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quarta-feira, 9 de março de 2016

FILME: MARAVILHOSO BOCCACCIO - 2014


Direção: Vittorio Taviani e Paolo Taviani - 2014
Duração: 115 min
Título Original: Maraviglioso Boccaccio
País de Origem: Itália

O filme nos traz alguns dos contos de Boccacio do Decamerão. Em 1348 a peste negra atinge Florença, na Itália. Um grupo de dez jovens, 7 mulheres e 3 homens fogem para uma casa de campo onde irão contar histórias para passar o tempo. 

São histórias morais e muito boas. A primeira delas nos fala de um casal dominado pela mãe do rapaz. Ele ama sua esposa, mas ela está com sintomas da peste e é levada para morrer numa capela onde é recuperada por outro homem que a ama também. Ele lhe salva a vida. A questão é que ela é casada, e como resolver isto? Com engenhosidade e criatividade ele fará de tudo para poder viver com sua amada de maneira aceita pela sociedade. 

Outra nos fala de um rapaz que é sempre ridicularizado por seus amigos e colegas. Dois deles resolvem lhe pregar uma peça dizendo que uma pedra preta o deixa invisível, e vão a procura de tal pedra que obviamente já está colocada no local. Ele então passa a acreditar que é invisível, pois todos colaboram na brincadeira fingindo não vê-lo. Eis então que ele surpreende a todos mostrando seu lado cruel e irascível.

Todas as histórias refletem os sentimentos dos jovens que desejam viver, mas estão diante da morte, e também o contexto da época e a situação da mulher, e principalmente sobre o amor, que é o principal interesse do grupo. 

As paisagens visuais da Itália são belíssimas. 

Um filme que recomendo. 

Elenco: Riccardo Scamarcio, Kim Rossi Stuart, Jasmine Trinca, Rosabell Laurenti Sellers, Lello Arena, Paola Cortellesi, Carolina Crescentini, Flavio Parenti. 

Vittorio Taviani  nasceu em 1929 e Paolo Taviani em 1931, ambos em São Miniato, Itália. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

FILME: GRACE DE MÔNACO - 2014


Direção: Olivier Dahan - 2014
Duração: 103 min
Roteiro: Arash Amel 
País de Origem: Estados Unidos - França

Cinebiografia da princesa de Mônaco, Grace Kelly, em um período conturbado para o principiado de Mônaco que estava em conflito com De Gaulle, então presidente da França.

Quando a atriz Grace Kelly casou-se com o Príncipe Rainier III de Mônaco em 1956 parecia um verdadeiro conto de fadas, o que sempre sucede quando uma pessoa que não é da realeza alcança este sonho, como outro exemplo, a Princesa Diana na Inglaterra. 

Mas a realidade nem sempre coincide com o sonho, e o filme começa num período onde Grace( Nicole Kidman) já mãe de dois filhos, não está feliz com sua vida repleta de cerimonial e posturas necessárias a sua posição de princesa. Ela então recebe um convite de Hitchcock (Roger Ashton-Griffiths) para voltar as telas de cinema, porém seu marido Rainier (Tim Roth) é contra, apesar de deixar a ela a escolha. 

Além disto o momento é delicado, Rainier sofre pressões do então presidente da França, Charles De Gaulle (André Penvern) que decide cobrar impostos de Mônaco ou retomar o principiado como território francês. Grace que havia decidido aceitar voltar ao cinema terá que rever sua decisão. Com a ajuda de seu melhor amigo e o único em quem confia, Francis Tucker (Frank Langella) ela irá operar uma mudança em si mesma em prol de seu marido e do principiado. 

O filme é uma ficção, apesar de vários fatos serem reais. Vale para um momento de descontração. O filme fica longe do La Môme sobre Piaf do mesmo diretor.


