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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

DOCUMENTÁRIO: UM ENCONTRO COM LACAN - 2011


Diretor: Gérard Miller - 2011
Duração: 60 min
Título Original: Rendez-vous chez Lacan 
País: França 

Documentário sobre Jacques Lacan com a participação de psicanalistas - Eric Laurent, Jacques-Alain Miller e a filha de Lacan - Judith Miller entre outros e depoimentos de antigos analisandos.

Jacques-Alain Miller, genro de Lacan e que é o responsável pela publicação dos Seminários. 


Judith Miller na clínica de Lacan 

Trata-se de uma apresentação de quem foi Jacques Lacan principalmente através de vários depoimentos de analisandos e de como ele era como psicanalista. Um dos depoimentos que mais me tocam é de uma mulher que sendo judia tinha um trauma sobre a Gestapo. Após um sonho com isto ela o relata à Lacan que ao ouvir a palavra Gestapo se levanta e com sua mão toca o rosto dela, toca a pele, o que resignifica o significante Gestapo por "geste à peau" gesto na pele. 

O documentário foca o cotidiano e a prática clínica de Lacan. e também sobre seus seminários. Cada análise é uma e isto o documentário nos mostra em relação ao tempo, as questões que surgem e até mesmo sobre o pagamento, onde um dos pacientes ficou sem pagar durante um tempo, o que contraria a fama de Lacan só se interessar por dinheiro. O que movia Lacan era a psicanálise, o inconsciente.

Assisti novamente na sequência "A reinvenção da psicanálise" já postado aqui no blog.



Gérard Miller nasceu em 1948 em Neuilly-sur-Seine, Nanterre, França. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

FILME: O ABRIGO - 2011


Direção: Jeff Nichols - 2011
Duração: 120 min
Título Original: Take Shelter
Roteiro: Jeff Nichols 
País: Estados Unidos

Curtis (Michael Shannon) e sua esposa Samantha (Jessica Chastain) vivem numa pequena cidade de Ohio. Eles tem uma única filha com seis anos que possui uma deficiência auditiva. Apesar das dificuldades de conseguir ter os meios para ajudar a filha que precisa de uma cirurgia, eles vivem felizes e são até mesmo considerados um modelo de casal que tem uma vida boa pelos amigos. Até o dia em que Curtis começa a ter pesadelos com uma tempestade apocalíptica e fica obsessivo.

Além dos pesadelos, Curtis começa a ter visões, alucinações, como pássaros voando, mas a questão é que para ele isto é real, assim como seus pesadelos são premonitórios, um aviso. Mesmo assim ele procura ajuda, e vai visitar sua mãe que está internada por ser esquizofrênica. Durante um tempo ele esconde de Samantha o que está acontecendo, mas é impossível que ela não o perceba, uma vez que começa a ter um comportamento estranho e decide construir um abrigo no quintal para proteger-se e à sua família da tempestade que ele tem certeza vai acontecer.

Curtis começa a ir a uma psicóloga que o escuta, porém como é de um sistema de saúde conveniado, um dia ele chega e não é mais ela, é outro. Infelizmente esta interrupção acaba rompendo o processo ao qual ele já estava engajado. Seu melhor amigo não compreende o que está acontecendo com ele, e quando Curtis tem um pesadelo com este amigo que o atraiçoa, ele tem certeza disto, e pede seu afastamento de sua equipe o que gera no amigo um ressentimento que se transforma numa vingança, levando Curtis a perder seu emprego. Justo quando ele havia hipotecado sua casa novamente para construir o abrigo e a cirurgia de sua filha estava marcada, pelo convênio da empresa. 

Samantha o ama, e procura compreender e lhe dar apoio. Seu irmão chega com ares de mais velho lhe dando uma bronca, os amigos se afastam. Curtis além das alucinações se sente perseguido o que se evidencia em seus pesadelos quando seu cachorro o morde, seu amigo o agride, sua mulher o ameaça.



Percebe-se nitidamente a falta de preparo tanto no aspecto médico e psicológico como na sociedade em lidar com pessoas assim. E o interessante é que o final nos propõe algo até mesmo desanimador, uma vez que Samantha e a filha acabam digamos "contagiadas" pelo pânico, obsessão e delírios de Curtis. Isto me lembra claramente como uma paranoia se instala numa sociedade, como contaminando a todos, com algumas exceções que lhe escapam.



A cada um sua interpretação sobre o final do filme, alguns podem optar pela premonição, o transcendental, outros pela mente doente. Mas até que ponto um psicótico não está mais próximo ao real do que os outros? 

