Os livros sempre fizeram parte de minha vida, meus pais liam muito e na minha casa sempre teve uma biblioteca. Leio pelo prazer de ler, mas também para estudos e o mais importante, para me refletir no outro e muitas vezes encontrar respostas para minhas dúvidas, medos, conflitos. E gosto muito de filmes, pelo mesmo motivo. Este blog surgiu para compartilhar minhas leituras e filmes que assisti, mas sem me estender muito nem efetuar uma análise crítica.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
MELHORES LIVROS DE 2015
Segue a lista de 2015:
- REZE PELAS MULHERES ROUBADAS - Jennifer Clement.
- O TOM AUSENTE DE AZUL - Jennie Erdal.
- JUDAS - Amós Oz.
- SUBMISSÃO - Michel Houellebecq.
- O FRÁGIL TOQUE DOS MUTILADOS - Alex Sens.
- GRANDE SERTÃO: VEREDAS - João Guimarães Rosa.
- ÍRISZ: AS ORQUÍDEAS - Noemi Jaffe.
- A CERIMÔNIA DO ADEUS - Simone de Beauvoir.
- RELATAR A SI MESMO Crítica da violência ética - Judith Butler.
- SANGUE NO OLHO - Lina Meruane.
Todos estão postados no Blog.
MELHORES FILMES DE 2015
FILME: O REGRESSO - 2015
Direção: Alejandro González Iñárritu - 2015
Duração: 158 min
Título Original: The Revenant
País de Origem: Estados Unidos
FILME: O HOMEM IRRACIONAL - 2015
Direção: Woody Allen - 2015
Duração: 94 min
Título Original: Irrational Man
País de Origem: Estados Unidos
Vou comentar o filme, mas irei retornar à ele.
LIVRO: O CLAMOR DE ANTÍGONA - Parentesco entre a vida e a morte - JUDITH BUTLER
O CLAMOR DE ANTÍGONA – Parentesco entre a vida e a morte
JUDITH BUTLER
EDITORA DA UFSC – 2014
Tradução: André Cechinel
128 páginas
Butler questiona a estrutura do parentesco que leva a família burguesa, a normatização de que família é um homem, uma mulher e filhos. Outra questão é do quanto o incesto é realmente proibido pela lei universal.
Concordo com ela sobre a questão de que família não é este núcleo normatizante, porém discordo de que a estrutura leva a isto, uma vez que inclusive nos estudos antropológicos há povos onde é o tio materno que ocupa a posição simbólica de pai, e a mulher tem vários homens, muitas vezes nem se sabe quem é o pai da criança.
O pai simbólico da psicanálise é um lugar, não é levado em conta aqui quem é, este no caso é o pai real, o biológico. Pensando sobre isto a estrutura se mantém, mesmo em casos de homossexuais, pois mesmo que a opção seja por um parceiro do mesmo sexo, na maioria das vezes não será seu irmão, irmã, pai ou mãe.
Sobre a questão da proibição ser universal, tenho minhas reservas também, não acredito que haja algo universal. Mas o que a antropologia e a psicanálise dizem com passagem da natureza para a cultura com a proibição do incesto é uma questão também de linguagem, de troca, ou seja, se uma cultura, um povo, se fecha em si mesmo, sem haver casamentos com pessoas de outros povos, outras culturas, a linguagem acaba morrendo, não se enriquece.
Um filme excelente para se pensar sobre esta questão é A Guerra do Fogo de Jeann-Jacques Annaud onde fica bem nítido a passagem da natureza para a cultura, quando o protagonista descobre o riso, o sexo frontal, o amor.