Olivier Dahan nasceu em 1967 em La Ciotat, França


A família com seus três filhos 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

FILME: CHRISTINA NOBLE - 2014


Direção: Stephen Bradley - 2014
Duração: 100 min
País de Origem: Irlanda

Cinebiografia de Christina Noble

O filme retrata a vida de Christina Noble desde sua infância pobre e difícil na Irlanda, quando sua mãe faleceu e o pai um alcoólatra não consegue cuidar dos filhos. A pequena Christina (Gloria Cramer Curtis) cantava muito bem, e isto a ajudava a ganhar um pouco de dinheiro para comprar comida. Porém o inspetor da escola que sempre quis pegá-la nestes momentos a denuncia e a polícia vai buscar todos. O tribunal decide que cada um irá para um orfanato diferente, demonstrando a total falta de sensibilidade da justiça irlandesa. A criança não se dará por vencida, tenta uma fuga mas não é bem sucedida, depois acaba aceitando sua situação.

Quando jovem ( Sarah Greene) ela sai do orfanato e vai ao encontro do pai que a engana para ficar com o único dinheiro que tinha dado pelas freiras para iniciar sua vida. Ela acaba dormindo em um parque que fecha a noite e consegue um trabalho numa lavanderia. Em uma das noites que retorna o parque é estuprada. Desta violência nascerá Tomas, num abrigo para jovens dirigido por freiras. Como é conhecido esta questão, inclusive é do que trata o filme Philomena, as freiras dão a criança para adoção. Christina nunca mais encontrará este filho.

Ela parte para Londres com uma amiga onde conhece seu futuro marido, porém este casamento que parecia finalmente ser um porto seguro, um lugar de paz, se transformará em violência doméstica. Finalmente ela se separa e vai embora com os dois filhos. 

O filme nos mostra simultaneamente a vida de Christina (Deirdre O'Kane)  já uma mulher madura, que vai para o Vietnã por causa de um sonho que teve. Ela não sabe o porque desta viagem, até que se dá conta de inúmeras crianças na rua, abandonadas, com fome. Principalmente o encontro com duas meninas órfãs que procuram comida no lixo a remeterá ao seu passado. Ela acolherá as meninas e cuidará delas. É então que percebe o que lhe reserva a vida, a mão que lhe faltou na infância ela decide dar aos outros, e desta forma dá início a um trabalho imenso onde se transformará na Mama Tina para milhares de crianças.



Ao conhecer um orfanato particular Christina irá se empenhar em conseguir verbas para melhorar e aumentar o mesmo. Não será uma tarefa fácil, ela terá que conseguir uma permissão de trabalho que lhe é concedida por 03 meses, e neste tempo mostrar que foi capaz de fazer algo. No último dia ao ir para o aeroporto Gerry ( Brendan Coyle), empresário de uma petroleira,  lhe avisa que ela conseguiu a verba.

É o início de um imenso trabalho que Christina fará pelas crianças abandonadas. Ela desenvolverá mais de 100 projetos no Vietnã e na Mongólia. Hoje são seus filhos que administram isto. 

Um exemplo de coragem, determinação e amor.

Christina Noble 

Stephen Bradley é um diretor, roteirista e produtor irlandês

terça-feira, 24 de novembro de 2015

FILME: PHOENIX - 2014


Direção: Christian Petzold - 2014
Duração: 98 min
País de Origem: Alemanha

Nelly Lenz (Nina Hoss) é uma sobrevivente de um campo de concentração nazista. Ajudada por sua única parente viva, Lene (Nina Kunzendorf) ela passa por uma cirurgia, pois seu rosto está desfigurado. Após retirar as bandagens ela não se reconhece no espelho o que a angustia. 

Com a morte de seus parentes Nelly é herdeira de uma grande quantia de dinheiro, e foi isto que possibilitou a cirurgia de reconstrução de seu rosto. Lene quer ir embora, ir para Israel e tenta convencer Nelly a ir também, porém esta deseja reencontrar seu marido Johnny (Ronald Zehrfeld) ao que Lene se opõe alegando que ele esteve envolvido em sua captura pelos nazistas. 

Porém Nelly não se convence e parte em busca do marido, encontrando-o trabalhando na boate Phoenix. Ele não a reconhece, mas percebe uma semelhança com sua esposa e faz um proposta de transformá-la em Nelly para poder ter acesso a herança que ela tem direito, mas para isto tem que estar viva o que Johnny pensa não ser possível. 

Nelly era uma cantora, e agora em meio aos escombros e diante de um marido que não a reconhece e do qual se suspeita a tenha entregue aos nazistas para se safar quando foi preso, ela tem que reconstruir sua identidade. É o se recriar, e se recuperar diante do trauma. 

