DIÁRIOS DE RAQQA
A história real do estudante que desafiou o Estado Islâmico,
foi jurado de morte e conseguiu fugir de uma cidade sitiada
SAMER
GLOBO CLUBE - 1ª ED. – 2017
112 páginas
É um livro bem curto, mas de uma
densidade imensa. Comecei a ler e não larguei até terminar.
Um jovem de 24 anos que vive em Raqqa, na
Síria, de repente vê o Daesh - mais conhecido por Estado Islâmico - invadir sua
cidade. A partir desse momento, o que já não estava bom, em função da guerra
civil síria contra o ditador Assad, torna-se mil vezes pior. o Daesh impõe a
sharia - ou aquilo que eles consideram ser a sharia - e executam todos os que não
lhes obedecem.
Além disso, exploram um povo já
empobrecido ao extremo, literalmente roubando o pouco que lhes restava por meio
de taxas e multas que eles próprios inventam.
Samer, pseudônimo do autor,
relata o dia a dia dessa vida sob terror. Recorda também os bons momentos de
antes, enquanto vive permanentemente no medo e na insegurança.
Como se não bastasse, os russos
bombardeiam a cidade. É em um desses ataques que ele perde o pai, quando sua
casa é atingida. A mãe passa a viver desesperada com o que possa acontecer ao
filho, sobretudo porque ele, quando estudante na universidade, participou dos
movimentos rebeldes.
Quando Samer descobre que foi
jurado de morte pelo Estado Islâmico, finalmente reúne coragem para deixar tudo
e todos para trás e consegue fugir.
Mas enquanto esteve lá, arriscou-se
ao máximo. Queria que o Ocidente e outros países soubessem o que estava
acontecendo em Raqqa, na esperança de uma ajuda que nunca veio. Ele conseguiu
transmitir seu diário para fora do país, e o material chegou à BBC. Se fosse descoberto,
teria sido imediatamente morto.
São esses relatos que compõem este
livro.
Samer é um pseudônimo de um jovem que conseguiu escapar de
Raqqa. Atualmente ele vive em um campo de refugiados.

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