Agora a análise sobre Antígona e Creonte é brilhante, na questão das posições de ambos, da feminilidade e da masculinidade. E considero de extrema importância o avanço, a psicanálise até o momento tem atuado com sua teoria no mundo, mas ela precisa também se rever a si mesma. Ela é um sintoma da modernidade, mas o mundo, os tipos de famílias, a feminilidade, a masculinidade, tudo isto avança, e por mais que se considere a estrutura como um lugar onde se mudam apenas os componentes, ainda assim, há coisas a serem revistas e urgentemente.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
DOCUMENTÁRIO: IVÁN - 2015
Direção: Guto Pasko - 2015
Duração: 109 min
País de origem: Brasil
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
FILME: TRÊS LEMBRANÇAS DA MINHA JUVENTUDE - 2015
Direção: Arnaud Desplechin - 2015
Duração: 120 min
Título Original: Trois souvenirs de ma jeunesse
País de origem: França
Paul Dédalus (Mathieu Amalric) é questionado pela sua namorada sobre seu passado as vésperas de seu retorno para a França. Ele é um antropólogo e irá lembrar dos três acontecimentos que determinaram sua vida, três lembranças de sua infância e juventude.
Primeiro será sobre sua mãe e a infância. A mãe sofria de distúrbios psíquicos e o amedrontava a ponto dele deixar sua casa e ir morar com sua tia Rose (Françoise Lebrun). Após a morte de sua mãe o que deixa seu pai (Olivier Rabourdin) melancólico ele retorna para sua casa. O segundo fato já é na adolescência quando Paul (Quentin Dolmaire) viaja com o colégio para a Rússia e sendo um jovem militante aceita entregar seu passaporte europeu para ajudar na fuga de alguns judeus que queriam ir para Israel. O terceiro é sua paixão por Esther (Lou Roy Lecollinet).
São as recordações mais marcantes que Paul se recorda. Provavelmente devido sua mãe acabou fugindo a assumir um compromisso com alguma mulher o que irá refletir na sua relação com Esther. Ele se recorda aos poucos e diante situações como quando chega a França e é detido devido haver um outro Paul Dédalus, é neste momento que nos fala sobre sua ida à Rússia.
Os anos de juventude em Paris indo e vindo até Roubaix no norte da França para ver Esther. Seus estudos de antropologia e depois sua opção por ir para países distantes ao invés de assumir uma relação com Esther. Esta por sua vez apesar da inicial aparência de total segurança em relação aos homens nos recorda a mãe de Paul, nos momentos depressivos e de medo que ela sofre. Em sua vida surgem duas outras mães, sua tia Rose e a professora de antropologia, mas após a morte desta parece que isto se encerra.
O ponto alto do filme ao meu ver é o final, onde Paul reencontra seu melhor amigo da juventude e toda a mágoa, ressentimento que ele carregou durante sua vida em relação a ele por ter seduzido Esther virá a tona.
LIVRO: RELATAR A SI MESMO - Crítica da violência ética - JUDITH BUTLER
RELATAR A SI MESMO: Crítica da violência ética
JUDITH BUTLER
AUTÊNTICA – 1ª ED. – 2015
Tradução: Rogério Bettoni
198 páginas
DOCUMENTÁRIO: AMY - 2015
Direção: Asif Kapadia - 2015
Duração: 127 min
País de Origem: Reino Unido e Irlanda do Norte
Documentário sobre a vida de Amy Winehouse (1984-2011)
FILME: OS 33 - 2015
Direção: Patricia Riggen - 2015
Duração: 120 mim
Título Original: The 33
País de Origem: Chile - Estados Unidos
No filme podemos ver como reage o ser humano em situações extremas. Soterrados, há momentos de união, porém é necessário um líder para impedir que um devore o outro, coma toda a comida em detrimento do outro, mas até mesmo este líder é humano e em determinado momento se acha superior aos outros, e pensa em tirar alguma vantagem do que está ocorrendo, até mesmo dando entrevistas e escrever um livro sobre o que ocorreu, sem envolver os outros, ficando desta forma com a fama. Tudo absolutamente humano. Do lado de fora vemos as famílias, as questões de cada uma, e a frieza do governo e das empresas, pois não fosse a juventude e a posição moral do ministro das energias, provavelmente estes mineiros teriam morrido ali embaixo de inanição, isto se não se matassem ou matassem ao outro.
