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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

FILME: VINCERE - 2009



Direção: Marco Bellocchio - 2009
Duração: 118 min
País de Origem: França - Itália

O filme relata a relação de Ida Dalser (Giovanna Mezzogiorno) com Benito Mussolini (Filippo Timi) quando este era um jovem militante socialista radical. Ida apaixona-se perdidamente por ele, absolutamente fascinada por este homem, ela se desfaz de tudo que possui para ajudá-lo a fundar o jornal Il Poppolo d'Italia, o início do Partido Fascista. Ela engravida e nasce um menino. 

Durante a 1ª Guerra Mundial, Benito se alista no exército e fica um tempo sem dar notícias. Ela irá reencontrá-lo num hospital onde também encontrará a nova esposa dele, Rachele (Michela Cescon). 

Trata-se de uma história real pouco conhecida. Ida morreu em 1937 num manicômio psiquiátrico, sozinha, devastada, após sua imensa luta para ser reconhecida como esposa  do Duce, antes do casamento com Rachele que permaneceu sua esposa oficial até o fim de sua vida, e ter seu filho reconhecido como primogênito. Ao longo do filme vemos flashes de mulheres internadas em hospícios e trechos de documentários sobre a época e a ascensão de Mussolini ao poder. 

Logo no início do filme, estamos em 1910 e Benito desafia os cristãos dizendo que irá provar a inexistência de Deus: " se Deus não me fulminar em 05 minutos será demonstrado que ele não existe." Ida está fascinada por este homem, como em breve estará o povo italiano, que será, como Ida, traído e subjugado. 

Ida após ter sido abandonada por Benito não consegue ultrapassar isto, irá destruir sua vida na tentativa de ser reconhecida. Era uma mulher independente, bonita, inteligente, com posses, dona de uma casa de moda feminina em Milão. Abre mão de sua vida por ele. As cenas de amor dos dois no começo do filme mostram seu olhar vidrado nele, e o dele distante, em outro lugar. Há uma falta de limites dela em relação à ele, lhe entrega tudo, corpo, alma, posses. Apesar de dar tudo como ela mesma diz com alegria, como se isto fosse uma felicidade para ela de poder ajudar, no fundo o que ela deseja é ser única para ele, é ser A mulher. 

Ela se fixará nisto por toda sua vida, neste lugar que deseja acima de tudo, sendo incapaz de aceitar o fato que ele a deixou e trocou por outra mulher. Abrirá mão de qualquer possibilidade de reinício de uma vida com seu filho (Filippo Timi), com isto levando a ambos para o trágico. Lembra Antígona, uma vez que também vai contra o Estado e sua lei. Sua obstinação em afirmar que era a esposa e que o filho foi reconhecido, o que nunca foi comprovado oficialmente. 

Ida não é louca, ela sabe onde está, quem é, mas se fixa na loucura deste amor, me lembrando Camille Claudel com Rodin, que também se fixa nele. Acaba sendo internada após gritar para todos ouvirem que já escreveu ao papa, ao primeiro-ministro, ao presidente do tribunal de Milão para que ele vá preso. Depois vai viver com sua irmã e seu cunhado tem a guarda de seu filho. O indício da erotomania, ela diz que só ela o compreende e que está convencida que ele também a ama. É um certeza delirante e que a impede de fazer algo diferente com sua vida. Acabara sendo subjugada pela polícia fascista, seu filho será afastado dela e entregue para outra pessoa criá-lo o que trará um grande sofrimento para ele. E ela dirá que ele está fazendo isto para testá-la, que quer ter certeza de que pode sacrificar tudo por ele, e que quando ele tiver esta certeza irá buscá-la e a apresentará à Itália como sua legítima esposa. 

Ela não pode dar uma outra vida a seu filho, uma nova família. Ele acabou internado em um manicômio e morreu aos 26 anos abandonado. 

Marco Bellocchio nasceu em 1939 em Bobbio, Itália.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

FILME: O HOMEM AO LADO - 2009



Direção: Gastón Duprat e Mariano Cohn - 2009
Duração: 110 min
Título Original: El Hombre de al lado
País: Argentina

Leonardo Kachanovsky (Rafael Spregelburg) e sua família moram em Buenos Aires, na única construção projetada pelo arquiteto Le Corbusier na América Latina, o que leva muitas pessoas a ir ver a casa e tirar fotos. Leonardo também é arquiteto, trabalha como designer e professor. Tudo vai muito bem até o momento em que seu vizinho Victor (Daniel Aráoz) resolve abrir um buraco na parede para obter um pouquinho de sol, conforme ele diz, e que Leonardo e sua esposa Ana (Eugenia Alonso) consideram com uma invasão de sua privacidade, pedindo que ele feche o buraco o que o vizinho não faz. 



Até aqui Leonardo está coberto de razão, afinal Victor nem sequer lhe comunicou isto, ou pediu autorização, e legalmente ele não pode fazer isto, o que então justifica a revolta de Leonardo e Ana, mas a questão não é tão objetiva assim, é muito mais profunda.



