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segunda-feira, 29 de junho de 2015

FILME: OS GATOS NÃO TÊM VERTIGENS - 2014


Direção: António-Pedro Vasconcelos - 2014
Duração: 118 min
País: Portugal

Vencedor de nove categorias do Prêmio Sophia 2015

Rosa (Maria do Céu Guerra) é uma senhora de 73 anos que acaba de ficar viúva, mas ela tem imensa dificuldade em aceitar a morte de seu marido Joaquim (Nicolau Breyner). Ela mantém a urna com suas cinzas em casa e guarda seus objetos com muito cuidado. Ela continua a vê-lo e conversa com ele. Rosa mora na Lisboa antiga, e seu genro está de olho em seu apartamento para vendê-lo. 

Paralelamente vamos conhecendo Jó (João Jesus)  um jovem  desencantado com a vida, seus amigos fazem pequenos furtos, sua mãe abandonou a ele a seu pai que é um alcoólatra e violento. Ele está completando 18 anos e justo neste dia seu pai o expulsa de casa, sem encontrar onde se refugiar ele acaba no terraço de Rosa. 

No dia seguinte Rosa descobre seu "hóspede" e o acolhe. Começa uma relação de companheirismo e compreensão que ninguém é capaz de compreender, principalmente a filha de Rosa e o genro, que insistem em que ela vá para uma casa de repouso. 

Um filme sobre a velhice, de como os idosos são tratados, considerados incapazes de decisões, escolhas, de ter sua vida privada como sempre tiveram antes. A história de Rosa e Joaquim é riquíssima, e tudo isto se perde diante da velhice onde ela passa a ser uma pessoa que causa preocupação à filha que não consegue deixá-la viver sua vida adulta e madura. Por outro lado vemos a situação de um jovem que nunca foi amado, que ninguém se interessa por ele, mas que tem um imenso potencial criativo e se não fosse este encontro com Rosa teria sua vida destruída. 

Claro, podemos alegar que é muito difícil estes encontros, mas o que me fica principalmente é acreditar que as pessoas podem mudar, que o que elas trazem em si mesmas, independente do que a vida lhes faz,ainda podem se recuperar e ter outras escolhas. E no mundo atual estamos precisando de filmes assim. 

António-Pedro Vasconcelos nasceu em 1939 em Leiria, Portugal
Música do filme:

Ana Moura - Clandestinos no Amor 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

FILME: PHOTO - 2013


Direção: Carlos Saboga - 2013
Duração: 75 min
País de origem: Portugal e França 

Um filme que nos fala da busca de suas origens. Elisa (Anna Mouglagis) acaba de perder a mãe. Pilar (Marisa Paredes) não cumpriu o desejo dela e guardou todas as fotos e escritos, e é assim que Elisa descobre que seu pai não é quem ela pensava. Ela então parte para Portugal em busca de sua história, mas também para dar um tempo a si mesma, uma vez que foi surpreendida por um pedido de casamento de seu companheiro italiano, com quem vive há 07 anos, e não sabe se deseja se casar. 

Chegando lá ela conhece Davi (Simão Cayatte) que é filho de um dos amigos de sua mãe. Ele acaba de voltar do Marrocos onde se envolveu com o islamismo. A história da mãe de Elisa se passa nos anos 60-70, durante o fascismo, e o filme é um resgate desta história, mas com um olhar atual. Davi procura ajudá-la em sua busca, levando-a até as pessoas e servindo de tradutor. Mas ele esconde dela que sua mãe voltou a se casar e com um dos companheiros da turma da mãe dela. 

O filme na realidade é uma espécie de biografia de Saboga, uma catarse de sua própria história pelo viés da ficção. O que se conclui é o fim da ilusão de que através de um combate se podia modificar o mundo, e hoje todos aqueles que se envolveram na luta vivem uma vida de burguês. O inspetor do PIDE (polícia internacional e de defesa do Estado) nega a realidade, diz que não matavam. É a dificuldade de fazer o ajuste de contas que os países tem, e as pessoas também. A vida continua e uma pessoa que surge para remexer o passado nem sempre é bem vinda, mas Elisa acaba sabendo de tudo e pode finalmente voltar e tomar uma decisão quanto ao casamento. 


Carlos Saboga nasceu em 1936 em Figueira da Foz, Portugal.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

FILME: FLORBELA - Perdidamente Florbela - 2012


Direção: Vicente Alves do Ó - 2012 
Duração: 119 min 
Roteiro: Vicente Alves do Ó
País: Portugal 

O filme chega apenas agora no Brasil. Um belíssimo retrato de Florbela Espanca, a poetisa portuguesa, tida como o feminino de Fernando Pessoa.

