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segunda-feira, 8 de junho de 2026

FILME: TO KILL A TIGER - (Matar um Tigre)

 

Direção: Nisha Pahuja – 2002

Duração: 2h 7 min

País – Canadá – Índia

Disponível na Netlfix – acesso em junho/2026


Durante uma festa de casamento em uma pequena aldeia da Índia – Jharkhand - uma menina de 13 anos não retornou para casa. Algumas horas depois, ela é encontrada cambaleando.

Ela havia sido levada à força para uma área de mata e estuprada por três homens. Seu pai, Ranjit, vai à polícia, e os homens são presos. No entanto, as famílias dos homens detidos e os líderes da aldeia iniciam uma campanha para que ele retire as acusações.

É o início da luta de um pai para obter justiça por sua filha. Os moradores da aldeia alegam que a questão deve ser resolvida pela comunidade, e não pela justiça, e a solução é um casamento forçado para reestabelecer a honra da menina. O pai não aceita essa solução. Não aceita casar sua filha com um dos estupradores.  

O documentário é filmado ao vivo, e inclusive a equipe de filmagem é hostilizada pelos moradores da aldeia, ao mesmo tempo que a família da menina. Mesmo diante das ameaças e pressões, o pai decide ir até as últimas consequências para obter justiça por sua filha.

Não é um documentário fácil de assistir. A luta é árdua, e ficamos torcendo por esse pai que não aceita a imposição da comunidade. Para o Estado indiano, ao qual a grande maioria dos crimes sexuais não são reportados e resolvidos nas aldeias com casamentos forçados, é um caso inédito.

Os líderes das aldeias são homens, patriarcais, que olham para a mulher como um objeto. E temos um pai, também um homem, que se opõe a eles. Ele enfrentará inúmeros obstáculos e dificuldades, inclusive para sustentar sua família, mas não irá desistir de defender os direitos de sua filha na justiça e de buscar a condenação dos estupradores.

To Kill a Tiger é um documentário sobre violência sexual, mas também sobre a coragem moral. Sua luta transforma um caso particular em uma discussão universal sobre justiça, dignidade e os direitos das meninas e mulheres.


Nisha Pahuja nasceu em Nova Delhi, Índia, em 1967. É uma cineasta nascida na Índia radicada em Toronto, Ontário, Canadá. 


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

FILME: IRREVERSÍVEL - 2002


Direção: Gaspar Noé - 2002
Duração: 94 min
Título original: Irréversible

Um filme forte e que causa um grande desconforto. A violência inicial do filme com a câmera se deslocando a todo instante, a cena do estupro que é crua como nunca vi filmada.

Os deslocamento da câmera no início do filme  nos colocam no contexto, a angústia, a raiva, o ódio, a vingança, a busca pelo criminoso, Pierre (Albert Dupontel) e Marcus (Vincent Cassel)  estão perdidos, agindo no impulso, ou melhor, pela pulsão. O mundo deles mudou. Estão desesperados atrás do homem que estuprou a namorada de Marcus, ex-namora de Pierre, Alex (Monica Bellucci).

Mas o mais interessante do filme é como ele nos conta a história retornando cena após cena ao antes, mas não como normalmente se faz com um crime no início e depois a história volta lá no começo para então seguir em frente até chegar ao crime, aqui não, ela retrocede passo a passo como foi vivido, por trechos, sempre indo mais longe no antes. Não há como mudar, se repete, volta, e que angústia pensar que poderiam ter feito diferente, mas não é mais possível.

A cena do estupro é violenta, insuportável, dura em torno de 5 minutos, no real, é muito difícil de assistir.

Os personagens estão no aprés-coup, perde-se a linearidade do tempo, e isto o deslocamento da câmera nos mostra, tudo gira, em 360º, o filme retrocede sobre seus passos, nos mostra duas cenas de violência no real, e o antes que se perdeu, como diz um personagem no começo do filme e a frase se repete no final: "o tempo arruína tudo".

Não há volta, é irreversível. O trauma se instalou, não se nega, não é recalque, é ato. Há traumas que não podem ser falados, eles se repetem, eles são atos. Na análise é o que podemos chamar de uma transferência inversa onde o paciente faz o analista sentir em si mesmo o que não consegue falar, faz ele repetir o crime.
Não é possível narrar, contar a história neste filme, é através do recuo, do retrocesso no filme, das imagens, do movimento que se vê o trauma, não no linear da palavra.