Comecemos pela casa, que tem sua visitação proibida mas que está sempre rodeada de pessoas que tiram fotos, o que de certa maneira envaidece os donos da casa, apesar de serem grosseiros com alguns turistas que lhe solicitam uma visita, o que não seria necessário. Então aqui temos um pequeno paradoxo, pois quem deseja privacidade e não ser visto não iria morar justamente numa casa que é objeto de culto, admiração e procurada pelos que desejam vê-la. Mas isto também não é suficiente para justificar que o vizinho possa ter o direito de fazer um buraco na parede. 

O que realmente vai se tornando visível é o preconceito e a intolerância. Leonardo na realidade não consegue se impor, nem ao vizinho e menos ainda à sua esposa Ana que é autoritária, intransigente e que quer apenas seus desejos atendidos. Então ao invés de ser direto e objetivo, ele conta histórias, como a de seu sogro ser dono da casa e não querer o buraco, liga para um advogado que ameaça o vizinho, até chegar a sugerir uma modificação que ficaria bom para todos, com uma janela menor o que Victor aceita e faz, mas Ana não. Por outro lado ele exerce poder e autoritarismo com seu alunos onde ele se sente superior e seguro, não se incomodando de considerar os trabalhos apresentados como primários e cheios de erros e é extremamente grosseiro com uma equipe de televisão durante uma entrevista deixando a mostra seu desprezo pelo o que ele considera massificado e não refinado, que não sabe se diferenciar, como ele e sua esposa. 

Ana é professora de Yoga, muito Zen, e isto é hilário, porque justamente é o que ela não é. A filha passa seu tempo ouvindo música através de fones de ouvido e dançando, sem nunca prestar atenção aos pais. Leonardo e sua família consideram o vizinho um sujeito bruto, sem educação, sem cultura e grosseiro, e isto é o que mais o incomoda. E são eles que acabam espionando o vizinho e fazendo comentários pejorativos. 

Victor é mais autêntico, diz o que pensa, enquanto Leonardo tenta manter uma máscara do que ele acredita ser civilidade e boa educação e com isto é falso e não diz o que realmente pensa e deseja, ele acredita que é um grande artista em sua profissão, e despreza uma pequena apresentação que Victor faz com elementos bem simples como bananas, presunto, e dois dedos vestidos com botinhas, sem perceber que nisto também há criatividade, assim como a escultura que Victor lhe oferece e que Ana manda jogar fora. A cena que mais demonstra isto é quando Victor oferece ao seu vizinha uma conserva de javali feita em casa. Leonardo se preocupa em se mostrar satisfeito em ganhar o presente, isto é de bom tom, mas quando tem que provar.... e se vê obrigado a isto, chega a ser cômico. 





Leonardo faz de tudo para tapar aquela janela que funciona como um Outro para ele e justamente por isto o incomoda e muito. 

O final do filme é impactante. Vale a pena assistir. 

A Casa Curutchet em La Plata, Buenos Aires, foi encomendada a Le Corbusier pelo médico argentino Pedro Domingo Curutchet. Em 1992 a casa tornou-se Sede do Colégio de Arquitetos de Buenos Aires e é considerada patrimônio nacional da Argentina. Em 2014 iniciou-se uma reforma e agora a ideia é criar um centro de documentação tanto do edifício como da obra de Le Corbusier, o arquiteto, urbanista, escultor e pintor de origem suíça e naturalizado francês em 1930. 


 Gastón Duprat nasceu em 1969 em Bahía Blanca, Argentina e Mariano Cohn nasceu em 1975 em Villa Ballester, Argentina 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

FILME: MARY E MAX - UMA AMIZADE DIFERENTE - 2009



Direção: Adam Elliot - 2009
Duração: 92 min
Título Original: Mary and Max

Animação. Narrado por Dame Edna Everage


Mary Dinkle é uma garotinha gordinha que vive na Austrália, seus pais estão separados e sua mãe é alcoólatra. Ela sofre por não ter amigos. Max Horovitz tem 44 anos e vive em Nova York, é judeu, obeso e também solitário, ele sofre da Síndrome de Asperger. Duas pessoas que nos parecem tão distantes e diferentes, mas será?

Tudo começa quando Mary sentindo um desejo de ter alguém que pudesse lhe responder suas inúmeras perguntas sobre o mundo que a cerca pega ao acaso um endereço numa lista de endereços, rasgando o papel ao ser puxada por sua mãe  e escreve para a pessoa, que é Max. 

Esta dado o pontapé inicial de uma singular amizade que durará alguns anos até a morte de Max. Não será sempre simples, ambos terão que aprender a lidar com as diferenças e principalmente serem capazes de manter um laço com o outro. Ambos tentam dar sentido ao seu mundo incompreensível e onde se sentem inadequados, fora do contexto. Haverá desencontros como em toda relação, haverá momentos tristes e de humor negro, mas estamos vivenciando uma amizade real, onde tudo isto acontece e só será mantida se os envolvidos puderem manter o laço.

Por outro lado vemos a possibilidade da amizade mesmo para aqueles que não seguem o comum, a massa, e são diferentes, sempre há um outro que também é assim e que está solitário em algum lugar no mundo, mas para se chegar a ele é preciso que alguém faça alguma coisa. 

As cartas trocadas entre ambos abrangerá uma série de assuntos como o alcoolismo, de onde vêm os bebês, a obesidade, a diferença sexual, as diferenças religiosas, o fato das pessoas não serem perfeitas, a depressão, o suicídio. 

Recomendo o filme. 