O que ela tenta é voltar ao passado, é recuperar sua vida, ao contrário do que Lene lhe fala, em criar uma nova vida, em outro lugar, ela quer de volta o que era. O filme trata de traumas, de não se saber mais quem se é, de perceber de que se está morta para aqueles que se ama, que não tem mais identidade, de que não é mais quem era. 

Sobreviver a um campo de concentração, ter vivido o horror, e se encontrar com a desolação, com um não-lugar, com a destruição, e ainda ter que construir algo novo para si mesmo, ao invés de ser acolhido após tantos traumas. Aos poucos vamos assistindo ao mergulho de Nelly em seus medos enquanto tenta mentir para si mesma. É difícil enfrentar o real que se impõe, estar ao lado do homem que foi seu marido, e que agora é um estranho que não a reconhece, até chegarmos ao momento final do filme, de sua libertação, a partir do momento em que ela desce do trem, de uma beleza sensível e indescritível. 


Christian Petzold nasceu em 1960 em Hilden, Alemanha

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

DOCUMENTÁRIO: FOUCAULT X FOUCAULT - 2014



Direção: François Caillat  2014
Duração: 53 min
Título Original: Foucault contre lui-même
País: França

Muito bom este documentário para nos dar um panorama geral sobre quem foi Michel Foucault. Foi professor do College de France o que lhe dava uma posição e status, porém soube utilizar-se desta posição para ir muito além e sair daquele lugar que requeria uma certa postura. Um homem complexo, que através da sua obra foi se contradizendo, o que pessoalmente acho extremamente rico uma vez que as coisas mudam, e nós mudamos, porque então se fixar em um único pensamento ou forma de ver o mundo? 

O documentário é uma coletânea de entrevistas com críticos e filósofos contemporâneos que reclassificam o legado de Foucault, numa tentativa de construir novas formas de pensar sobre a luta contra os mecanismos de dominação da sociedade. 

Sempre trazendo para o considerado digno e permitido aquilo que estava à margem: os loucos, os detentos, a sexualidade, estuda o passado mas é lido como se fosse o presente, sempre atual, ele se desdobra sobre si mesmo. Um ativista que ao lado de Sartre e Genet ia para as ruas, e isto me chamou a atenção sobre o que vivemos hoje  onde os intelectuais analisam e falam sobre as manifestações, mas não os vejo lá, junto ao povo, trazendo o povo para perto de si mesmos, apoiando. Foucault fala justamente disto, que é preciso ir lá, ver com seus olhos, viver a situação. 

Um eterno insatisfeito com suas próprias conclusões, sempre em busca de algo mais. Encantou-se com a Califórnia e seus jovens, a liberdade que viu ali. Vindo da França, onde supõe sempre ser o país da liberdade, mas que contraditoriamente a isto, o que vemos mesmo são os "flics", a polícia sempre na rua e contendo as manifestações, batendo e prendendo, nos EUA ele encontra um outro mundo, pelo menos para seus olhos naquela época. 

Que sirva de grande exemplo contra o conformismo e o que vou chamar de "confortismo".


François Caillat estudou filosofia. Dirigiu curtas e se voltou para os documentários. 

FILME: NINA! - 2014



Direção: Rafael Botta - 2014
Duração: 10 min


Curta-metragem de Rafael Botta, diretor bauruense é uma mostra do que sente uma mulher intensa e apaixonada. Toda a dor e angústia de uma separação. Ela está desnuda, despiu-se de todo o imaginário amoroso e cai num real de dor e também de paralisação de vida. A cena onde ela caminha pela rua vestida apenas com um casaco e nua por baixo, nua como está naquele momento. 

Ao nos apaixonarmos nos perdemos, mas estamos no outro, onde vemos ilusoriamente o que desejamos, vemos a nós mesmos. E entre este se perder e se achar paralisamos. Sensação de completude que não suportamos. Nos sentimos dominados pelo outro, mas no fundo somos nós mesmos nos dominando, o outro não tem este poder. E vem o desejo de escapar disto, respirar. É quando nos sentimos tentados ao suicídio para que o outro morra, este outro que somos nós e que está em nós, e que não toleramos mais. Chorar! talvez seja a melhor forma para sair disto, pelo menos é um passo. O choro tira algo de nós, ele escorre, é salgado, mas é bom.

