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domingo, 28 de junho de 2026

LIVRO: MARINA: A VIDA POR UMA CAUSA


 

MARINA: A VIDA POR UMA CAUSA

MARILÍA DE CAMARGO CÉSAR

MUNDO CRISTÃO – 1ª ED. – 2010

256 páginas

Marina resistiu por muito tempo a que escrevessem sua biografia, mas, ao conhecer Marília Camargo ela cedeu e por isso temos essa biografia, um retrato fiel na medida do possível, sobre quem é Marina e sua vida.

A autora em momento algum romantiza a narrativa ou deixa de apontar algo que pudesse ser visto como negativo. Ao mesmo tempo realça todos os aspectos positivos desta mulher e sua luta pelo meio ambiente, a política, a mulher Marina.

Marina nasceu no interior do Acre e teve uma infância muito pobre, trabalhando nos seringais junto com sua família. Devido a uma doença precisou sair dali e ir para a cidade. A doença foi uma constante em sua vida, e chegou a ser desenganada pelos médicos que diziam que só um milagre a salvaria. Ela acreditou no milagre.

O que ela mais desejava era estudar e o conseguiu. Com os conhecimentos adquiridos através de sua formação educacional e sua vivência nos seringais, surge a ativista política, como forte vínculo com o movimento seringueiro e parceria com Chico Mendes.

O livro acompanha tanto sua trajetória política quanto sua atuação intelectual incluindo seu percurso na política como vereadora, deputada estadual, senadora e Ministra do meio Ambiente. Também lembra sua candidatura à presidência da República.

Vale a pena ler e conhecer esta mulher, que tem ideais e os respeita, o que frequentemente é simplificado no debate político brasileiro.


Marília de Camargo César nasceu em São Paulo em 1964. É jornalista e escritora. 


domingo, 22 de fevereiro de 2026

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NOS LARES CRISTÃOS


 

O GRITO DE EVA

A violência doméstica em lares cristãos

MARÍLIA DE CAMARGO CÉSAR

THOMAS NELSON BRASIL – 1ª ED. - 2021

178 páginas


O grito de Eva, de Marília de Camargo César, parte de uma constatação incômoda: o machismo atravessa todas as esferas do patriarcado — sociedade, política, família e também a religião. Existe a ilusão de que pessoas religiosas seriam, por definição, amorosas e incapazes de praticar violência, mas o livro demonstra que essa expectativa não corresponde à realidade. A autora reúne relatos de mulheres cristãs que, ao buscarem ajuda dentro de suas igrejas, acabam sendo aconselhadas a rezar mais, a compreender, a relevar, a suportar. Esse tipo de orientação, longe de proteger, contribui para a perpetuação da violência doméstica.

Ao mesmo tempo, o livro não constrói uma crítica simplista ou homogênea às lideranças religiosas. Há também depoimentos e reflexões de pastores que discordam dessas práticas e reconhecem a violência como algo incompatível com o cristianismo. Fica evidente que tudo depende da interpretação dos textos sagrados e, sobretudo, do que se deseja extrair deles. A Bíblia oferece ensinamentos, mas a leitura desses textos exige responsabilidade histórica e ética: é fundamental distinguir aquilo que pertence a um contexto social específico daquilo que pode ser compreendido como princípio válido para outros tempos.

A autora lembra que, no período em que muitos textos bíblicos foram escritos, a mulher não tinha voz, era socialmente submissa e confinada ao espaço doméstico. Nesse sentido, a atuação de Jesus aparece como profundamente disruptiva: ele escuta as mulheres, conversa com elas, as acolhe, rompendo com o status quo de uma sociedade patriarcal. Marília também chama atenção para o fato de que o Gênesis apresenta dois relatos da criação — o primeiro e o segundo — e que é apenas no segundo que surge Eva a partir da costela de Adão, distinção frequentemente ignorada em leituras literalistas.

Um ponto especialmente instigante é a reflexão sobre o silêncio de Adão diante da cena da maçã e da serpente. Por que, tendo ouvido Deus, ele não interveio, não recusou, não aconselhou Eva? Esse silenciamento masculino, raramente problematizado, desloca a responsabilidade exclusiva atribuída à mulher e revela como certas leituras bíblicas operam seletivamente para reforçar a culpa feminina.

Em relação à submissão, o livro oferece uma explicação mais ampla do conceito, mostrando que ele não se refere apenas às mulheres. O problema surge quando essa ideia é aplicada de forma unilateral, enfatizando a submissão feminina e silenciando as exigências éticas dirigidas aos homens. Essa leitura parcial sustenta relações abusivas e legitima violências que nada têm de sagradas.

O grito de Eva é, acima de tudo, um livro de orientação e encorajamento. Ele afirma, com clareza, que mulheres cristãs não precisam se submeter à violência física ou ao abuso psicológico para serem fiéis à sua fé. Elas merecem amor, dignidade e vida plena,  e tomar uma atitude diante da violência não significa ir contra os ensinamentos sagrados, mas, ao contrário, reafirmar o valor da própria vida.

                   Marília de Camargo César nasceu em São Paulo em 1964. É jornalista e escritora.