entrar em um mundo de estranhos e que costuma chocar à massa, mas por outro lado o estranho também é belo e atrai o olhar acima de tudo. 

Steven Shainberg nasceu em 1963 nos Estados Unidos. 

Diane Arbus nasceu em 1923 em New York - EUA e faleceu em 1971 na mesma cidade. Foi uma fotógrafa e escritora conhecida por suas fotos em preto e branco de pessoas marginalizadas. Ela acabou suicidando-se após várias crises depressivas. 

Foto de Lionel 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

FILME: PATAGÔNIA - 2011



Direção: Marc Evans - 2011
Duração: 118 min
Título original: Patagonia

Em memória de Edi Dorian Jones, fotógrafo de Chubut (1952 - 2008)

Um belo filme sobre perdas, separações e reencontros, o passado e o futuro, além das belas paisagens da Patagônia e do País de Gales.

Em 1865 um navio - Mimosa - partiu de Liverpool com destino à Argentina levando vários galeses que iam em busca de uma vida melhor e da liberdade. Este navio aportou na Patagônia onde viviam as tribos nômades do povo Tehuelche. Era um deserto estéril e inóspito, mas juntos, os galeses e os nativos sobreviveram e venceram o deserto e até hoje a colônia galesa sobrevive por lá.

Duas mulheres realizam uma jornada íntima. Cerys (Marta Lubos) já é idosa e sofre de diabetes.Seu desejo é retornar à Gales e encontrar a fazenda onde nasceu sua mãe que foi enviada para a Patagônia por estar grávida de Cerys e para evitar a vergonha teve que ser afastada. Ela nunca mais retornou e se casou com um argentino que criou Cerys com ela. Ela partirá com seu vizinho Alejandro (Nahuel Pérez Biscayart) para Gales.

A outra é Gwen (Nia Roberts) que tenta engravidar de seu companheiro, o fotógrafo Rhys (Matthew Gravelle) e descobre que não pode ter filhos. Ela então resolve partir com ele para a Patagônia Galesa onde ele pretende fazer fotos das capelas, na tentativa de recuperar o relacionamento que já está desgastado, mas lá conhecerá o guia Mateo (Matthew Rhys).

Com Cerys nos apercebemos do quanto a origem fala alto, e o desejo de encontrar suas raízes, mesmo que já se esteja idosa. Alejandro que a acompanha por seu lado faz também uma passagem rumo a liberdade, ao se separar de sua mãe e viver experiências novas num país desconhecido e onde não falam a língua. Com Gwen e Rhys vemos o desencontro e a incapacidade de falar sobre tudo isto, sendo necessário viver algo diferente, vivenciar dores e afastamentos para quem sabe assim poderem se reencontrar.

Marc Evans nasceu em 1963 em Wales

Trilha Sonora de Joseph Loduca

Edi Dorian Jones 


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FILME: HEMINGWAY & GELLHORN - 2012


Direção: Philip Kaufman - 2012
Duração: 155 min 
Roteiro: Barbara Turner e Jerry Stahl
País: Estados Unidos 

Gosto dos filmes biográficos.

Este como já nos diz o título é sobre Hemingway e Martha Gellhorn que foi correspondente de guerra. 
Ela é uma mulher de vanguarda, audaciosa, independente, ele é narciso, machista e alcoólatra, e um grande escritor, reconhecido e admirado.


O filme faz um merecido elogio à Gellhorn (Nicole Kidman) , que é pouco conhecida  pelo seu trabalho. 
Os dois se conhecem num bar e se aproximam quando estão cobrindo a Guerra Civil Espanhola,  apaixonam-se  e se casam após o divórcio dele de Pauline, sua segunda esposa. Passam poucos anos juntos e irão também se divorciar, ele ainda terá mais um casamento. Acabará se suicidando. 
Ele não consegue lidar com a independência dela, seu sucesso, no fundo a inveja e lhe toma o lugar em uma das guerras onde ela desejava ir para cobrir o conflito. É a gota d'água para ela que vai embora.



Ela foi uma das maiores correspondentes de guerra do Século XX, cobriu os principais conflitos. Seu casamento com Hemingway (Clive Owen)  é apenas um pequeno pedaço desta vida fantástica. 

Assista ao trailer em inglês





Philip Kaufman nasceu em 1936 em Chicago, EUA.

Trilha Sonora de Javier Navarette

Javier Navarette nasceu em 1956 em Teruel, Espanha. É compositor