Adam Elliot nasceu em 1972 em Berwick, Austrália

domingo, 30 de novembro de 2014

FILME: CRIAÇÃO - 2009


Direção: Jon Amiel - 2009
Duração: 108 min
Título original: Creation

Cinebiografia sobre Charles Darwin - baseado na biografia de Darwin escrita por Randal Keynes - A caixa de Annie -  que era tataraneto de Darwin. 

O filme é parte biográfico e parte ficcional. Trata-se do período após seu retorno à Inglaterra quando se vê as voltas da escrita do seu livro "A origem das espécies". Nesta fase Darwin enfrenta crises de ansiedade e tem transtornos alimentares, além de carregar uma imensa culpa pela morte de sua filha Annie, a mais velha, e a que era mais próxima do pai, inclusive em ideias. 

Darwin (Paul Bettany) é casado com Ema (Jennifer Connelly) e vive numa casa rural na Inglaterra. O filme inicia quando ele já está sofrendo de transtornos alimentares e não consegue escrever seu livro, ao mesmo tempo que nos remete ao passado quando sua filha Annie ainda vivia. Darwin sempre vê o fantasma da filha com quem conversa. 

Ema é muito religiosa e um dos grandes conflitos de Darwin é justamente ter desmontado a criação conforme nos conta a Bíblia. Em sua viagem e pesquisas ele percebe que tudo evolui e sobrevive o mais forte, além de que caracteres que se tornam inúteis tendem a desaparecer na espécie. Ele vai perdendo a fé e deixa de acreditar em Deus, mas sabe bem a repercussão que seu livro pode ter, não apenas um escândalo, mas ele será um divisor, provocará uma ruptura, e que fazer quando as pessoas perceberam que estão sós no mundo sem um Deus que lhes dê um sentido e as proteja? 

Mas em minha opinião o que mais acomete Darwin é a morte de sua filha que ele acredita que sua esposa o culpa. Quando ele sofre um colapso após saber que outro cientista está chegando às mesmas conclusões que ele,  finalmente parte em busca de ajuda em uma cura pela água, no mesmo lugar onde sua filha foi levada por ele e onde faleceu. Darwin terá que enfrentar seus fantasmas. Ele nunca aceitou a morte dela, e o médico fazendo às vezes de um precursor de psicanalista o irá interrogar e confrontar com suas questões e lhe dirá que sem fé, e isto não depende de Deus, mas que sem fé a água nunca poderá curá-lo. Será nesta viagem que Darwin irá aceitar a morte de sua filha e ao retornar para casa ele finalmente falará sobre isto com Ema e se surpreenderá ao ouvi-la dizer que ela se culpou e não à ele. Finalmente o que os separava é removido, assim como em relação aos seus filhos que ansiavam pelo amor do pai como Annie tivera antes. 

Ele então escreverá o livro e dará a Ema para ler e lhe dirá que ela pode fazer o que achar o certo. No dia seguinte ele pensa que ela está queimando o livro, mas ao contrário, ela o havia preparado para ser levado pelo correio até a editora. Ela se tornou sua cúmplice neste livro que naquela época foi devastador, tanto que se diz até hoje que houve três grandes rupturas na forma de ver o mundo, quando Copérnico disse que a terra girava ao torno do sol e não era o centro de tudo, quando Darwin disse que descendemos dos macacos e quando Freud disse que não somos senhores em nossa própria casa, pois o inconsciente rege. 

Jon Amiel nasceu em 1948 em Londres - Inglaterra - Reino Unido

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

FILME: LOURDES - 2009


Direção: Jessica Hausner - 2009
Duração: 96min 

Lourdes é um santuário na França nos Pireneus onde a Nossa Senhora apareceu para Bernadete na gruta. As peregrinações ao local são constantes em busca de uma cura milagrosa e também de conforto espiritual.

Christine (Sylvie Testud) é jovem e  sofre de uma doença degenerativa e participa de viagens organizadas pelos obreiros da Cruz de Malta e voluntários. Desta vez ela vai para Lourdes. Não consegue se mover, utiliza uma cadeira de rodas e depende dos outros para tudo, comer, beber, se locomover, vestir. Ela não consegue nem mover as mãos. Nesta viagem ela reencontra um rapaz da Cruz de Malta (Bruno Todeschini) que conheceu em outra viagem, para Roma. Christine está sob os cuidados de uma voluntária, Maria (Léa Seydoux) que também se interessa pelo mesmo rapaz da Cruz de Malta.




Acompanhamos o olhar de Christine por Lourdes, ela fala muito pouco e não é devota, apenas participa de tudo. Ela gostaria de ter uma vida "normal" e olha para os que podem andar, comer sozinhos com uma certa inveja. Sempre que a olham ou falam com ela dá um pequeno sorriso. Ela também será ajudada por Madame Hartl (Gilette Barbier) que não está ali em busca de uma cura, mas para preencher o vazio de sua vida, a solidão e por isto deseja ser útil e passa a cuidar de Christine e a rezar por sua cura.

O grupo com o qual Christine viaja é liderado por Cécile (Elina Lowensohn) que é metódica e séria. Ela diz que ali não se cura o corpo, mas sim a alma.