FILME: GRACE DE MÔNACO - 2014
Direção: Olivier Dahan - 2014
Duração: 103 min
Roteiro: Arash Amel
País de Origem: Estados Unidos - França
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
FILME: CHRISTINA NOBLE - 2014
Direção: Stephen Bradley - 2014
Duração: 100 min
País de Origem: Irlanda
Cinebiografia de Christina Noble
terça-feira, 24 de novembro de 2015
FILME: PHOENIX - 2014
Direção: Christian Petzold - 2014
Duração: 98 min
País de Origem: Alemanha
DOCUMENTÁRIO: IRIS - 2015
Direção: Albert Maysles - 2015
Duração: 76 min
País de origem: Estados Unidos
Documentário sobre Iris Apfel
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
LIVRO: IDENTIDADE E VIOLÊNCIA a ilusão do destino - AMARTYA SEN
IDENTIDADE E VIOLÊNCIA: a ilusão do destino
AMARTYA SEN
ILUMINURAS – 1ª ED. – 2015
Tradução: José Antonio Arantes
208 páginas
Um dos pontos forte do livro é a questão da falsa oposição entre Ocidente e Antiocidente que acaba sendo utilizado para criar ressentimentos que permitem os atos terroristas. É fato que certas atitudes e comportamentos de alguns países ocidentais acabaram criando este ressentimento, porém, é a insistência nesta divisão que alimenta o ódio, e não é apenas do lado do Oriente que isto é utilizado, pois quando os Estados Unidos alega ser difícil ou impossível "impor" a democracia no Iraque está fazendo a mesma coisa. Quando se pensa desta forma, agindo contra o outro, não se está se libertando do outro, pelo contrário, é uma mentalidade de colonizado.
Vale a pena ler o livro, aprendi muito com ele e sacudi um pouco minhas ideias e isto é sempre muito bom.
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
FILME: BABEL - 2006
Diretor: Alejandro González-Iñárritu - 2006
Duração: 142 min
País: Estados Unidos - México - França
Roteiro: Guillermo Arriaga
Também me chama a atenção que apesar de Richard não dar queixa de Amélia, em momento algum ele se dispõe a defendê-la perante as autoridades levando em conta que ela estava com eles desde que seus filhos eram pequenos. O que vejo é a repetição do ato com o guia, ela era paga, ele não devia nada à ela. E por um lado não deixa de ser correto, é um trabalho, mas por outro me pergunto se caso fosse uma pessoa americana se ele não agiria de outra forma. De qualquer maneira talvez o fato de não dar queixa já seja uma maneira de demonstrar que ele aprendeu algo com tudo que ocorreu, seja o possível para ele dentro da cultura que vive.
LIVRO: MINHA PARIS, MINHA MEMÓRIA - EDGAR MORIN
MINHA PARIS, MINHA MEMÓRIA
EDGAR MORIN
BERTRAND BRASIL – 1ª ED. – 2015
Tradução: Clóvis Marques
224 páginas
Lendo as memórias de Morin nos damos conta de como ele formou seu pensamento complexo. Ele nos relata a história de seu país e de sua cidade através de sua história passando pela Resistência durante a Segunda Guerra, sua adesão ao comunismo e depois sua saída, suas amizades, e me interessei especialmente pela amizade com Marguerite Duras.
Morin é também um grande cinéfilo e no livro nos fala dos principais filmes que marcaram sua vida. Agora o mais impressionante é seu desejo de viver, e mesmo agora, nonagenário continua ativo e vivendo o que o mundo oferece de bom e de ruim, sempre aprendendo e buscando compreender.
Este livro nasceu de seu desejo de escrever sobre Paris como palco de suas memórias após pronunciar o discurso de agradecimento ao receber em 05 de junho de 2012 das mãos do Prefeito Bertrand Delanoë a Médaille de Vermeil de la Ville de Paris.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
FILME: A PELE DE VÊNUS - 2013
Direção: Roman Polanski - 2013
Duração: 96 min
Título Original: La Vênus a la fourrure
Roteiro: Roman Polanski e David Ives
País: França - Polônia
"E o todo poderoso o golpeia e o coloca nas mãos de uma mulher."
"Amar e ser amado é como ser encantado. Entretanto, mais forte e mais lindo. E esse tormento que me consome. A cópula com essa mulher para a qual sou um brinquedo, um escravo miserável, servil, o chão onde ela pisa, minha deusa, minha ditadura, minha vênus coberta por peles."