Nina (Renata Sarmento)  nestes curtos 10 minutos vive tudo isto, sozinha, a dor é somente dela. Mas quando ela resolve olhar pela janela.....

Li alguns comentários sobre o curta, e vejo que muitos interpretam esta olhada pela janela como sendo uma nova possibilidade que se mostra, talvez um novo amor, a volta por cima. Mas me pergunto: não seria recair no mesmo? e novamente viver tudo isto, porque como é difícil o amor, como é difícil viver um amor sossegadamente. E  então recomeçamos, a eterna repetição. Prefiro ver esta olhada pela janela como - não sou só eu, não estou tão sozinha assim, não sou eu quem tem um defeito, todos nós somos faltantes, e temos um vazio dentro de nós. Todos nós buscamos algo que pensamos ter perdido e que nunca tivemos, mas é justamente esta falta que nos move. Resta aprender que a paixão é ilusória, é uma tentativa de fazer com que 1+1 seja igual a UM. E não será!

Prefiro ver esta olhada pela janela como se defrontar com seu vazio e sua solidão, mas saber ao mesmo tempo que todos nós somos assim, e que ainda assim é possível conviver com o outro, amá-lo, desejá-lo, sem que com isto desapareçamos, sem que com isto fiquemos tão nus à mercê do nada que nos aflige. Podemos sim construir uma história com isto, contá-la, como neste curta.

Participação de Luiz Felipe Sobral.


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

FILME: UM POUCO DE CAOS - 2014


Direção: Alan Rickman - 2014
Duração: 113 min
Título Original: A Little Chaos
País: Reino Unido

Assisti recentemente "Versailles - o sonho de um rei", documentário com atores, que já postei aqui no Blog. Este filme nos fala do mesmo tema, porém de forma ficcional através de personagens históricos. 

O Rei Luís XIV (Alan Rickman) incumbe o arquiteto André Le Notre (Mathias Schoenaerts) dos jardins de Versailles. Este já assoberbado com a construção de Versailles contrata uma paisagista - Sabine de Barra (Kate Winslet).

Sabine tem um perfil independente, e seu estilo é o oposto ao do famoso arquiteto, mas mesmo assim ele aposta nela apesar das desavenças. Aos poucos eles se aproximam, se tornam mais íntimos, e isto irá incomodar a esposa de Le Notre (Helen McCrory) que visa somente seus interesses junto à corte, e fará de tudo para que o projeto não dê certo. Mas as coisas na corte mudam, a rainha falece e a preferida do rei perde seu lugar, à qual a esposa de Le Notre era ligada. Por outro lado Sabine se aproxima do rei sem o desejar, num encontro por acaso.

Um filme para relaxar. Ao final o que Sabine projeta e constrói é a Sala de bailes, conhecido mais por Rocailles, um lugar místico dos jardins de Versailles.




Alan Rickman nasceu em 1946 em Hammersmith, Londres, Reino Unido.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

FILME: A HISTÓRIA DA ETERNIDADE - 2014


Direção: Camilo Cavalcante - 2014
Duração: 120 min
Roteiro: Camilo Cavalcante
País: Brasil

Nosso sertão tantas vezes filmados está novamente neste filme, porém não vem para nos contar a dura vida do povo que o habita, ou falar das secas ou das injustiças, mesmo que a seca esteja presente no filme, o que este filme traz é a história de três mulheres e seus desejos. 



Logo no começo do filme vemos passar um enterro naquela vastidão com uma única árvore onde se abriga um sanfoneiro cego e um menino. É o enterro de uma criança e a mãe Querência (Marcelia Cartaxo) o segue com dor, apoiada por Das Dores (Zezita Matos). Em seguida vemos Alfonsina (Débora Ingrid) ouvindo uma música num rádio a pilha e sonhando com o mar até que seu pai (Claudio Jaborandy) e irmãos chegam e ela precisa servir a janta. Ela nunca senta à mesa com o homens.Em seguida ela pede permissão para fazer o prato de seu tio Joãozinho (Ihandhir Santos) e o leva até sua casa, este irmão desprezado por seu pai por ser um artista, se dedicar à arte e representações, e por isto considerado um vagabundo que nada faz, além de louco, porque ele tem epilepsia. 


