O MUNDO QUE ENLOUQUECEU
OS DIÁRIOS DA GUERRA 1939 – 1945
ASTRID LINDGREN
MADRAS EDITORA – 1ª ED. 2020
Astrid Lindgren é uma escritora
de livros infantojuvenis reconhecida internacionalmente, sobretudo por sua
série “Pippi Meialonga”. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela manteve diários
pessoais, e são justamente os registros desse período que nos são apresentados
nesta publicação.
Estamos acostumados a pensar a
Segunda Guerra como a invasão nazista de territórios alheios, em busca do que
Hitler denominava o “espaço vital” da Alemanha. Há inúmeras publicações sobre o
tema; no entanto, elas geralmente se concentram na Inglaterra, França, Itália, Áustria,
Polônia, Bélgica, no Holocausto e, ainda, nos Estados Unidos, no ataque a
Hiroshima e Nagasaki e no efeito letal da bomba atômica. Publicações
históricas, relatos pessoais e diários não faltam – o que falta, muitas vezes,
é o olhar sobre outros países.
A Segunda Guerra Mundial faz jus
ao seu nome: de fato, atingiu muitos países diretamente e outros tantos de
forma indireta. Neste livro, encontramos o relato de uma escritora sueca sobre
o que aconteceu nos países nórdicos: Suécia, Finlândia e Noruega.
No primeiro momento da Guerra,
Stálin firmou um pacto com Hitler e também passou a invadir países, entre eles
a Finlândia. Somente quando Hitler rompeu o pacto e invadiu a Rússia ocorreu a
reviravolta, levando Stálin a se unir aos aliados.
Costumamos pensar que, à exceção
dos países do chamado Eixo – Itália, Alemanha e Japão –, todos estariam
automaticamente contra Hitler. É justamente aí que este diário nos surpreende. Com
a invasão da Finlândia pelos russos, o maior medo dos suecos era que o exército
vermelho avançasse também sobre a Suécia, o que levou parte da população a
preferir, paradoxalmente, uma invasão alemã. Não se tratava de adesão ao
nazismo, mas de uma escolha pautada pela sobrevivência nacional. A Suécia foi,
afinal, o único país da região que conseguiu se manter oficialmente neutro e
não ser invadido por nenhuma potência durante a guerra.
O diário relata o cotidiano dos
suecos durante o conflito. Por terem permanecido neutros, em comparação com
outros países europeus, encontravam-se em uma situação relativamente
privilegiada. Ainda assim, Lindgren demonstra uma percepção aguçada sobre o
conflito mundial e sobre o que estava ocorrendo em outras partes da Europa. Ela
lia jornais, recortava artigos e os guardava, compondo uma espécie de arquivo
íntimo da guerra.
Ao mesmo tempo, emergem as preocupações de uma
mãe, esposa e amiga em tempos de conflito, quando ainda era uma dona de casa –
não a escritora consagrada que viria a se tornar. Trata-se do relato de uma civil que não esteve
nos campos de batalha, não era judia, não foi perseguida nem presa em campos de
concentração. Vivendo em um país que conseguiu se manter à margem da guerra,
ela ainda assim registra, com intensidade, a angústia, o medo e a inquietação
que atravessavam o cotidiano. Esses sentimentos permeiam os diários e revelam
que, mesmo fora das frentes de combate, ninguém permaneceu ileso.
Astrid Lindgren nasceu em Vimmerby, Suécia, em 1907 e faleceu em Estocolmo em 2002. Foi uma autora de livros infantis traduzidos em 85 idiomas em mais de 100 países.






