Curtis diante de seus pesadelos e visões no fundo tem medo, medo do histórico familiar, do que aconteceu com sua mãe. Ele oscila entre avaliar sua sanidade mental e o real de seu medo, do que sonha e vê. Ele receia  sua origem, não consegue e não tem um atendimento que o leve a falar, e reconstruir esta história. 


Jeff Nichols nasceu em 1978 em Little Rock, Arkansas, EUA.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

FILME: BEM VINDO À ALEMANHA - 2011


Direção: Yasemin Samdereli - 2011
Duração: 101 min
Título Original: Almanya Willkommen in Deutschland
Roteiro: Yasemin Samdereli e Nesrin Sandereli
País: Alemanha

Este filme é muito atual, e nos mostra o lado oposto, de como se sentem os imigrantes ao chegar a um país e do quanto também estranham a cultura local. 

Logo após a Segunda Guerra devido a falta de mão de obra a Alemanha abriu suas fronteiras para receber imigrantes, principalmente turcos. 

Hüseyin (Fahri Yardim) era um jovem turco que se apaixonou por Fatma (Demet Gül), como a família dela foi contra o casamento eles fugiram. Mas a vida de casados e a vinda dos filhos não foi fácil, e por mais que Hüseyin trabalhasse nunca era o suficiente, até o dia que ouviu sobre as propostas de trabalho na Alemanha. Ele foi o primeiro a partir deixando sua família na Turquia. Mais tarde a família toda se mudou para lá. 



Vemos logo no início do filme um garoto, o neto de Hüseyin (Vedat Erincin) que se encontra num dilema de identidade. Na escola ele não pode fazer parte do time de futebol dos turcos porque não fala a língua deles, e não pode fazer parte do time alemão, porque não o consideram alemão. E eis aí resumido o conflito que sempre acompanha os imigrados, a falta de um lugar, de reconhecimento e a pergunta: quem sou eu? 

Nesta mesma época seu avô e sua avó Fatma (Lilay Huser) recebem o passaporte alemão, após muitos anos vivendo ali o que deixa Fatma feliz, mas não Hüseyin. Diante da situação de seu neto que chega em casa com um olho roxo devido a briga por causa dos times de futebol ele começa a remorar sua história, que vai sendo relatada por sua outra neta, que se encontra grávida do namorado, um inglês. Finalmente o avô se decide que é hora de passar férias na Turquia e compra uma casa lá. A família toda embarca para lá.

Ao longo do filme nos divertimos com as situações hilárias da vinda da família para a Alemanha e as diferenças culturais, o aprendizado da língua, as primeiras compras, o convívio com os outros. Também vemos a cultura turca na rememoração da vida dos avós quando jovens. 

Durante as férias o avô acaba falecendo e novamente surge a situação: tem que ser enterrado no cemitério dos estrangeiros porque o passaporte é alemão, mas ele nasceu ali e viveu ali muitos anos. O filme retrata bem todas estas questões de ser de um país e viver em outro, de adquirir uma cidadania, mas de se manter fiel ao país de nascença. 

Um bom filme para as questões atuais, mas enfocando não pelo lado eurocêntrico, mas do outro, e recordando a todos que a Alemanha em um momento e não somente ela, abriu suas portas por precisar de mão de obra. Coincidiu justamente com Angela Merkel declarando que alguns refugiados na Alemanha terão que voltar, e no filme é também ela quem concede o prêmio ao avô por sua dedicação à Alemanha. 


Yasemin Samdareli nasceu em 1973 em Dortmund, Alemanha

segunda-feira, 29 de junho de 2015

FILME: BRUEGEL O MOINHO E A CRUZ - 2011


Direção: Lech Majewski - 2011
Duração: 96 min
Título Original: Bruegel  The Mill and the cross
País: Polônia e Suécia

Bruegel, o velho (Rutger Hauer) pintou "A procissão para o calvário" em 1564. O filme é uma recriação em movimento da criação deste quadro. É algo diferente e impressionante. O fundo do filme é o quadro, mas os personagens estão ali vivendo seu dia a dia como foi na época. É de onde Bruegel tira seu quadro.



É um mergulho diretamente no quadro. Acompanhamos vários personagens na época da ocupação espanhola dos Flandres, uma época de guerra de religiões e em meio a isto temos o pintor, seu amigo colecionador Nicholas Jonghelinck (Michael York)  e a Virgem Maria (Charlotte Rampling). 