Florbela nasceu em 1894 em Vila Viçosa, Portugal. Era filha de Antónia Conceição lobo e de João Mayra Espanca, porém este era casado com Mariana do Carmo Toscano. Seu irmão Apeles também é filho de Antónia, e João tirou os filhos de sua mãe e os levou para serem criados em sua casa. A esposa era estéril e os recebe com amor, tornando-se a madrinha deles. João nunca reconheceu o filho como seu, e Florbela somente 18 anos após sua morte foi reconhecida e recebeu o sobrenome Espanca.

Florbela (Dalila Carmo) tem uma imensa sede de viver, de ir mais longe, mas seu primeiro marido Alberto não compreende isto, e ela se divorcia dele indo para Lisboa. Casa-se novamente com Antonio, mas também não dura este casamento, e então casa-se com Mario (Albano Jerónimo), um médico e vai viver em Matosinhos.



Seus primeiros poemas da época de seu primeiro casamento são publicados nos jornais, ela também edita um livro de poemas, mas depois entra num longo período em que não consegue escrever, voltando a fazê-lo somente após a morte do irmão.

O filme foca principalmente neste período de improdutividade, e em seus três casamentos, passando levemente por sua vida intensa em Lisboa, sua sexualidade, tentativas de suicídio e suas questões psíquicas. Sua relação incestuosa com o irmão Apeles (Ivo Canelas) é uma questão controversa entre seus biógrafos, mas no filme ela é visível, a ponto do irmão não suportar seu terceiro marido, a intromissão dele entre os dois.

O que se percebe pelo filme como mais forte é sua eterna insatisfação, ela diz que não sabe viver, suas buscas, a melancolia, a angústia. Florbela carrega um excesso dentro dela, e não encontra onde colocar, nem mesmo a escrita pode suprir isto.  Segue somente suas regras, não leva muito em conta o que os outros sentem, deixa seus maridos apaixonados sem se preocupar com isto, o que importa é sua necessidade de algo novo, diferente, da eterna busca da vida, de viver que não se sacia.

Uma mulher que nasceu em uma época errada, que não teve o que fazer com tudo que tinha dentro de si mesma e com isto se perdeu em si mesma.

Florbela Espanca

Vicente Alves do Ó nasceu em 1972 em Sétubal, Portugal. 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

FILME: TREM NOTURNO PARA LISBOA - 2013



Direção: Bille August - 2013 
Duração: 111 min 
Título original: Night train to Lisbon
Roteiro: Ulrich Herrmann e Greg Latter
País: Suíça - Portugal - Alemanha 


Baseado no livro homônimo de Pascal Mercier, pseudônimo de Peter Bieri, escritor e filósofo suíço. 

Um livro difícil de transpor para a tela uma vez que se baseia muito nas leituras que o professor Raimund Gregorius (Jeremy Irons) faz do livro de Amadeu do Prado (Jack Huston), um português que escreve sobre a Revolução dos Cravos em Portugal mas também faz uma introspecção filosófica sobre sua vida.

Raimund é um professor suíço que vive só e dá aulas de grego e latim. Uma manhã chuvosa ao se encaminhar para a escola ele se depara com uma mulher que está para se atirar de uma ponte em Berna. Ele corre e a impede de fazer isto. Ela o acompanha até a escola, assiste um pouco de sua aula e se retira, deixando para trás seu casaco. É o suficiente para Raimund ficar interessado e tentar descobrir algo sobre ela. No bolso do casaco ele encontra um livro em português de Amadeu Prado e um bilhete de trem para este mesmo dia. Ele toma uma decisão e corre até a estação de trem e embarca em direção à Lisboa.



Raimund deixa para trás sua vida monótona, determinada e metódica, o que surpreende a todos que o conhecem. É o início de sua jornada por um mundo diferente daquele que sempre conheceu. No rastro de Amadeu irá conhecer várias pessoas e tentar compreender Amadeu e conhecer a história de Portugal, mas não será apenas isto, o livro irá mudar sua vida.



Um de seus principais encontros é com Adriana (Charlotte Rampling) irmã do escritor e médico Amadeu e o outro é com Jorge (Bruno Ganz) que lhe fala sobre a ditadura. Ele também reencontrara Estefânia (Lena Olin e Mélanie Laurent quando jovem) que foi o grande amor de Amadeu e de Jorge e conhecerá Mariana (Martina Gedeck) que é sobrinha de Jorge e o levará até ele.