Estas três mulheres que desejam, tem pulsões, amam, sonham e vivem neste pequeno vilarejo no meio do sertão limitadas pela região, pela seca, pela pobreza, pelas dificuldades e pelos homens, que são rudes, mas também doces como o sanfoneiro e Joãozinho, todos em tão pequeno espaço, mas que são como todos, como o ser humano, capazes de sonhar, de criar, de desejar, mas também de matar ao outro. 

Alfonsina a mais jovem, vai completar 15 anos e seu maior desejo é ver o mar. Ela pede ao seu pai que a leve, mas ele diz que ela ficou doida, mas que vai fazer um forró e matar quatro bodes para a festança. A jovem fica triste. Seu tio então lhe diz que tem uma surpresa e que tem a ver com o mar, mas que lhe dirá o que é no seu aniversário, o que será uma das mais belas cenas do filme, quando a arte e a imaginação é capaz de vencer todos os limites e trazer o mar para o sertão. A jovem está na fase das descobertas sexuais, e quem mais do que seu tio com sua sensibilidade poderia atraí-la? Ele resiste, mas ela não desiste. 



Querência logo no começo tem um homem que vai embora. O sanfoneiro esperava por isto há muito tempo, mas ela está triste, de luto. Ele então lhe diz que vai ficar ali fora tocando até ela abrir a porta e deixar seu amor entrar. 



Das Dores é viúva e quem cuida da igreja, tem um oratório em casa e sempre reza. Sua filha liga e avisa que o neto está indo para lá. O jovem chega, mas ele não foi para lá para visitar sua avó, está fugindo, fez coisas ruins e está sendo procurado, querem matá-lo. Das Dores sente atração pelo garoto. Ela abre sua mochila, pega uma cueca, depois encontra uma revista pornográfica que fica olhando. Seu corpo clama, arde. Ela o observa dormir. 



Joãozinho prepara uma apresentação. Coloca seu toca discos do lado de fora, ele teceu uma rede como de pescaria com vários objetos pendurados, usa como se fosse um xale e dança com a música "Fala" dos Secos e Molhados. 



Neste aparentemente pequeno mundo vemos um panorama do ser humano com seus desejos e dores, e a história da eternidade que se repete, onde o trágico acompanha sempre o humano. Também fiquei pensando no nome Alfonsina que deseja ver o mar e Alfonsina del mar.

Se Guimarães Rosa dizia que o sertão é o mundo, Cavalcante faz um filme onde mostra isto. 

Belíssimo filme. 

Camilo Cavalcante nasceu em 1974 em Recife, Pernambuco

segunda-feira, 13 de julho de 2015

FILME: MR. TURNER - 2014


Direção: Mike Leigh - 2014
Duração: 150 min
País: Reino Unido

Não conhecia o pintor J.M.W. Turner e fiquei literalmente encantada com a luminosidade de seus quadros.

Turner (Timothy Spall) é um pintor inglês impressionista. É fascinado pelas luzes e pelo efeito que produz sobre o mar, as cidades, nas paisagens.
Ele vive com seu pai William Turner (Paul Jesson) em Londres, tem duas filhas, mas não é casado, e está sempre renegando-as. Sua vida é dedicada a pintura. É interessante ver o procedimento de preparo de tintas que seu pai faz ou ele mesmo. Turner está sempre a procura de lugares onde ele possa vislumbrar a iluminação para projetá-la em seus quadros.  Não há muito para falar do filme, é necessário assisti-lo para compreender a beleza de seus quadros, compreender o que ele viu e depois pintou e que muitas vezes ninguém compreendia do que se tratava.


Ele tem uma senhorinha, Hannah Danby (Dorothy Atkinson) que mora na casa dele com a qual mantém relações sexuais, um pouco abusivo de sua parte, mas de qualquer maneira ela aceita, pois é apaixonada por ele, e cuida de tudo para ele.  Quando ele conhecer a Sra. Booth (Marion Bailey) e for morar com ela, apesar de manter seu atelie antigo, ela irá sofrer ao descobrir. A Sra. Booth será uma nova luz na vida de Turner após a morte de seu pai. 