O trauma não se esquece com o tempo, não é deixada para trás, o que ficou para trás é o antes que já não existe, que o tempo destruiu. A cena do estupro é terrível e ali está no tempo linear pela sua duração, mas é depois que ela se torna terrível, quando se descobre que Alex estava grávida. O choque é forte. Sentimos o mesmo ódio deles, temos vontade de matar, de destruir, e é isto que a pulsão de morte faz, destruir, se volta em torno de si mesma e destrói tudo. É um tempo próprio que a tudo destrói.

Interessante quando antes de tudo ocorrer Alex sonhar com um tunel vermelho após ela ter tido relações sexuais com seu namorado. No sonho o tunel se parte em dois. É nesta cisão, nesta ruptura entre os dois pedaços do tunel que o filme gira sem parar destruindo tudo, é naquele tempo, e não no pedaço de antes ou no pedaço do depois do tunel. Já não é possível retroceder, o "Isso" que está na cisão do tunel não há como fugir dele, não dá mais para mudar, é irreversível.

Gaspar Noé nasceu em 1963 em Buenos Aires, Argentina 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

FILME: ARCA RUSSA - 2002


Direção: Aleksandr Sokurov - 2002 
Duração: 99 min 
Título original: Russian Ark
País: Rússia 

Um cineasta russo atual acompanhado de um diplomata do séc. XIX no ano de 1700 percorrem o museu Hermitage em São Petersburgo na Rússia. Percorrendo 35 salas do museu sem cortes eles atravessam 300 anos da história russa do séc. XVIII até o séc. XXI.



O cineasta é russo e defende seu povo, sua arte e criação, o europeu procura compreender, por que tantas obras europeias ali. Eles não sabem como foram parar ali, simplesmente caminham pelas salas e através dos acontecimentos da história. Há os grandes personagens como Nicolau I, Pedro o Grande, Catarina II, Alexandra, e as belas obras de arte que o museu possui. Termina com o último baile no palácio de inverno em 1913, depois do que tudo mudará com a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa e a Segunda Guerra. É como a arca de Noé que guarda, protege e salva do futuro todo esta passado histórico.



Um grande fantasia, mas que nos permite um vislumbre da história deste país.

O filme foi rodado em um único dia e foram utilizados mais de 3 mil figurantes.

Aleksandr Sokurov nasceu em 1951 em Oblast de Irkutsk, Rússia. Teve uma infância errante mudando para muitas cidades. Formou-se em História.


Música de Sergey Yevtushenko

Sergey Yevtushenko é um compositor russo, maestro e produtor musical. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

FILME: O PIANISTA - 2002


Direção: Roman Polanski - 2002 
Duração: 150 min. 
Título original: The pianist
Roteiro: Ronald Harwood
País: Polônia 


Baseado na autobiografia com o mesmo título de Wladyslaw Szpilman, um músico polonês. 

Indicado a sete oscars, ganhando o de melhor ator, melhor diretor e melhor roteiro adaptado. Também ganhou 02 Baftas, 06 Césars e a Palma de Ouro. 

O pianista Wladyslaw (Adrien Brody)  quando ocorre a ocupação alemã da Polônia é enviado para os campos de concentração junto com sua família, porém no último momento antes do embarque é salvo por um amigo que não é judeu e que o retira da fila que segue para o vagão de trem.

Wladyslaw vivia com sua família e tocava piano em uma rádio quando começam as primeiras restrições aos judeus, tendo que usar a estrela que identificava os judeus é obrigado a se mudar com sua família para o gueto de Varsóvia. Após a deportação de sua família ele se vê sozinho, vivendo escondido e tendo ajuda no início de resistentes, mas ele se verá sozinho e após o bombardeamento terá que se esconder em casas destruídas, passará fome e frio. Será descoberto no final da guerra por um oficial alemão que ao saber que ele era um pianista vai protegê-lo.

Após a libertação o oficial estará preso em um campo e pedirá que peçam a Wladyslaw que testemunhe a seu favor por tê-lo protegido. Quando fica sabendo ele vai até o campo, mas já não há mais ninguém.

O filme retrata o que se passou em Varsóvia quando os nazistas entraram, como enganavam os judeus com promessas falsas fazendo com que não acordassem a tempo e terminassem num trem com destino para o extermínio. Wladyslaw assistiu de sua janela a cenas chocantes quando os alemães chegavam após terem recebidos denúncias e entravam nos apartamentos onde havia judeus matando a todos ou levando-os para serem deportados.O filme também tem relações com o diretor Roman Polanski que escapou do Gueto de Varsóvia após a morte de sua mãe. 

Ele volta a tocar após o fim da guerra e viveu em Varsóvia até morrer em 2000.