Em um dado momento Christine conseguirá mover suas mãos e os braços até levantar-se e andar. Esta cura surtirá inveja dos que não foram curados e questões sobre porque ela e não um outro. Ela terá que ser avaliada por uma junta médica que lhe dirá que esta recuperação pode não ser permanente, que pode ocorrer em sua doença. Mas Christine está feliz, ela pode então acompanhar o grupo ao passeio externo do qual estava excluída por ser cadeirante, e passa a ter uma esperança com o jovem da Cruz de Malta, com o qual dançará na festa de despedida. Mas ali ela cairá, e apesar de se levantar e ficar parada um pouco, assim que o jovem se vai, ela se senta novamente na cadeira de rodas e se deixa levar por Madame  Hartl.

O filme nos mostra o que é Lourdes ou qualquer outro santuário onde as pessoas movidas pelo desespero, pela doença, pela solidão vão em busca de um milagre. Mas Deus escolhe os que cura, e seus desígnios são insondáveis. Por que justamente Christine que nem devota é? A esperança de todos ali é encontrar a felicidade, mas esquecem que ela é efêmera e vai e volta. Buscam algo que na verdade está dentro de cada um, a liberdade, mas a maioria fica presa a uma cadeira de rodas ou a uma muleta.

Vemos as pessoas no filme que falam em Deus, rezam, esperam, mas também estão invejando, comentando, falando do outro, criticando, competindo. Sentem raiva e ciúmes. Então temos o palco do ser humano diante dos olhos. Eles não crêem com a fé, eles perguntam o que devem fazer para obter um milagre, para ter sucesso. Então acreditam que aquele que mais rezou, mais pediu é que deveria ser beneficiado com o milagre, como a menina na cadeira de rodas cuja mãe vai todos os anos à Lourdes em busca da cura, e não compreendem que Christine que foi ali para poder sair de casa, viajar é quem recebe a cura. Por outro lado Christine sabe que esta cura pode não durar.

Pessoalmente ainda vou um pouco mais longe, saindo da questão religiosa e da fé, Christine que fala tão pouco durante o filme vai á confissão e diz ao padre que sente raiva, diz o que deseja, e a palavra também tem o poder da cura. Além disto há o desejo e o amor, ela gostaria de poder estar ao lado do rapaz, de ser "normal" acreditando que assim poderia conquistá-lo, como vê Maria fazendo. Esta por sua vez ao perceber o interesse dos dois se afasta de Christine, não lhe dando mais a atenção devida, na hora de se alimentar ou a deixando parada num local na cadeira e indo embora.

Christine traz a força de dentro de si mesma para se levantar, do divino que tem em si, ela não espera uma cura de fora, e talvez esta seja a diferença.

Jessica Hausner nasceu em 1962 em Viena - Áustria 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

FILME: A VIAGEM DE LUCIA -2009


Direção: Stefano Pasetto - 2009
Duração: 93 min
Título Original:  Il Richiamo 

Lea (Francesca Inaudi) trabalha numa fábrica e vive com seu namorado. É alegre, extrovertida, toda atrapalhada como ela mesma diz. Seu desejo é mudar sua vida e sair desta rotina. Lucia (Sandra Ceccarelli) é casada com um médico e trabalha como comissária de bordo. Ela tenta ter um filho, mas sofre de desmaios, e acaba sofrendo um aborto. Seu médico a aconselha a não usar medicação, mas mudar sua vida.

Lucia decide então voltar a dar aulas de piano e desta forma conhece Lea e se tornam amigas próximas se envolvendo amorosamente, até o dia que Lea decide ir para a Patagônia consertar o barco de seu pai para trazê-lo à Buenos Aires, justo no momento em que os médicos resolvem internar Lucia por ela estar com um câncer. Lucia ao ouvir isto segue Lea e vai viver uma nova vida.

Entre os encontros e desencontros das duas, aos poucos ambas terão que se confrontar com suas dificuldades e tomar decisões sobre suas vidas. O filme não se aprofunda nas questões delas e acaba tratando superficialmente a estes aspectos,assim como ao câncer de Lucia. Mas acaba deixando uma mensagem através dos animais marinhos quando Lea diz que os mais fortes muitas vezes sucumbem e os mais frágeis se recuperam. Isto nos faz pensar que muitas vezes o que chamamos de força no outro não passa de uma máscara e o frágil, tão desdenhado na sociedade atual onde temos que ser fortes, buscar o sucesso e sermos felizes está muito mais preparado para enfrentar as adversidades da vida sozinho.

Stefano Passetto nasceu em 1970 em Roma, Itália 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

FILME: GORDOS - 2009


Direção: Daniel Sánchez Arévalo - 2009
Duração: 110 min
Título Original: Gordos


O filme trata de 05 pessoas com suas histórias diferentes e que são gordas. A questão na terapia que fazem não é emagrecer, mas sim, por que são gordos? o que os leva a comer compulsivamente? e mais, caso se sintam bem estando gordos não há motivos para fazer terapia.

Um belo enfoque sobre a obesidade, pois aqui não se trata de peso, mas do corpo, o corpo que somos nós, se nos sentimos bem ou não neste corpo. E geralmente a questão da obesidade está ligada a questões pessoais, como carências, culpas, tédio, contradições que não conseguimos resolver e então colocamos no lugar comer compulsivamente. O reverso da anorexia, da bulimia onde também são questões psíquicas que levam a pessoa a estas doenças.