O quadro se compõe com os personagens locais, os camponeses, os guardas espanhóis em vermelho, e a paisagem flamenga. O Cristo está no centro da pintura, caído ao lado da cruz. Corvos negros, as rodas levantadas em paus onde suspendiam os condenados para serem ressequidos. No centro os guardas espanhóis. O filme nos mostra as cenas no dia a dia que depois estarão no quadro. 





O grande moinho está no alto de uma rocha. Bruegel diz que nos outros quadros Deus está sempre próximo, aqui não. Ele é representado pelo moinho no Alto. 


É a construção de uma obra de arte. Bruegel observa, desenha, e assim vai compondo este quadro. Ele nos conta a história do quadro.


O quadro encontra-se hoje no Kunsthistorisches Museum, em Viena.

Um filme belíssimo, diferente, que todo amante da arte deve assistir. Não é apenas a história do quadro contada, é vivida nos seus pormenores.

Veja o trailer:


Lech Majewski nasceu em 1953 em Katowice, Polônia

Pieter Bruegel, conhecido como O Velho, para diferenciá-lo do filho, nasceu em 1525 em Breda,  Países Baixos e faleceu em 1569 em Bruxelas, Bélgica. Foi um pintor do Renascimento Flamengo

sexta-feira, 29 de maio de 2015

FILME: ELA NÃO CHORA, ELA CANTA - 2011


Direção: Philippe de Pierpont - 2011
Duração: 78 min 
Título Original: Elle ne pleure pas, elle chante
País de origem: Bélgica e Luxemburgo

Adaptação da autobiografia de Amélie Sarn 

Excelente filme sobre o abuso sexual infantil, no caso incesto, e suas consequências, traumas, e de como as pessoas reagem à isto.

Laura (Erika Sainte) fica sabendo que seu pai sofreu um acidente e está em coma no hospital. Ela então revolve voltar e vai visitá-lo. É o momento do acerto de contas ou até mesmo de se vingar.

Laura sofreu abuso sexual na infância por parte de seu pai e sofre com as consequências disto. Ela tem dificuldade de se relacionar, de amar, em sua sexualidade. Carrega a dor e o ódio. Quando vê seu pai em coma começa a falar com ele, sobre tudo o que sente e o que pensa dele, ela revive o que ele fazia com ela, lembra de suas palavras - de ele a amava e que nunca lhe faria mal. Ela sentia medo, deixava e ficava quieta pois achava que ele iria deixar de ama-la se não se submetesse. Agora ela sabe que ele fazia isto para fazer com que ficasse quieta. Ela lhe diz que não acredita que ele não esteja escutando, que esteja em coma, que ele sempre faz de conta, finge. 

Ela deixou sua casa e foi morar sozinha num apartamento, tem um namorado, aliás teve vários que sempre terminam. A relação dela com o rapaz é estranha, ela o chama a noite e o manda embora de manhã. É como se repetisse tudo de novo, durante a noite. Ele gosta dela, mas não compreende o comportamento dela. 

Sua mãe fica feliz por ela ter voltado, seu irmão também. Ele tem dois filhos e em um dia onde Laura fica com as crianças e menina começa a cantar uma música que fala de cama, ela se assusta, faz algumas perguntas à menina, mas percebe que ela está projetando na criança o que ela passou. Que seu irmão não precisa ser como seu pai. 

A mãe tenta se reaproximar, e vai visitá-la pela primeira vez em seu apartamento. É o momento do confronto das duas. A mãe reage pela negação, dizendo que Laura inventa histórias, imagina, e que seu pai está lutando entre a vida e a morte e ela é uma egoísta como sempre, pois só pensa nela. Ela vai embora, diz que a filha a enoja. 

Laure decide então contar tudo ao irmão que nunca soube de nada. Ele a acolhe, pergunta porque ela nunca lhe falou nada, mas a criança abusada nunca fala, mesmo depois de adulta é muito difícil falar. Mas o ato de contar ao irmão a liberta, e também de alguma maneira a faz se sentir vingada do pai, pois agora ele pode viver, uma vez que nunca mais poderá fingir ou fazer de conta. 

O filme retrata bem as consequências do abuso na infância, o silêncio, a culpa, a dor, o ódio. A reação da mãe que infelizmente é o de muitas mães que acabam negando tudo, dizendo que a filha inventou tudo, que não conseguem aceitar que seu marido, o homem que amam faz isto, e que com isto pioram a situação da criança ou da filha mesmo adulta. 

