NA SOMBRA
DO HOLOCAUSTO: GENOCÍDIO EM GAZA
LAYAN KHAYED; NOURA ERAKAT ET ALL
Contrabando Editorial – 2025
Este livro reúne textos de
diversos autores e autoras. Um de seus capítulos centrais trata da violação sistemática dos direitos humanos na
Palestina após 7 de outubro de 2023, descrevendo o tratamento dado aos
palestinos nas prisões israelenses, incluindo violência contra crianças,
violência de gênero, abusos sexuais e assédio.
Outro
capítulo apresenta uma entrevista com Layan Khayed, ativista e dirigente
estudantil da Universidade de Birzeit, na Cisjordânia. Há também um texto
dedicado ao caso do brasileiro-palestino Islam Hamad, preso por Israel.
A
segunda parte do livro é composta por ensaios sobre a questão
palestino-israelense. Um deles me chamou particularmente a atenção por formular
uma pergunta incômoda e pouco debatida: por
que a classe trabalhadora israelense não é uma aliada?
Nos
últimos tempos — e especialmente agora, com Trump novamente no governo dos
Estados Unidos e suas posições explícitas, mas também em função da guerra na
Ucrânia — passei a buscar com mais atenção o chamado “outro lado”. Ou seja,
sair do meu mundo fechado, ocidental. Tenho percebido muitas coisas que antes
não via ou não compreendia, e esse deslocamento tem sido, ao mesmo tempo,
difícil e profundamente formador.
Infelizmente,
quando não se lê em inglês, nós aqui ficamos muito defasados em termos de
informação. Soma-se a isso o alto custo dos livros importados, o que nos limita
ainda mais. Aos poucos, no entanto, surgem traduções, edições em eBook mais
acessíveis e também o recurso aos jornais internacionais, ainda que muitas
vezes mediado por traduções automáticas.
Considero
fundamental escutar sempre mais de uma narrativa. Do contrário, ficamos à mercê
de um discurso único. Isso não significa ausência de espírito crítico — pelo
contrário. É preciso exercê-lo em relação a todos os lados. Ainda assim,
confesso que muito do que eu pensava ou acreditava tem mudado. Posso não
concordar ou não gostar — afinal, minha formação é ocidental —, mas posso
tentar compreender melhor. Ultrapassar preconceitos, ideias pré-concebidas e
ideologias que estruturam o nosso Ocidente.
Muito
do que palestinos vêm escrevendo há décadas começa agora a se tornar visível
para nós. Um exemplo é o capítulo que trata da chamada “Solução Sinai”. Ora, é exatamente isso que ouvimos
recentemente de Trump, com sua ideia de uma “riviera palestina” e a expulsão
dos palestinos para o Egito e a Jordânia.

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