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quarta-feira, 15 de abril de 2015

FILME: QUAL É O NOME DO BEBÊ - 2011


Direção: Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte - 2011
Duração: 105 min
Título Original: Le prénom

Uma comédia inteligente que nos faz rir, mas ao mesmo tempo revela o que se oculta sob a máscara da civilidade burguesa e nas relações de família, que vejo bem retratado na expressão que Vincent faz a cada vez que para ser sociável e amável ele diz algo que não é exatamente o que ele pensa ou sente.

Elisabeth (Valérie Benguigui) e Pierre (Charles Berling) são casados, tem dois filhos e ambos são professores, só que ela numa pequena escola enquanto ele na Sorbone. Eles convidaram o irmão de Elisabeth, Vincent (Patrick Bruel) e sua eposa Ana (Judith El Zein) e o melhor amigo de Baboue, apelido de Elisabeth, Claude (Guillaume De Tonquédec) para jantar.

Vincent e Ana esperam um filho que após uma ecografia sabem que é um menino e o encontro começa com a questão do nome do bebê. Vincent faz uma brincadeira que acaba esquentando os ânimos uma vez que escolheu Adolphe e isto lembra Adolf de Hitler, o que é inconcebível para eles. A brincadeira irá realmente perder os contornos com a chegada de Ana que acreditando que Vincent disse o nome realmente escolhido, ou seja, Henri, o nome do avô, se sente ofendida pelo o que é dito pelos outros e acaba desabafando o que pensa dos nomes dos filhos de Babou e Pierre. 

A partir daí as máscaras vão caindo uma atrás da outra e todos irão expressar suas mágoas, raivas, incongruências, que terá seu clímax com a revelação de Claude, após ter ouvido que todos pensam que ele é homossexual, que ele e a mãe de Baboue e Vincent estão juntos e se amam. 

O chiste acaba sempre revelando verdades e é assim que o filme começa, com uma brincadeira e que irá levar ao desmascaramento de todos, a retirada do verniz da boa educação e cultura revelando o que há por baixo. Por outro lado fiquei pensando no que seria desta criança se realmente recebesse este nome Adolphe após tudo isto que acarretou em sua família, seria um nome que já viria carregado de muitos significantes. Mas parece que algo conspirou para que não fosse assim, tanto que a ecografia deu uma informação errada, não se trata de um menino, mas será uma menina que vai nascer, e estará sem nome escolhido o que acabará por reunir a família novamente. Bem melhor signo este para seu nome. 

Alexandre de La Patellière nasceu em 1971 na França e Matthieu Delaporte nasceu no mesmo ano também na França

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

FILME: UM SEGREDO EM FAMÍLIA - 2009


Direção: Claude Miller - 2009 
Duração: 100 min 
Título original: Un secret 
País: França 

Baseado no livro Um Segredo em família de Philippe Grimbert

A história é autobiográfica e ficcional na medida que o autor, o psicanalista Grimbert mescla sua própria experiência com ficção.

Talvez por ser um psicanalista ele relata já dizendo o que ocorre com ele, o que fez, mas se não precisamos perceber isto, o sentimos. É um relato de como os fatos se processam, é uma interpretação.

Um menino, franzino, pais esportistas, filho único, ele sente que não corresponde ao desejo do pai e nos relata sobre seu nascimento, de como era pequeno e do olhar decepcionado do pai que lhe deixa um traço por toda sua vida.
Ele cria para si mesmo um irmão que é o que ele não é, que faz o que ele não consegue fazer, que é forte e esportista. Um duplo, mas que não o espelha, atende ao seu desejo de atender ao desejo do pai, do outro. Foi assim que eu senti. Na realidade ele não quer ser como o pai, mas acha uma maneira de lidar com seu desejo de ser amado pelo pai.
Encontra um cachorrinho de pelúcia no sótão, mas sua mãe Tânia ( Cécile de France)  o proíbe de pegar alegando que tem ácaros, mas ele volta depois e o pega e agindo como seu irmão imaginado ele o joga pela janela e o pai quando o encontra fica muito mal.

O filme intercala o menino franzino, François (Valentin Vigourt) , com ele já adulto, psicanalista, quando seu pai Maxime (Patrick Bruel) desapareceu após ter levado seu cachorro para passear e não quis colocar a guia e com isto ele acaba atropelado e morto. Enquanto procura pelo pai ele vai recordando o passado e nos contando a história.

O interessante é o que o filme retrata o passado em cores e o presente está em preto e branco, mostrando com isto o quanto o passado é vivo, colorido e está presente, mais do que o próprio presente.

Justamente por não saber quase nada do passado dos pais é que François se baseando em uma frase e outra constrói este passado que é segredo. Mas chega um dia que na escola passam um filme sobre o holocausto e o seu colega debocha e ele se irrita e acabam brigando. A partir daí o segredo lhe será revelado por uma vizinha que não irei relatar para não antecipar a quem for assistir o filme.



Apesar de sua análise lacaniana, François nos diz que ter descoberto o segredo, ter simbolizado, nomeado e dado um lugar, não o libertou de seus fantasmas, que hoje o auxiliam a trabalhar com seus pacientes. A partir do momento que o segredo se revela o presente passa a ser filmado em cores, se iluminou, não é mais apagado por um segredo.



Há muitos detalhes no filme, e no que vai se revelando aos poucos e também no presente, quando encontra seu pai.
Os efeitos do silêncio, do segredo que muitos mantém e que de alguma forma se transformam em herança para os descendentes. Um filme sobre o holocausto, a Segunda Guerra e seus traumas e silêncios.

Vale a pena assistir.

Não irei postar sobre o livro que também li, pois é redundante, mas segue a dica:


Grimbert, Philippe. Record, 2009
Tradução: Tatiana Salem Levy
176 páginas

Claude Miller nasceu em 1942 em Paris , França e faleceu na mesma cidade em 2012.

Musica Les Valseuses - Laurent Korcia

Laurent Korcia nasceu em 1964 em Paris. É um violinista francês