Philippe de Pierpont 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

FILME: INCH' ALLAH - 2011


Direção: Anaïs Barbeau-Lavalette - 2011
Duração: 101 min
País: Canadá - França 

Chloe (Evelyne Brochu) é uma médica canadense que trabalha para as Nações Unidas e vive na Cisjordânia ocupada por Israel atendendo palestinas que vivem do outro lado do murro que separa os palestinos dos israelenses. Ela se sensibiliza com a situação as pessoas que vivem ali e acaba se envolvendo mais do que seu chefe acha que deva fazer lhe lembrando que deve ser fria. 

Ela é amiga de Ava (Sivan Levy), uma israelense que trabalha no posto de controle para a passagem entre o campo de refugiados onde vivem os palestinos e o lado israelense. Acaba se aproximando de Rand (Sabrina Ouazani) uma de suas pacientes e com ela convive mais de perto com os refugiados conhecendo seu drama. 

O filme retrata o conflito entre israelenses e palestinos sob a ótica de uma mulher, tanto a diretora do filme como a médica Chloe. Apesar de mostrar o conflito e o drama das pessoas o foco do filme é o olhar da médica, uma estrangeira ocidental e como ela reage a tudo isto.



Chloe acaba se envolvendo com o irmão de Rand, Faysal (Yousef Sweid) que faz parte da resistência Palestina, ou como alguns chamariam, de grupo terrorista.  Se no início do filme Chloe procura se manter neutra transitando entre os dois lados sem tomar partido, é após ver um jipe israelense atropelar e matar uma criança de forma proposital que ela repensa sua posição e tende mais para o lado palestino. 

Não vou entrar aqui na questão deste conflito, de quem está certo ou não, fato é que Israel tomou posse do território e deslocou inúmeros palestinos de suas casas, construindo o murro que divide a cidade. Mas vou focar na questão de uma estrangeira no meio disto tudo. Da dificuldade de se olhar para um outro ser humano e ter que ser fria com ela, o que Chloe não consegue mais ser após a morte do menino envolvendo-se com a família. Ela consegue inclusive uma permissão para que eles possam ir ver onde moravam antes, os escombros da casa, onde nasceram e viveram em paz durante anos antes do conflito.

Porém quando Rand dá a luz, Chloe está em Tel Aviv, e demora para chegar. Eles não conseguem transpor a barreira israelense para chegar ao hospital e a criança nasce no carro vindo a morrer em seguida por falta de oxigênio. Neste momento Rand se volta contra Chloe alegando que foi devido sua demora que a criança morreu, dizendo que quem está dos dois lados não está de nenhum lado. Rand acaba se transformando numa mulher bomba. 

Se por uma lado temos a humanidade, e estamos diante de outro ser humano que sofre, de outro há toda uma questão cultural, histórica e de guerra que separa, e isto faz com que Chloe não possa se aproximar de Rand como uma amiga. É a dificuldade e o drama que enfrentam os que trabalham nestes campos de refugiados em todo o mundo. Até que ponto posso me aproximar e me envolver, se é que posso? Até que ponto vai minha humanidade neste caso diante de outro ser humano? Uma linha tênue, tão tênue quanto o murro construído para separar os dois lados. 

Anaïs Barbeau-Lavalette nasceu em 1979 em Quebec, Canadá

quarta-feira, 22 de abril de 2015

FILME: TEMPESTADE NA ESTRADA - 2011


Direção: Thom Fitzgerald - 2011
Duração: 93 Min
Titulo Original: Cloudburst

Stella (Olympia Dukakis) e Dot (Brenda Fricker) vivem juntas há 31 anos, na costa do Maine nos Estados Unidos. Dot é doce e serena enquanto que Stella é determinada e fala muitos palavrões, ocupando nesta relação o lugar masculino. Elas vivem bem até o dia em que Dot sofre um acidente doméstico e é internada, já cega, sua neta resolve interná-la num asilo e para isto a ludibria fazendo-a assinar uma procuração dizendo que se trata de uma declaração isentando Stella pelo acidente. Dot ingênua e confiante assina. 

Porém Stella não vai aceitar isto pacificamente e resolve sequestrá-la da casa de repouso e ir para o Canadá onde podem finalmente se casar e com isto tirar da neta a possibilidade de gerenciar a vida da avó. No caminho elas dão carona para um jovem bailarino, Prentice (Ryan Doucette), que está indo visitar a mãe doente. 