Recomendo a leitura do livro, pois o filme, apesar de ser bom, não consegue abarcar todo o conteúdo filosófico e vivencial do livro e acaba deixando a desejar, principalmente para quem leu o livro antes de ver o filme.


Bille August nasceu em 1948 em Brede, Dinamarca. 

Musica de Annette Focks 

Annette Focks nasceu em 1964 em Thuine, Alemanha. É música e compositora

quinta-feira, 27 de março de 2014

FILME: PALAVRA E UTOPIA - 2000



Direção: Manoel de Oliveira - 2000
Duração: 133 min 
Roteiro: Manoel de Oliveira
País: Portugal 

Uma cineobiografia sobre o Padre Antônio Vieira.

Pe. Antônio Vieira nasceu em 1608 e veio para o Brasil em 1614. Ficou famoso pelos seus sermões. Ordenado jesuíta seus sermões denunciavam as injustiças principalmente a causa dos índios e dos negros. No ano de 1663 enfrentará o tribunal da Inquisição em Coimbra. É amigo pessoal de Dom João IV e será vítima de intrigas na corte tendo que se refugiar em Roma onde conquistará a confiança do Papa. Será o confessor da Rainha Cristina da Suécia. Retorna à Portugal e será obrigado por Dom Pedro II a passar o restante de sua vida no Brasil.



Lima Duarte representará o Pe. Vieira  na última parte de sua vida. O uso da palavra para defender os índios, negros e judeus através de seus sermões, o aspecto político de Vieira.



Manoel de Oliveira nasceu em 1908 em Porto, Portugal.
Faleceu em 02 de abril de 2015 em Porto.  

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

DOCUMENTÁRIO: JOSÉ E PILAR - 2010


Direção: Miguel Gonçalves Mendes - 2010 
Duração: 125 min 
País: Espanha - Portugal - Brasil 

Mendes realizou o filme sobre José Saramago e Pílar Del Rio e o completou com o livro de Conversas Inéditas que também já li e postei aqui no Blog.

O filme me lembra muito Cadernos de Lanzarote escrito por Saramago, são detalhes da intimidade de ambos, seus pensamentos e a rotina de trabalho.



As idéias de Saramago, suas posições frente ao mundo. Um desiludido que sabia que a vida é o que ela é e o ser humano também, demasiado humano. Apesar de melancólico ele tem senso de humor.

Pílar é uma mulher forte, que abre mão de sua carreira de jornalista para assessorar Saramago, mas é uma escolha e o faz com prazer. E ele é dependente dela, a todo instante se ouve Saramago: Pílar! Pílar! Isto lhe dá um lugar que para outros poderia ser sufocante, mas é a beleza do amor que une os dois, um amor maduro entre dois seres que já haviam vivido antes outras experiências em suas vidas.



Havia um Saramago e havia um José, mas Pílar, era única.

Recomendo o documentário seguido do livro. Você encontra o filme completo no Youtube.


Miguel Gonçalves Mendes nasceu em 1978 em Covilhã, Portugal. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

FILME- O CÉU DE LISBOA - 1995



Direção: Wim Wenders - 1995
Duração: 99 min 
País: Alemanha 

Um dos meus filmes preferidos, infelizmente não consegui encontrar o DVD para comprar, está esgotado.

Phillip Winter (Rüdiger Vogler)  é um engenheiro de som alemão, ele recebe um cartão de seu amigo Friedrich (Patrick Bauchau) que está em Lisboa filmando e pede sua ajuda. Ele parte ao encontro do amigo em seu velho carro. Inicia-se um percurso pela Europa atual e enquanto se encaminha para Lisboa Phillip vai ouvindo o rádio em várias línguas e ele vai tentando falar português. Vários países, várias línguas.

Já de início nos deparamos com o bom humor de Winter e cenas cômicas. Ele está com o pé engessado e dirigindo, fura um pneu e ao tentar trocá-lo o estepe cai de uma ponte, ele tenta continuar e o carro não aguenta, então pede carona chegando à Lisboa em uma carroça. Após tudo isto ele descobre que seu amigo desapareceu. Instala-se então em seu apartamento na Lisboa antiga.



No apartamento ele encontra um filme sobre Lisboa, mas sem som e um livro de Fernando Pessoa. Winter decide então colocar som naquelas imagens e ao andar por esta cidade aos poucos vai se apaixonando por ela e também por Teresa Salgueiro, a vocalista do grupo Madredeus e suas canções.



As belas imagens de Lisboa associadas aos sons locais, sua música e seu maior poeta Fernando Pessoa fazem deste filme algo encantador e belo.



Wim Wenders nasceu em 1945 em Düsseldorf, Alemanha.