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terça-feira, 19 de maio de 2015

FILME: A ILHA DO MILHARAL - 2014



Direção: George Ovashvili - 2014
Duração: 100 min
Título Original: Simindis Kundzuli
País: Cazaquistão 

A cada primavera o rio Enguri que fica entre a  Geórgia e a Abecásia leva sedimentos do Cáucaso e forma pequenas ilhas com um solo fértil que é utilizada pelos agricultores da região para o plantio de milho que estocam e vendem durante o inverno. 

Um agricultor já idoso ( Ilyas Salman) chega a uma destas pequenas ilhas, ele cava a terra, a sente nas mãos, cheira, encontra algo que limpa e guarda no bolso, e coloca um pau com um lenço amarado em sinal de escolhida. Aos poucos, lentamente, ao ritmo possível. Não vemos o filme dar um salto, pelo contrário, ele segue passo a passo a construção de uma cabana, os momentos de descanso, a continuação do trabalho, dia a dia, a medida que ele traz as coisas em seu barco. Sua neta (Mariam Buturishvili) também vai e o ajuda. A casa vai surgindo, eles pescam, cozinham, e observam a natureza e o rio. A paisagem é belíssima. Há pouquíssimas falas, o filme é o som da natureza, do rio, dos pássaros, do vento.


Diferente de As quatro voltas (já postado no blog) aqui não se trata do ciclo vida-morte, mas das questões de tempo e espaço, dos ciclos, mas da vida. A menina moça que cresce ao mesmo tempo que o milho, que descobre seu corpo, mas ainda tem sua boneca. O filme vai lento, no tempo do milho que cresce. Aqui eles estão à mercê de uma força maior, a natureza, que criou a ilha, mas também a pode destruir, a natureza que se em dados momentos é calma e de uma beleza infinita pode de um momento para outro se enfurecer e trazer um espetáculo que mesmo não deixando bons traços é fascinante.


A pequena ilha formada no meio do rio é uma terra de ninguém, sugestivo diante do quadro local onde há patrulhas constantes no rio e disputas territoriais. Um soldado de um dos lados é ferido e o velho o socorre e cuida dele até que ele possa ir embora.




Ultimamente tenho visto alguns filmes que trabalham com poucas falas e os acho fantásticos. Vivemos num mundo onde somos absorvidos e sufocados pelo excesso de comunicação. Este silêncio da natureza, que não é silêncio, são muitos sons diferentes, mas que perdemos a capacidade de ouvir por estarmos ligados em outras questões nos traz de volta um pouco à consciência do quanto somos efêmeros, assim como esta pequena ilha, podemos ser férteis, criar, crescer, mas estamos à mercê de forças maiores, de contingências, da natureza e da vida. Por mais que nos dediquemos, que nos esforcemos, sejamos bons, a natureza age dentro do real, nunca é madrasta, mas tampouco recompensa ou protege como o ser humano gostaria de esperar dela, como ilusoriamente espera de uma força maior.

George Ovashvilli nasceu em 1963 em Mtscheta, Geórgia

segunda-feira, 6 de abril de 2015

FILME: TANGERINES - 2013



Direção: Zaza Urushadze - 2013
Duração: 87 min
Título Original: Mandariinid

País de Origem: Geórgia

Um filme sensível sobre a guerra onde a humanidade ainda se faz presente através de Ivo (Lembit Ulfsak). É a guerra na Abcásia, 1992, que quer se tornar independente da Geórgia. Os estonianos deixaram a aldeia, mas Ivo e Margus (Elmo Nüganen) ficam. O primeiro por motivos pessoais que iremos compreender no final do filme e Margus para cuidar de sua plantação de tangerinas. Os dois são amigos, e Ivo faz as caixas de madeira para Margus colocar as tangerinas. Estão com um problema pois não encontram ninguém para ajudar na colheita.





Ahmed (Giorgi Nakashidze) aparece na casa de Ivo com seu companheiro, ele é um mercenário que está lutando por dinheiro. Depois de pegar comida vai embora. Logo em seguida vai haver um ataque na porta da casa de Margus e Ahmed está ferido, os outros estão mortos. Ivo o leva para sua casa para tratá-lo e com Margus vão enterrar os outros, porém descobrem que há mais um sobrevivente, Niko (Misha Meskhi), um georgiano, que está gravemente ferido na cabeça. Ivo também o socorre.



A partir daí serão os quatro, sendo que Ahmed jura que vai matar Niko para vingar a morte de seu amigo, mas acaba dando sua palavra de honra que não o fará na casa de Ivo. São quatro pessoas de diferentes nacionalidades, religião, idade, cada um com sua visão de mundo que terão que conviver ali. Aos poucos as questões surgem, por que lutam? que direito eles tem de matar? trazendo a tona o absurdo da guerra onde as pessoas se tornam inimigas, se odeiam, muitas vezes sem motivo algum, e que se não fosse a guerra poderiam inclusive ser bons amigos. É disto que o filme trata.



Zaza Urushadze nasceu em 1965 na Geórgia.