O filme me atraiu de imediato, pois eu mesma engordei muito durante uma depressão, mas pela primeira vez estou parando para pensar no que me leva a isto. Claro que para emagrecer é preciso reduzir a comida, fazer exercícios, mas não é esta a questão do filme, que aliás nos mostra um homem magro e que faz uma campanha publicitária sobre um remédio para emagrecer e que depois ele mesmo engorda novamente. Quantos não emagrecem e engordam novamente. Por que?

Sempre me pergunto se realmente seria uma constituição física que daria o prazer de poder comer a uns e a outros não, mas algo em mim dizia: Não! Mesmo famílias obesas há algum problema ali e que não é físico, e que se transmite por herança aos descendentes.

As cinco histórias nos mostram exatamente isto, por que eles comem compulsivamente? por que eles são gordos?

O terapeuta Abel (Roberto Enríquez) conduz as sessões, ele é magro, mas isto não o exime da questão, pois justamente é um terapeuta para gordos por ele próprio ter pavor da obesidade e foi sua forma de lidar com isto. Enrique (Antonio de la Torre) é o garoto propaganda que engorda novamente. Temos o casal Sofia (Leticia Herrero) e Alex (Raúl Arévalo) que fazem parte de uma comunidade religiosa e desejam se casar. Um casal gordo com dois filhos, sendo que ela é gorda e o filho é magro e se diverte atormentando a irmã por ser gorda. E uma mulher que engorda por ser a forma que ela encontra para terminar o seu namoro, mas não assume isto.

O filme vale a pena ser visto não só pelo enfoque da obesidade, mas também para outras questões que transferimos para o corpo.

O que você limita, mas adora?
O que adora, mas reprime?
O que reprime, mas te liberta?
O que te liberta, mas você condena?
O que condena, mas ama?
O que ama, mas rejeita?

Daniel Sánchez Arévalo nasceu em 1970 em Madrid, Espanha

domingo, 27 de julho de 2014

FILME: JULIE & JULIA - 2009


Direção: Nora Ephron - 2009 
Duração: 123 min


Baseado no livro Julie & Julia de Julie Powetl e no livro Minha vida na França de Julia Child com Alex Prud'homme. 

Baseado em fatos reais

Julia Child (Meryl Streep)  foi morar na França em 1949 com seu marido Paul (Stanley Tucci), um diplomata. Ela não sabia bem como preencher seu tempo e então resolveu se matricular na famosa escola Cordon Bleu da culinária francesa. Para isto teve que enfrentar o preconceito sobre mulheres ali, e principalmente uma americana, que segundo a dona da escola não tinha nenhum jeito para cozinha. Mas Julia conseguiu. Sua vida então passou a ser dedicada à cozinha e escreveu um livro em inglês para as americanas saberem cozinhar como na França.

Julie Powetl (Amy Adams) é uma jovem nova-iorquina que acaba de se mudar para cima de uma pizzaria e que trabalha num local de atendimento para reclamações, suporte emocional para problemas, e informações, um trabalho que não a satisfaz. Pensa então no que poderia fazer para tornar sua vida mais plena e seguindo a ideia de seu marido para fazer um blog opta por cozinhar e se propõe a dentro de um ano cozinhar 534 receitas do livro de Child.

O filme entrelaça a vida das duas em tempos com diferença de 50 anos.

Inicialmente achei Meryl Streep um tanto forçada, com seus olhares e poses, mas o fato é que Julia Child era uma mulher de 1,90 e tinha um jeito de falar como se estivesse dublando um personagem, o que aparece no filme quando Julie assiste os programas de Julie. Então percebi que Meryl conseguiu incorporar seu personagem.

Duas vidas distantes, duas mulheres casadas com bons maridos, mas ambas sem saber o que fazer de sua vida. A cozinha surge para preencher este espaço e dar um sentido, além do prazer que isto proporciona. A persistência e os desafios que ambas enfrentaram, cada uma a seu tempo, mostra que vale a pena insistir em seu desejo e num sonho. De qualquer maneira, como diria o marido de Julie, todos irão sobreviver caso não desse certo, mas o melhor de tudo foi que deu certo.


Assista a Julia Child apresentando na TV:




JULIA CHILD 

JULIE POWETL 

Nora Ephron nasceu em 1941 em New York,EUA e faleceu em 2012 na mesma cidade.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

FILME: A VIDA DURANTE A GUERRA - 2009


Diretor: Todd Solondz - 2009
Duração: 94 min
Título original: Life during Wartime.

Minha primeira experiência com o cinema de Todd Solondz, e não sabia que havia o filme Felicidade ao qual este dá continuidade, mas é possível assistir A vida durante a guerra separadamente.

A família "normal" com tudo que ela tem de anormal, de problemas, passado, dificuldades, traumas, mas que apesar de tudo tenta viver e viver bem e ser feliz. Três irmãs, Joy, Trish e Helen, cada uma com seus problemas.

Joy (Shirley Henderson) me parece desejar salvar o mundo, há um momento em que ela diz que nem todos os terroristas e estupradores são maus, mas os dois homens com quem se relacionou se suicidam. Trish (Allison Janney) tenta reconstruir sua vida com outro homem anos depois de Bill (Ciarán Hinds), seu marido e pai de seus três filhos ter sido preso por pedofilia e Helen (Ally Sheedy)que se afastou de todos e se sente pressionada pela família e por sua carreira e sucesso.