Os temas centrais do filme são a velhice e a união homossexual. Como sempre vemos uma pessoa mais jovem que quer determinar a vida de um idoso pensando que ele é incapaz de decidir por si mesmo,chegando ao ridículo no filme de não enxergar a relação de amor de Stella e Dot, chamando a primeira de amiga e avisando-a que tem alguns dias para cair fora da casa da avó que agora é dela. O preconceito e os dilemas de idosos como o de Stella que após Dot quase morrer afogada, não fosse a presença de Prentice para ajudar, que se conscientiza que já não consegue cuidar de Dot sozinha. 

Ao final veremos a neta se redimir apesar de todos seus preconceitos.

Thom Fitzgerald nasceu em 1968 em New Rochelle, Nova Iorque, EUA

quarta-feira, 15 de abril de 2015

FILME: QUAL É O NOME DO BEBÊ - 2011


Direção: Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte - 2011
Duração: 105 min
Título Original: Le prénom

Uma comédia inteligente que nos faz rir, mas ao mesmo tempo revela o que se oculta sob a máscara da civilidade burguesa e nas relações de família, que vejo bem retratado na expressão que Vincent faz a cada vez que para ser sociável e amável ele diz algo que não é exatamente o que ele pensa ou sente.

Elisabeth (Valérie Benguigui) e Pierre (Charles Berling) são casados, tem dois filhos e ambos são professores, só que ela numa pequena escola enquanto ele na Sorbone. Eles convidaram o irmão de Elisabeth, Vincent (Patrick Bruel) e sua eposa Ana (Judith El Zein) e o melhor amigo de Baboue, apelido de Elisabeth, Claude (Guillaume De Tonquédec) para jantar.

Vincent e Ana esperam um filho que após uma ecografia sabem que é um menino e o encontro começa com a questão do nome do bebê. Vincent faz uma brincadeira que acaba esquentando os ânimos uma vez que escolheu Adolphe e isto lembra Adolf de Hitler, o que é inconcebível para eles. A brincadeira irá realmente perder os contornos com a chegada de Ana que acreditando que Vincent disse o nome realmente escolhido, ou seja, Henri, o nome do avô, se sente ofendida pelo o que é dito pelos outros e acaba desabafando o que pensa dos nomes dos filhos de Babou e Pierre. 

A partir daí as máscaras vão caindo uma atrás da outra e todos irão expressar suas mágoas, raivas, incongruências, que terá seu clímax com a revelação de Claude, após ter ouvido que todos pensam que ele é homossexual, que ele e a mãe de Baboue e Vincent estão juntos e se amam. 

O chiste acaba sempre revelando verdades e é assim que o filme começa, com uma brincadeira e que irá levar ao desmascaramento de todos, a retirada do verniz da boa educação e cultura revelando o que há por baixo. Por outro lado fiquei pensando no que seria desta criança se realmente recebesse este nome Adolphe após tudo isto que acarretou em sua família, seria um nome que já viria carregado de muitos significantes. Mas parece que algo conspirou para que não fosse assim, tanto que a ecografia deu uma informação errada, não se trata de um menino, mas será uma menina que vai nascer, e estará sem nome escolhido o que acabará por reunir a família novamente. Bem melhor signo este para seu nome. 

Alexandre de La Patellière nasceu em 1971 na França e Matthieu Delaporte nasceu no mesmo ano também na França

domingo, 7 de dezembro de 2014

FILME: ALÉM DA LIBERDADE - 2011


Direção: Luc Besson - 2011 
Duração: 132 min
Título Original: The Lady 

Uma cinebiografia de Aung San Suu Kyi 

País: Birmânia - Mianmar  

Suu Kyi (Michele Yeoh) é filha de um herói da independência da Birmânia (hoje Mianmar) que foi assassinado quando ela tinha dois anos. Quando jovem foi morar na Inglaterra e se casou com Michael Aris (David Thewlis) , um professor de história tibetana , do Butão e sobre os povos do Himalaia. Tiveram dois filhos Kim (Jonathan Raggett) e Alex (Jonathan Woodhouse).

Quando sua mãe tem um derrame Suu volta à Birmânia que passa por um momento de massacres de estudantes que lutam pela democracia.O país é uma ditadura militar e Suu é a candidata ideal para enfrentar os militares. Ela adere à causa e a luta e para isto permanece no país após a morte de sua mãe e só não foi assassinada porque os militares não queriam outro mártir, caso de seu pai.