O belo do filme é a maneira como Turner capta a natureza, as paisagens, e principalmente a luz. Como por exemplo, ao se deparar com uma locomotiva a vapor.



Seu atelie era um lugar que sempre precisava de luz, grandes janelas.



Seus últimos anos foram felizes ao lado da Sra. Booth. Ele compra uma casa em Londres onde eles passam a maior parte do tempo e onde ele virá a morrer.


Em uma ocasião lhe fizeram uma oferta milionária por todos seus quadros, ele, porém recusou, pois seu desejo é que sua pintura fosse vista por todos e ficasse exposta e não oculta na coleção de algum milionário. Sorte nossa!



Mike Leigh nasceu em 1943 em Welwyn, Reino Unido

Joseph Mallord William Turner - J.M.W. Turner nasceu em 1775 em Covent Garden, Londres, Reino Unido e faleceu em 1851 na mesma cidade. 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

FILME: THE SEARCH - 2014


Direção: Michel Hazanavicius - 2014
Duração: 134 min
País: França e Georgia

Indicado ao Festival de Cannes 2014 como longa-metragem

Um filme que nos toca profundamente. 

A Segunda Guerra da Chechênia começou em 1999 após vários ataques terroristas dos rebeldes chechênios à Rússia. A questão é que o novo primeiro-ministro Vladimir Putin que liderou a ofensiva apresentou esta guerra ao mundo como uma represália contra terroristas, mas o que realmente ocorreu foi um massacre da população civil. 

O filme nos mostra por um lado este massacre, a fuga da população, as mortes, destruição de suas casas, o desespero e de outro como a Rússia instigava o ódio em seus jovens soldados para que acabassem se tornando máquinas mortíferas contra o ser humano. Ao final do filme tudo se cruza. 

Iniciamos com alguém filmando uma cidade que havia acabado de ser massacrada. Os soldados russos estão provocando um casal alegando que são terroristas, e acabam matando-os sorrindo para a câmera dizendo que foi uma operação anti-terrorista bem sucedida. A filha mais velha sobrevive, e dentro da casa está Hadji (Abdul-Khalim Mamatsuevi) um garoto de 09 anos que tem nos braços seu irmãozinho, um bebê. O soldado russo ouve o choro e caminha para lá. Inicia-se o filme com ele entrando na casa, mas o garoto se escondeu e ele não matou o bebê. O menino viu pela janela quando seus pais foram mortos. Ao ficar sozinho na casa e na cidade ele pega o bebê e parte. No caminho ele deixará o bebê na frente de uma casa e se esconderá até que ele seja recolhido. Ele não tinha como alimentar ou cuidar de seu irmão. Mais a frente ele será recolhido por um caminhão que leva refugiados e desta forma chegará a uma cidade na fronteira. 



Em outro local bem longe dali um jovem (Maxim Emelianov) com um violão nas costas aguarda seu amigo que está comprando uma coca-cola. A polícia chega, o jovem joga seu baseado no chão, mas eles viram e acabam encontrando fumo em seu bolso. É preso e o delegado prefere enviá-lo para o exército ao invés da cadeia. Começa a odisseia do ódio deste jovem. 


Carole (Bérénice Bejo) trabalha para  a União Europeia para os direitos humanos e está no local para fazer um relatório. Helen (Annette Bening) trabalha no centro de refugiados atendendo principalmente as crianças que perderam sua família e pais. É para onde levam Hadji, mas ao ver os guardas armados ele se apavora e foge. Carol irá encontrá-lo mais tarde e lhe oferecerá algo para comer, ele irá aceitar ir com ela. A criança está traumatizada, não fala. O seu olhar é de uma dor profunda.Aos poucos Carol conseguirá vencer um pouco esta barreira até o dia em que ele contará para ela o que aconteceu. Enquanto isso Raissa, a irmã de Hadji os procura desesperadamente. Ela irá encontrar primeiramente o bebê e depois irá trabalhar com Helen, mas ela não sabe que Hadji está com Carol. 