Quando Vanda lhe passa (à Severin) a sua "pele" (no filme um cachecol de lã), suas mãos tremem. Vanda lhe pergunta o porque e indaga se em sua infância não houve algo ao que Severin responde: " nós todos somos explicáveis e permanecemos inextricáveis. A vida nos faz ser o que somos num instante, imprevisível." É quando ele lhe conta sobre sua tia que usava uma pele. Ele foi uma criança terrível que perturbava a vida dos criados e do gato, e também não se portava bem com sua tia, até o dia que ela resolve se vingar e lhe dar uma lição. Ela entra em seu quarto junto com duas criadas munida de uma vara, ele tenta fugir, mas as criadas o seguram, é jogado sobre a pele, e elas cavalgam sobre ele enquanto de calças arriadas a tia lhe dá uma surra, o chamam de menina. A tia ainda o obriga a agradecer de joelhos e a beijar seu pé. A partir deste dia uma pele nunca mais foi uma simples pele e uma vara uma simples vara. "Em um instante ela fez de mim este que sou agora."
Até os dias atuais ela retorna em seus sonhos, e Severin diz à Vanda que ela lhe ensinou a coisa mais preciosa do mundo, que nada é mais sensual que a dor, nem nada mais excitante que a degradação. Ela se tornou meu ideal diz ele. Desde então eu procuro sua réplica e quando encontrar essa mulher me casarei com ela.
Há muito de psicanálise nisto. Quando nos apaixonamos geralmente o fazemos por nós mesmos,ou seja, vemos no outro nosso ideal. Aqui no filme talvez Séverin diz meu ideal como o ideal de mulher para ele, ou seja, alguém que o faça sofrer. Mas ao nos apaixonarmos também vemos um traço, que geralmente é de nossos amores objetais primários, ou seja, normalmente a nossa mãe. Porém em casos de abusos na infância, de algo que marca muito forte, que causa um trauma, esta marca pode mudar e permanecer se não for analisada e desvendada, para poder ser superada. Há a introjeção do agressor ou a posição de objeto deste agressor. De cruel ele passa a ser o objeto da crueldade de outro, de um sádico. Por que sua tia bem o é, uma vez que não seria necessário isto para educar o garoto.
O filme pode ser visto também sob o viés da questão do poder. No amor como na política, só um pode ter o poder, diz Severin. Vênus só pode reinar em um mundo de escravos. No início Vanda parece frágil, está à mercê do poder do diretor da peça do teatro, mas aos poucos isto muda, e na medida em que ambos vão ensaiando a peça, eles encarnam seus personagens, trocam de lugar, e ao final temos Vanda no lugar do mais forte, do que subjuga o outro.
Mas se pensarmos no que aconteceu na infância de Severin, e o diretor Thomas não nega que há muito de sua vida e de si mesmo na peça, vamos ver alguém que tem o desejo da dor como prazer, e que irá em busca de alguém que seja o sádico. Porém Vanda questiona isto, não aceita o desejo de dominar pois compreende que ele ao lhe pedir que o domine a está submetendo ao desejo dele e com isto a domina. É aqui o ponto da liberdade de Vanda que não entra neste "jogo" nem de poder, nem do sadomasoquismo.
Temos uma cena num divã onde Vanda nos parece assumir o lugar de um psicanalista. Thomas está no divã e ela lhe fala de sua noiva e da relação dos dois. Fala sobre o desejo dele.
Um filme que fala do amor, do patológico, de desejos, de poder. Do querer ser um objeto para preencher um espaço vazio que se vê no outro.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
DOCUMENTÁRIO: UM ENCONTRO COM LACAN - 2011
Diretor: Gérard Miller - 2011
Duração: 60 min
Título Original: Rendez-vous chez Lacan
País: França
Assisti novamente na sequência "A reinvenção da psicanálise" já postado aqui no blog.










