Suu passará 21 anos em prisão domiciliar, sofrerá muita pressão psicológica, mas ela tem fibra de aço apesar de toda doçura que possui com seus familiares e amigos e de ser uma pacifista. Ela terá o apoio de seu marido e filhos que farão tudo para ajudá-la. Em 1991 ela ganhou o prêmio Nobel da Paz e não podendo irá recebê-lo seus filhos e marido a representaram. Em 1998 Michael recebeu o diagnóstico de um câncer e não verá nunca mais sua esposa, pois os militares não liberaram seu visto, querem forçar Suu a ir ao encontro do marido e com isto nunca mais deixá-la entrar no país. A última vez que ela viu seu marido foi no natal de 1995. Somente em 2010 ela será finalmente libertada.



Ela permaneceu em seu país como uma resistência pacífica e encorajando a busca pela democracia e dos direitos humanos.

Uma mulher forte, determinada, que não tinha medo. Precisou fazer escolhas difíceis como no caso do marido doente que ela não reviu e dos seus filhos que cresceram longe dela. É preciso acreditar numa causa e amar seu povo e país de uma forma que vai muito além do que conhecemos por amor. O apoio de seu marido me emocionou e me mostrou o quanto ele a amava, a ponto de compreender que amar não é ter alguém, mas deixar este alguém ser.



Mianmar é um país de uma riqueza cultural imensa, as cenas do filme quando ela vai para o interior do país são belíssimas e nos mostram a cultura, os rituais, as roupas, rituais, a natureza e um povo pacífico.

Uma mulher admirável e de uma força e convicção que é rara.



Luc Besson nasceu em 1959 em Paris, França 

Suu Kyi 
com Michael Aris
Na entrega do Nobel - Michael e os dois filhos Kim e Alex 

sábado, 29 de novembro de 2014

DOCUMENTÁRIO: A HISTÓRIA DO MUNDO EM DUAS HORAS - 2011


Produção: History Channel - 2011 
Duração: 88 min
Título Original: History of the world in two hours 
País de origem: EUA 

Este documentário faz um tour geral pela história de nosso planeta e do surgimento do ser humano e das civilizações, partindo do Big Bam há 14 bilhões de anos atrás, nos mostrando como se formaram as estrelas, galáxias e finalmente o planeta terra. 
O início da vida no planeta e de como se desenvolveu até chegar ao mundo de hoje. De onde vieram todas as possibilidades tecnológicas e também o surgimento do fogo. As invenções que tornaram possíveis a civilização que conhecemos hoje. 

Há um foco científico principalmente sobre as questões de energia e da tecnologia, desde a mais antiga até o mundo atual. 

Uma maneira rápida e interessante de recordar nossa história com um apanhado geral, mas acho que o documentário é bem vindo no sentido de nos trazer mais humildade e principalmente maior respeito por este planeta que é vivo e por tudo que há nele, desde os minerais, as plantas, animais até o ser humano. Quando acompanhamos todo este processo não há como não parar para pensar em quantas vezes o planeta sofreu mudanças radicais, e que várias formas de vidas foram extintas, e então, o que nos garante que não somos a próxima? 

A força, a energia que existe no universo se por um lado nos proporcionou a possibilidade de estar aqui também não deixa de ser algo que pode literalmente nos destruir. Não estamos zelando por nosso planeta o suficiente, e quando cooperamos por destruir camadas de ozônio, quando poluímos o ar com inúmeros componentes químicos, não estamos pensando nos efeitos disto. 

Por outro lado é muito bom ver de onde viemos, de simples bactérias, isto nos traz um pouco de humildade. Quando os nossos ancestrais viviam eles não imaginavam o viria a ser a terra no futuro ou o ser humano, e todas as possibilidades que ele teria, mas da mesma forma que os dinossauros também viviam dominando a terra, podemos acabar como eles. 

Claro, isto pode levar milhões de anos, mas não é impossível. Por mais tecnologia que temos não somos capazes de deter a natureza, e muitas vezes não somos capazes sequer de prever a tempo catástrofes como um tsunami ou até mesmo uma simples chuva de granizo. 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

FILME: O CORAJOSO: O INÍCIO DA VIDA DE JOSH McDOWELL - 2011



Direção: Cristobal Krusen - 2011
Duração: 65 min 
Título original: Undaunted: The early life of Josh McDowell 

Esta é uma história real, uma biografia da vida de Josh McDowell.