E a grande questão: perdoar ou esquecer? perdoar para poder esquecer? ou esquecer e não perdoar?

Bill ao sair da cadeia procura seu filho mais velho, quer ter certeza de que ele não será como ele. Seu filho do meio vive a angústia de descobrir que seu pai não morreu e que é pedófilo. Trish havia dito que ele havia morrido e Bill acha que é o melhor. Tem um encontro breve com uma mulher (Charlotte Rampling) com quem consegue um pouco de dinheiro para ir até onde está o filho e depois desaparece.

Vários temas num mesmo filme que poderiam ser mais explorados, mas mesmo assim é um retrato deste mundo meio caótico, sem muito sentido onde todos tentam de alguma forma levar uma vida normal, mesmo diante de questões que não são nada normais.

A questão da pedofilia não é explorada a fundo, mas não deixa de transparecer as consequências, neste caso na família do pedófilo. O filho mais velho que lida com isto estudando antropologia e a questão da homossexualidade em animais, o filho do meio que quando se defronta com a verdade tem que obter respostas e que no fundo só desejava um pai. O medo da mãe que faz com que o filho tenha que gritar a qualquer toque de outro homem, o que causa um constrangimento e mal entendido com seu namorado, que só abraça o menino carinhosamente. O pai que tem medo que seu filho siga pelo mesmo caminho. Por que no fundo a pedofilia, apesar de ser um crime também precisa ser tratada, e o pai pagou pelo seu crime dentro da lei, mas assim mesmo as consequências ficam.


Todd Solondz nasceu em 1959 em Newark, New Jersey, EUA. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

FILME: UMA CARTA AO PAI - 2009


Direção: Johnny Remo - 2009 
Duração: 90 min
Título original: A letter to dad

Baseado em fatos reais

Dan (Thom Mathews) está prestes a se casar e percebe que há algo não resolvido em relação a si mesmo que interfere na sua relação e casamento e que precisa se libertar do passado para poder continuar sua vida e ser feliz. Resolve então escrever uma carta ao seu pai Mike (John Ashton)  falando sobre tudo que sente, do abandono na infância e de suas dores em relação à isto.

Um filme que nos mostra que não se livra do passado tão facilmente, que ele permanece ali atuando de alguma forma e que é preciso enfrentar isto para se libertar.


Johnny Remo 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

FILME: DIVÃ - 2009


Direção: José Alvarenga Jr. - 2009
Duração: 93 min

Baseado no livro homônimo de Martha Medeiros

Mercedes (Lilia Cabral) está com 42 anos, é casa com Gustavo (José Mayer) e tem dois filhos. Tudo parece estar bem, mas ela resolve procurar um psicanalista, Dr. Lopes,  e fazer uma análise pois acha que sua vida está completa demais, perfeita demais.

Nada melhor do que uma análise para desmontar isto, e é o que ocorre. Aos poucos ela vai começar a questionar tudo e ver sua vida ir mudando. Ela vai descobrir muito sobre si mesma, seus desejos, irá fazer loucuras, e também chorar. Viverá experiências novas, questionará a rotina de sua vida, a monotonia que é seu casamento.

Mercedes vai descobrir que pode resolver suas questões sozinha, fazer suas escolhas, vai compreender os motivos destas escolhas, de suas frustrações, mas também vai saber viver o prazer e ter satisfações. Irá se libertar e aprender a conhecer seu inconsciente e a si mesma.


José Alvarenga Jr. nasceu em 1960 no Rio de Janeiro

sexta-feira, 23 de maio de 2014

FILME: A FITA BRANCA - 2009


Direção; Michael Haneke - 2009 
Duração: 144 min. 
Título original: Das Weisse Band 
Roteiro: Michael Haneke
País: Alemanha - França 

Venceu o Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2009 e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. 

1913 - uma aldeia no norte da Alemanha um pouco antes da Primeira Guerra Mundial. O filme é em preto e branco. Começam a ocorrer estranhos eventos no local, acidentes que não são explicados e nem se descobre o autor ou autores. O primeiro que sofre uma acidente é o doutor (Rainer Bock) que cai de seu cavalo devido um fio de arame estendido por onde ele passava. Depois temos a horta do barão (Ulrich Tukur) que é destruída durante a comemoração da colheita. Uma mulher morre ao cair num buraco numa sessaria do barão. A próxima vítima é o filho do Barão que é torturado. Um incêndio num celeiro e novamente uma criança com problemas mentais é torturada. Em todos estes episódios temos sempre um grupo de crianças por perto que parecem se preocupar e querer ajudar.

O professor (Christian Friedel) forma um coral com estas crianças. O pastor (Burghart KlaBner) as prepara para a crisma.



