domingo, 29 de março de 2026

ESCREVER COMO RESISTÊNCIA

 

DIÁRIOS DE RAQQA

A história real do estudante que desafiou o Estado Islâmico, foi jurado de morte e conseguiu fugir de uma cidade sitiada

SAMER

GLOBO CLUBE - 1ª ED. – 2017

112 páginas

É um livro bem curto, mas de uma densidade imensa. Comecei a ler e não larguei até terminar.

 Um jovem de 24 anos que vive em Raqqa, na Síria, de repente vê o Daesh - mais conhecido por Estado Islâmico - invadir sua cidade. A partir desse momento, o que já não estava bom, em função da guerra civil síria contra o ditador Assad, torna-se mil vezes pior. o Daesh impõe a sharia - ou aquilo que eles consideram ser a sharia - e executam todos os que não lhes obedecem.

Além disso, exploram um povo já empobrecido ao extremo, literalmente roubando o pouco que lhes restava por meio de taxas e multas que eles próprios inventam.

Samer, pseudônimo do autor, relata o dia a dia dessa vida sob terror. Recorda também os bons momentos de antes, enquanto vive permanentemente no medo e na insegurança.

Como se não bastasse, os russos bombardeiam a cidade. É em um desses ataques que ele perde o pai, quando sua casa é atingida. A mãe passa a viver desesperada com o que possa acontecer ao filho, sobretudo porque ele, quando estudante na universidade, participou dos movimentos rebeldes.

Quando Samer descobre que foi jurado de morte pelo Estado Islâmico, finalmente reúne coragem para deixar tudo e todos para trás e consegue fugir.

Mas enquanto esteve lá, arriscou-se ao máximo. Queria que o Ocidente e outros países soubessem o que estava acontecendo em Raqqa, na esperança de uma ajuda que nunca veio. Ele conseguiu transmitir seu diário para fora do país, e o material chegou à BBC. Se fosse descoberto, teria sido imediatamente morto.

São esses relatos que compõem este livro.


Samer é um pseudônimo de um jovem que conseguiu escapar de Raqqa. Atualmente ele vive em um campo de refugiados.


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