Josh (John Klicka) teve uma infância muito difícil, um pai alcoólatra que agredia sua mãe que era muito obesa a impossibilitando inclusive de fazer muitas coisas. Sua irmã cometeu suicídio, a outra foi para o exército para se afastar da família. O irmão processou os pais. Havia muita solidão e muita vergonha. E como se não bastasse ele ainda sofria desde os 13 anos abuso sexual por um empregado da família. Ele tentou contar para sua mãe que nunca acreditou nele.

Josh ( Allen Willianson)  deixou de acreditar em Deus com 11 anos quando seu irmão ganha o direito sobre a casa e todos os vizinhos debocham e chamam seu pai de beberrão. Quando jovem o esporte foi sua válvula de escape, ele havia se tornado cético e insensível. Até o dia que se dispõe a provar para os cristãos do colégio que estavam errados sobre o cristianismo. Sua busca é intelectual, vai para a Europa pois não encontra nos Estados Unidos o suficiente para sua tese. É o primeiro passo, os indícios históricos lhe mostram que é verdade.

Quem nos conta tudo isto é Josch quando já um homem maduro de cabelos brancos ( Allen Williamson). Ele volta ao lugar de sua infância e começa a relatar tudo que se passou.

Porém o intelectual não basta, ele continua a odiar seu pai, antes odiava Deus, agora o pai, até que percebe que sempre amou quem ele ama, mas que devia amar quem odeia, e assim consegue dizer ao seu pai que o amava. Ele também consegue dizer isto ao seu agressor que abusou sexualmente dele. Quando ele sofre o acidente de carro vai ficar na casa do pai, e ali eles realmente se reencontram.

Josh diz que o cristianismo é um relacionamento, é Deus vindo até nós através de Jesus nos oferecendo um relacionamento, diferente da religião que com seus rituais busca um caminho até Deus.

Diferente do filme Deus não está morto, aqui temos um relato real, de uma vida e da fé que possibilitou a Josh superar sua infância difícil e todos os traumas. Foi através do cristianismo e na sua crença e fé que ele aprendeu a amar.

Cristobal Krusen nasceu em 1952 em Tampa, Flórida, EUA. 

Josh McDowell 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

FILME: PATAGÔNIA - 2011



Direção: Marc Evans - 2011
Duração: 118 min
Título original: Patagonia

Em memória de Edi Dorian Jones, fotógrafo de Chubut (1952 - 2008)

Um belo filme sobre perdas, separações e reencontros, o passado e o futuro, além das belas paisagens da Patagônia e do País de Gales.

Em 1865 um navio - Mimosa - partiu de Liverpool com destino à Argentina levando vários galeses que iam em busca de uma vida melhor e da liberdade. Este navio aportou na Patagônia onde viviam as tribos nômades do povo Tehuelche. Era um deserto estéril e inóspito, mas juntos, os galeses e os nativos sobreviveram e venceram o deserto e até hoje a colônia galesa sobrevive por lá.

Duas mulheres realizam uma jornada íntima. Cerys (Marta Lubos) já é idosa e sofre de diabetes.Seu desejo é retornar à Gales e encontrar a fazenda onde nasceu sua mãe que foi enviada para a Patagônia por estar grávida de Cerys e para evitar a vergonha teve que ser afastada. Ela nunca mais retornou e se casou com um argentino que criou Cerys com ela. Ela partirá com seu vizinho Alejandro (Nahuel Pérez Biscayart) para Gales.

A outra é Gwen (Nia Roberts) que tenta engravidar de seu companheiro, o fotógrafo Rhys (Matthew Gravelle) e descobre que não pode ter filhos. Ela então resolve partir com ele para a Patagônia Galesa onde ele pretende fazer fotos das capelas, na tentativa de recuperar o relacionamento que já está desgastado, mas lá conhecerá o guia Mateo (Matthew Rhys).

Com Cerys nos apercebemos do quanto a origem fala alto, e o desejo de encontrar suas raízes, mesmo que já se esteja idosa. Alejandro que a acompanha por seu lado faz também uma passagem rumo a liberdade, ao se separar de sua mãe e viver experiências novas num país desconhecido e onde não falam a língua. Com Gwen e Rhys vemos o desencontro e a incapacidade de falar sobre tudo isto, sendo necessário viver algo diferente, vivenciar dores e afastamentos para quem sabe assim poderem se reencontrar.