Aos poucos vamos tendo a noção de como estas crianças são educadas, e de como se comportam estes pais e mestres. A rigidez, a moral, a disciplina, a frieza. Vemos pouca alegria nas crianças, elas não brincam alegremente, não sorriem, não podem gritar, cantar, correr. Duas cenas são tocantes. A primeira é quando um pequeno menino filho do doutor pergunta à sua irmã sobre a morte e finalmente compreende que sua mãe não foi viajar, mas morreu. A segunda é quando o filho do pastor lhe pede para cuidar de um pequeno pássaro machucado e tem que enfrentar um interrogatório seco sobre a responsabilidade deste ato até que consegue permissão para isto, e depois, como o passarinho de seu pai foi morto pela sua irmã como vingança, ele o oferece ao pai. Há tanta singeleza em seu ato, seu olhar, e o pai apenas o agradece, sem nenhuma demonstração de afeto ou amor.



A sexualidade reprimida. O garoto, filho do pastor que se masturba e tem as mãos atadas a noite para poder controlar seu corpo e não acabar morto como outro pobre garoto que fez isto. As traições e escapadas sexuais dos adultos, o desprezo, a crueldade do doutor ao dizer à parteira que não a quer mais como parceira sexual, dizendo-lhe que ela o enoja. O mesmo doutor que obriga sua filha Ana a relações incestuosas com ele. Enquanto que o professor tem que esperar um ano para poder se casar com Eva, e a timidez dela com ele, até para pegar em sua mão.

O menino deficiente filho da parteira que é desprezado pelas outras crianças, mas porque então quando ele sofre a tortura elas se preocupam com ele? As surras, castigos, os preconceitos, as diferenças sociais. Mas, por baixo de tudo isto os adultos contradizem tudo agindo de outra forma.

A fita branca que é utilizada pelo pastor para lembrar aos seus filhos de não pecar, almejando a pureza. As surras que são consideras uma purificação. O efeito é o oposto, aos poucos as crianças que não podem ser crianças, inocentes, alegres, brincalhonas, que não recebem respostas para suas perguntas, vão se moldando ao que vêem, e se tornam frias e cruéis. Em uma cena o pequeno filho do barão tem uma flauta, o outro tenta fazer uma com um galho de árvore, não consegue, então ele pega a do menino que não quer lhe dar, acaba por empurrá-lo na água do rio, ele não volta à tona, ele não se mexe para ajudar, é preciso que o outro pule na água para pegar o menino. Isto não é nada parecido com brigas comuns entre crianças que desejam o que o outro tem, há maldade, há indiferença, há crueldade. Brigar, empurrar ainda é comum, mas deixar a criança se afogar olhando sem se mover, é outra história.

As crianças julgam seus pais e mestres que os castigam, obrigam a uma obediência e disciplina sádica, perversa, mas se comportam de maneira totalmente diferente. A cena onde o pequeno abre a porta e vê seu pai e sua irmã, o olhar dele....

De um lado a obediência, a honra, a moral, do outro a agressão e repressão. O pai diz que dói mais nele bater nos filhos do que doerá neles. Mas em momento algum este pai demonstra amor, afeto, carinho.



As bases que se criam numa sociedade para que se possa vir um totalitarismo, uma ideologia que leva a atos cruéis, como ocorreu com o fascismo, o nazismo, ou até mesmo as religiões extremistas e fanáticas.


Assista ao trailer:


Michael Haneke 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

FILME: UM HOMEM SÉRIO - 2009



Direção: Joel Coen e Ethan Coen - 2009
Duração: 105 min
Título Original: A serious man 
Roteiro: Joel Coen e Ethan Coen
País: Estados Unidos 

Excelente filme. Larry (Michael Stuhlberg) é um professor de física na Universidade e leva uma vida metódica até que sua esposa, Judith (Sari Lennick)  resolve trocá-lo por Sy Ableman (Fred Melamed). Paralelamente ele sofre ameaças na Universidade por causa de notas de um aluno, seu irmão mora em sua casa e dorme no sofá, seu filho é problemático e rebelde e sua filha surrupia dinheiro em sua carteira para fazer uma cirurgia plástica. Sem saber o que fazer ele procura a ajuda de três rabinos. Parece Jó com tudo lhe caindo na cabeça, desmoronando, vai perdendo tudo e não faz nada.



Não sei se fico com raiva dele ou das pessoas que estão em sua volta. Ele não reage, fazem o que querem com ele. Por achar que não consegue ou não pode, ele não age e fica sem saber o que fazer. Os outros parecem tão seguros de si, parecem que sabem tudo e estão certos, mas são egocêntricos, devoradores, aproveitadores, e claro, temos a tampa e a caçarola. Por que os outros só agem assim porque ele o permite, não reage, deseja ser amado, ser correto, e acaba permitindo que os outros façam dele o que querem e assim alimentem também suas neuroses.

Estão sempre a lhe dizer: não aja como criança, seja adulto. Mas quem será que é infantil no filme? serão tão adultos assim? E lhe dizem: desta vez você foi adulto. E ele acaba repetindo o que os outros lhe falam.

Um filme que recomendo, pois quantas vezes nos vemos enrodilhados em tramas assim? Desejando ser aceitos e amados acabamos fazendo o que não desejamos, ou não fazendo nada, se deixando levar e ainda se sentindo péssimo. E vem a pergunta: o que fiz para merecer isto? ou será que é: o que será que não fiz para merecer isto?

Os irmãos Coen. Ethan nasceu em 1957 e Joel em 1954.