A tristeza da guerra vista pelo lado da população civil com todas as atrocidades que se comete, e no caso do lado Russo também visto o que fizeram com o jovem preso, de como um jovem que tocava violão acaba se transformando naqueles que cometem as atrocidades contra a população com crueldade e prazer. O interessante do filme é que justamente se mostra os dois lados, de como as coisas acontecem e quais suas consequências. 


Michel Hazanavinicius nasceu em 1967 em Paris, França 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

FILME: SUITE FRANCESA - 2014


Direção: Saul Dibb - 2014
Duração: 102 min
Título Original: Suite Française
País: França - Bélgica e Reino Unido


Adaptação do livro homônimo de Irène Némirovsky.

Tenho o livro, mas ainda não o li. Irène Némirovsky começou a escrever Suite Francesa em 1941 enquanto estava refugiada num povoado francês. O que ela se propõe é levar para a ficção o que vivenciou na França durante a ocupação alemã. É um retrato impiedoso e voltado muito mais para alma humana e de como age o ser humano diante da guerra. O filme inicia com a fuga dos parisienses para o interior da França e a chegada dos alemães nestas regiões. Irène não chegou a terminar o livro, ela foi presa e levada para Auschwitz e morreu no campo de concentração. O manuscrito foi salvo, mas ficou desconhecido durante mais de 60 anos, sendo entregue para ser editado pela sua filha. 






Lucille (Michelle Williams) mora num povoado do interior com sua sogra Madame Angellier (Kristin Scott Thomas), uma mulher soberba e autoritária, que parece ignorar os fatos até que os alemães chegam ali e um deles vai se hospedar em sua casa. Aos poucos vamos vendo que se por um lado ela se interessava pelos lucros, por outro ela se mantém francesa e decidida a ajudar seu país, mas principalmente as pessoas perseguidas pelos nazistas, como Benoit (Sam Riley). Lucille, sua nora, cujo marido está na guerra, acaba se apaixonando pelo alemão que está na casa, Tenente Bruno von Falk ( Matthias Schoenaerts) e ele por ela. Mas este é um amor impossível neste contexto o que Lucille logo descobrirá. 





O que Irène descreve muito bem é como as pessoas agem. Vemos alemães ruins e cruéis, mas também vemos alemães como o Tenente Bruno que sofre com tudo aquilo, mas tem que se manter em seu lugar e agir de acordo. Já por outro lado muitas pessoas se aproveitam da situação para pequenas vinganças, e isto acaba criando situações tristes e doloridas para todos. Já aqueles que antes eram tidos como ruins, são capazes de gestos nobres e belos. A guerra retira as máscaras. 



Um belo filme. 

Saul Dibb nasceu em 1968 em Londres Reino Unido 

Irène Némirovsky nasceu em 1903 em Kiev, Ucrânia e faleceu em 1942 em Auschwitz, Polônia. 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

DOCUMENTÁRIO: O GRANDE MUSEU - 2014



Direção: Johannes Holzhausen - 2014
Duração: 91 min
Título Original: Das Grobe Museum
País: Áustria

Ganhador do prêmio Caligari no Festival de Berlim

Johannes Holzhausen percorreu durante dois anos com sua equipe os bastidores do Kunsthistorisches Museum, o museu de belas artes de Viena, Áustria. Um filme para quem gosta de museus e de arte, e que impressiona pelo o que são os bastidores de um grande museu. 



Eles acompanham o dia a dia dos restauradores de arte, dos curadores, dos arquivistas, da reforma em alas, e todo o cuidado com o manuseio das obras em sua retirada e novamente a colocação, a disposição dos quadros nas paredes, dos objetos nas vitrines, da iluminação correta, de quais obras irão para as alas. É inacreditável o tamanho dos arquivos, a quantidade de objetos que ficam nos bastidores, sejam para restaurar, para a manutenção, ou que não estão expostos. 



O Kunsthistorisches Museum foi inaugurado em 1891 tendo sido construído por Gottfried Semper e Karl von Hasenauer para guardar a vasta coleção imperial dos Habsburgo, que ao longo dos séculos foram os patronos das artes no país. 



Johannes Holzhausen nasceu em 1960 em Salzburgo, Áustria