Marc Evans nasceu em 1963 em Wales

Trilha Sonora de Joseph Loduca

Edi Dorian Jones 


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

FILME: 50% - 2011


Direção: Jonathan Levine - 2011 
Duração: 100 min
Título Original: 50/50 

Inspirado em fatos reais

Adam (Joseph Gordon-Levitt) tem 27 anos e mantém uma vida saudável, não fuma, não bebe, e corre para manter a forma. Aparentemente tem um certo receio de tudo que ofereça riscos e por isto nunca tirou sua habilitação para dirigir, apesar de possuir um carro, porque o índice de acidentes é muito alto. Tem uma namorada que não parece muito apaixonada, o que seu melhor amigo Kyle (Seth Rogen) já notou.

Como vinha sentindo dores em sua coluna procura um médico e faz uma descoberta terrível, está com um câncer raro que oferece 50% de chances de cura. Ele fica estupefato já que não faz nada que é considerado como fator desencadeante de câncer. Ele não consegue entender por quê?

Para enfrentar tudo isto ele terá o apoio incondicional de seu amigo e também a ajuda de uma analista Katherine (Anna Kendrick), além de Esqueleto, o cachorro que sua namorada lhe deu como forma de ajudá-lo neste momento.

Aos poucos Adam percebe que se morrer ficarão muitas coisas que ele nunca fez como por exemplo dizer que ama uma mulher. Na vida nunca faremos tudo, mas a mensagem é que devemos pelo menos fazer o máximo que pudermos e sem se bloquear ou boicotar em função de crenças que adquirimos.

Ele se confronta com a morte quando um dos que fazem quimioterapia com ele morre e isto o faz pensar muito sobre tudo.

É interessante como o ser humano precisa de situações drásticas para enxergar algo diferente, novas possibilidades, e perceber o quanto se boicota a si mesmo e deixa de viver coisas boas em função dos outros, das crenças ou das aparências. Adam passa a experimentar e viver mais justamente quando tem apenas 50% de chances de viver.

Por outro lado vemos claramente no filme a imensa dificuldade que as pessoas tem de lidar com estas situações. O que dizer ao que está doente? como lidar com isto? O medo de falar sobre a realidade leva as pessoas a usar frases educadas e politicamente corretas como : isto vai passar, você vai se curar, quando não acreditam nisto, e o efeito disto na pessoa é pior do que a verdade. Ele se sente meio otário, sendo consolado como uma criança.

O filme não tem grandes novidades sobre o tema, é mais um filme sobre alguém com câncer e que luta pela sua vida, mas ele não é apenas o trágico, tem uma veia cômica também.

Jonathan Levine nasceu em 1976 em New York, EUA. 

domingo, 17 de agosto de 2014

FILME: MILLENNIUM: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES - 2011



Direção:David Fincher - 2012 
Duração: 158 min 
Título original: The Girl with the dragon tattoo 

Adaptação do romance Mäm som hatar Kvinnor de Stieg Larsson. 

Mikael (Daniel Craig) é um jornalista investigativo que está passando por um processo onde é acusado de calúnia e de publicar matérias sobre as quais não tem provas. É chamado após uma criteriosa investigação sobre ele feita por Lisbeth (Rooney Mara) uma investigadora particular, hacker e anti-social, para descobrir o que aconteceu há 36 anos atrás com Harriet Vanger (Moa Garpendal) que desapareceu numa ilha no norte da Suécia sem deixar vestígios. Todos acreditam que ela está morta, mas seu corpo nunca foi encontrado e seu tio Henrik (Christopher Plummer) não se conforma. A revista para a qual Mikael trabalha com cuja diretora tem um caso não está passando por um bom momento também, então ele resolve aceitar a proposta feita por Henrik e se muda para uma cabana na ilha para tentar solucionar o mistério. Irá contar mais adiante com a ajuda de Lisbeth.

Um filme de suspense, com alguns clichês, mas que traz um outro lado que é justamente a questão do título do filme, homens que abusam de mulheres estuprando-as e matando, além da questão do incesto e nazismo. 

Lisbeth é uma mulher jovem mas que é anti-social, gótica, estranha, que tem um tutor do Estado por ser considerada incapaz de gerir a própria vida devido um ato quando tinha 12 anos, porém será que os tutores são sempre bons? ou eles também abusam de seus tutelados? Famílias com questões vergonhosas, que se odeiam, não falam um com o outro, abusos. Tudo isto faz parte do enredo do filme. 

Martin (Stellan Skarsgard) é irmão de Harriet e também mora na ilha, o pai deles morreu afogado no rio, temos também outro irmão de Henrik que é um nazista e mantém em sua casa fotos da época. 

Aos poucos Mikael irá juntar os pedaços deste mistério. 

David Fincher nasceu em 1962 em Denver, Colorado, EUA.