Roman Polanski nasceu em 1933 em Paris, França. Iniciou sua carreira na Polônia. O filme O Pianista se passa no Gueto de Varsóvia onde o diretor esteve na infância por ser judeu.

Wladyslaw Szpilman nasceu em 1911 em Sosnowiec, Polônia e faleceu em 2000 em Varsóvia.

Trilha Sonora de Wojciech Kilar


Wojciech Kilar nasceu em 1932 em Lviv, Ucrânia e faleceu em 2013 em Katowice, Polônia. Foi um compositor. 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

FILME: BALZAC E A COSTUREIRINHA CHINESA - 2002


Direção:  Sijie Dai  - 2002 
Duração: 110 min 
Título original: Balzac et la petite tailleuse chinoise
País: China 

Baseado no livro autobiográfico escrito pelo diretor do filme.

Durante a Revolução Cultural na China de Mao,  nos anos 70, dois jovens amigos Luo (Kun Chen) e Ma (Ye Liu) são levados para as montanhas numa comunidade agrícola para serem reeducados. Lá irão conhecer a neta (Zhou Xun) de um costureiro famoso na região e ambos se apaixonam por ela.

Luo e Ma são considerados inimigos do povo porque seus pais eram dentista e médico, o que é considerado ser da burguesia e reacionário. Ma consegue levar seu violino e acaba podendo ficar com ele porque alega que Mozart compunha para o presidente Mao. Como os camponeses não tem nenhum conhecimento cultural e menos ainda de música aceitam esta explicação, mas o livros que tinham são todos queimados.

Acabam descobrindo que outro companheiro conhecido como quatro olhos devido aos óculos esconde um baú cheio de livros proibidos com autores como Balzac, Tolstói, Flaubert e Victor Hugo. Conseguem encontrar o baú e se apoderam dos livros proibidos.

Através da leitura, principalmente de Balzac, os três irão amadurecer, crescer e abrir novos horizontes, dentro deste contexto totalmente limitador. Uma obra transformadora e singela. O filme nos traz belos visuais também.

Sijie Dai nasceu em 1954 na China. Aprendeu a profissão de alfaiate com seu pai. O governo de Mao o enviou  para reeducação na zona rural de Sichuan de 1971 a 1974. Quando voltou estudou História da Arte na Universidade. Em 1984 foi para a França com uma bolsa. Foi neste país que ele adquiriu a paixão pelo cinema. Vive em Paris e escreve em Francês. 


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FILME: FRIDA - 2002




Direção: Julie Taymor - 2002
Duração: 123 min 

País: Estados Unidos 

Baseado no livro da Hayden Herrera sobre a biografia de Frida.

A história de Frida Kahlo, eu já a conhecia, li seu diário, que também recomendo.

O filme fala de sua adolescência, o acidente que mudou sua vida, todo seu sofrimento físico, até sua morte, mas também de toda sua vontade de viver e de sua arte.

Novamente temos uma mãe que não aceita como é a filha. Ela não é submissa, não segue sua religião, o que vão pensar os outros? as despesas devido seu acidente são altas. A mãe declara que ela não é bonita e ainda lhe diz: Quem sabe se um dia você casa! E no entanto Frida  é uma mulher bela, marcante, exuberante até.
Quando Frida (Salma Hayek)  se casa com Diego Rivera (Alfred Molina) , pintor, e que é divorciado isto é um escândalo para sua mãe. O pai a ama muito e a incentiva. Novamente a rivalidade da mãe com a filha, como com Camille Claudel e agora Frida Khalo. Uma  mãe que quer que a filha siga seu desejo, seja ele algo que ela nunca conseguiu realizar para si mesma, ou seja, ser como ela, o destino que se impõe as mulheres na sociedade em que vivem. Não conseguem ver a filha brilhar mais. Por outro lado, elas tem pais que a defendem, e incentivam. Chego a pensar que elas são o "filho homem", aquele com o qual o pai se identifica e o projeta no futuro.



Frida pinta o que não consegue falar. Sua dor, sua solidão. Se volta para si mesma, não reflete o exterior, assim como Claudell.



Seus quadros são ela mesma, seus desejos, seu sofrimento. Mas apesar de suas limitações físicas, Frida tem uma vida intensa e cria muito, nos deixa um legado fantástico e rico.
Recomendo também a leitura de seu diário.




Assista ao trailer





Julie Taymor nasceu em 1952 em Newton, Massachussets, EUA.

Trilha Sonora de Elliot Goldenthal




Elliot Goldenthal nasceu em 1954 em New York, EUA. É um compositor e companheiro de Julie Taymor.