MINHA
UCRÂNIA: A JORNADA DE UMA MULHER EM BUSCA DA HISTÓRIA DE SUA FAMÍLIA E SEU
PAÍS.
VICTORIA BELIM
Record –
1ª ed. 2023
Para compreender melhor a
história da Ucrânia comecei por este livro de Victoria Belim, uma ucraniana que
vive atualmente na Bélgica e que retorna ao seu país natal, antes da guerra,
para visitar a avó. A partir de suas memórias familiares, vamos conhecendo a
história da Ucrânia, suas tradições e seus costumes.
A
autora reconstrói a trajetória de seus bisavós, Asya e Sergy, que atravessaram
a Revolução Bolchevique, a Guerra Civil, o Terror Vermelho, a coletivização
forçada, o Holodomor, os Grandes Expurgos dos anos 1930, a Segunda Guerra
Mundial, a fome de 1946, a decadência dos anos 1970 e, por fim, o colapso da
União Soviética na virada dos anos 1980 para os 1990. Victoria Belim viveu sua
infância e adolescência ainda sob o regime soviético.
Ela
se hospeda na casa da avó materna, Valentina, filha de Asya e Sergy. A partir
do diário do bisavô, descobre a existência de um irmão sobre o qual ninguém
jamais falava — e decide investigar o que lhe aconteceu.
Há
também a figura do tio paterno da autora e o embate político entre ele e a
sobrinha: ele pró-Rússia, ela pró-Ocidente, pró-Europa. A Ucrânia aparece como
um país profundamente dividido. O oeste, historicamente ligado ao Império
Austro-Húngaro dos Habsburgos, é majoritariamente pró-Ocidente; o Leste, que
fez parte da Rússia, é pró-Rússia; e há ainda a região de Kiev, a capital. São
histórias distintas convivendo em um mesmo território.
No
país, falam-se duas línguas, o russo e o ucraniano — ao menos até a recente
proibição do uso do russo. Quase todas as famílias têm russos e ucranianos em
sua composição. Alguns comemoram o Natal em janeiro, segundo o calendário
juliano; outros seguem o Natal ocidental, de acordo com o calendário
gregoriano. Trata-se de um país multiétnico.
A
autora também fala dos bordados ucranianos feitos pelas mulheres — belíssimos —
e das pinturas florais nas casas, que funcionam como marcas de identidade,
memória e resistência cultural.
É
um livro de leitura fluida que, ao narrar a história da família da autora,
apresenta como pano de fundo a história da Ucrânia. Para quem, como eu, sabia
muito pouco sobre o país, a leitura é altamente recomendável.
Victoria Belim nasceu em 1978 na Ucrânia. É uma memorialista.


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