Trilha sonora de Carter Burwell

Carter Burwell nasceu em 1954 em New York, EUA. É um compositor. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

FILME: A JOVEM RAINHA VITÓRIA - 2009


Direção: Jean-Marc Vallée - 2009
Duração: 105 min 
Título original: The young Victoria 
País: Reino Unido 

Ganhou o Oscar de melhor figurino. 

Sobre o início do reinado da Rainha Vitória, quando casou-se com seu grande amor Albert. Ele morreu  jovem com 42 anos de tifo. Vitória se fechou e manteve o luto até morrer aos 81 anos.



Vitória (Emily Blunt) é jovem, sua mãe (Miranda Richardson) é dominadora e tem um companheiro John Conroy (Mark Strong) que teme que ela ao atingir a maioridade o afaste do poder, mas Vitória se recusa a entregar a regência à sua mãe quando seu tio Willian IV está morrendo.



Muitos interesses estão em jogo e há vários pretendentes à sua mão, e um deles é Albert (Rupert Friend), príncipe da Bélgica, que vai até a Inglaterra a pedido de seu tio. Também é cortejada pelo primeiro ministro Lorde Melbourne (Paul Bettany), mas acabara se casando com seu grande amor Albert e formarão um belo casal apaixonado. Porém Vitória foi criada para obedecer, e quando é coroada assumirá o trono e também a autonomia, mas por não ter preparo para isto cometerá alguns erros que a farão ser mal vista. Seu marido é mais sábio do que ela, mas ela relutará em escutá-lo por temer que esteja agindo em prol de seu tio, o que não ocorre, pois ele por amor a ela não se tornou o elo entre seu tio e a Inglaterra.



As intrigas, os medos, o poder, mas sobretudo o amor que une Vitória e Albert, que é lendário devido ao luto que ela assumiu e nunca deixou.


Jean-Marc Vallée nasceu em 1963 em Montreal, Canadá.

Trilha Sonora - IIan Eshkeri 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

FILME: A TETA ASSUSTADA - 2009


Direção: Claudia Llosa - 2009
Duração: 95 min
Título original: La teta asustada 
Roteiro: Claudia Llosa
País: Peru 

Venceu o Urso de Ouro em Berlin em 2009 e o Festival de Cinema de Havana

No Peru existe uma lenda que diz que as mulheres que foram estupradas transferem para suas filhas através do leite materno a doença do medo "a teta assustada" que rouba a alma. Estes estupros ocorreram durante a guerra do terrorismo no país.
Fausta ( Magaly Solier) é filha de uma destas mulheres  e quando sua mãe falece ela terá que enfrentar esta situação e também um segredo que guarda, uma batata em sua vagina para protegê-la dos estupros e assim evitar a repetição do destino trágico de sua mãe. A batata, uma planta que não dá flores.

Um lenda que lida com a herança psíquica de filhas de mães violentadas. O medo de sair à rua, o medo do outro. Fausta após a morte de sua mãe vai viver com os tios no subúrbio de Lima. Ela deseja dar um enterro à sua mãe, mas para isto precisa de dinheiro e seu tio não pode ajudá-la, ele está casando sua filha e todas suas economias são para isto. Fausta terá que trabalhar para conseguir o dinheiro, mas para isto ela terá que sair de casa.

O filme se inicia com a mãe em seu leito de morte cantando, e ela canta a dor e o horror do que sofreu, ver o marido ser assassinado e ser estuprada estando grávida de Fausta. O olhar de sua mãe reflete isto, e é neste olhar que Fausta se constitui, um olhar de medo, pavor e dor.



Mas quando sai para a rua para ir trabalhar ela terá que enfrentar isto de alguma maneira. Seus primos sempre iam buscá-la ao final do dia para que não retornasse sozinha, porém um dia eles não podem ir e o jardineiro da casa onde trabalha se oferece para acompanhá-la. Ela desconfia de todos que não são parentes, mas acaba aceitando e aos poucos vai criando confiança neste outro.

Ela usará as canções como uma proteção a cada vez que se vê em uma situação que cria ansiedade e medo, ou seja, a cada vez que se vê frente a uma pessoa que não conhece, seu nariz sangra, ela tem sangramentos vaginais. Sua patroa, Aída (Susi Sánchez)  uma musicista se interessa por suas canções, ela está numa fase de pouca criatividade, e para fazer com que Fausta cante ela lhe oferece pérolas em troca.


Um dia no carro sua patroa a expulsa deste, e ela se vê sozinha na rua e sem ter recebido suas pérolas, é a primeira vez que caminha sozinha na rua. Ela retorna à casa de sua patroa para buscar as pérolas, que precisa para o enterro de sua mãe, e na volta para a casa de seu tio ela desmaia na rua e é socorrida pelo jardineiro.

Finalmente ela pede que lhe retirem a batata. Irá levar sua mãe para ser enterrada, mas no caminho para para lhe mostrar o mar, a imensidão de possibilidade que uma vida pode oferecer.

Ela está curada, livre do medo e pode finalmente receber do jardineiro um pequeno vaso com uma batata plantada e que tem uma pequena flor.


Ouça a canção de sua mãe no leito de morte



Claudia Llosa nasceu em 1976 em Lima, Peru. É sobrinha do escritor Mário Vargas Llosa.

Musica de Selma Mutal - La Sirena 

Selma Mutal nasceu em 1968 em Lima, Peru. É uma pianista