quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Violência, prisão e apagamento do povo palestino

 


NA SOMBRA DO HOLOCAUSTO: GENOCÍDIO EM GAZA

LAYAN KHAYED; NOURA ERAKAT ET ALL

Contrabando Editorial – 2025

Este livro reúne textos de diversos autores e autoras. Um de seus capítulos centrais trata da violação sistemática dos direitos humanos na Palestina após 7 de outubro de 2023, descrevendo o tratamento dado aos palestinos nas prisões israelenses, incluindo violência contra crianças, violência de gênero, abusos sexuais e assédio.

Outro capítulo apresenta uma entrevista com Layan Khayed, ativista e dirigente estudantil da Universidade de Birzeit, na Cisjordânia. Há também um texto dedicado ao caso do brasileiro-palestino Islam Hamad, preso por Israel.

A segunda parte do livro é composta por ensaios sobre a questão palestino-israelense. Um deles me chamou particularmente a atenção por formular uma pergunta incômoda e pouco debatida: por que a classe trabalhadora israelense não é uma aliada?

Nos últimos tempos — e especialmente agora, com Trump novamente no governo dos Estados Unidos e suas posições explícitas, mas também em função da guerra na Ucrânia — passei a buscar com mais atenção o chamado “outro lado”. Ou seja, sair do meu mundo fechado, ocidental. Tenho percebido muitas coisas que antes não via ou não compreendia, e esse deslocamento tem sido, ao mesmo tempo, difícil e profundamente formador.

Infelizmente, quando não se lê em inglês, nós aqui ficamos muito defasados em termos de informação. Soma-se a isso o alto custo dos livros importados, o que nos limita ainda mais. Aos poucos, no entanto, surgem traduções, edições em eBook mais acessíveis e também o recurso aos jornais internacionais, ainda que muitas vezes mediado por traduções automáticas.

Considero fundamental escutar sempre mais de uma narrativa. Do contrário, ficamos à mercê de um discurso único. Isso não significa ausência de espírito crítico — pelo contrário. É preciso exercê-lo em relação a todos os lados. Ainda assim, confesso que muito do que eu pensava ou acreditava tem mudado. Posso não concordar ou não gostar — afinal, minha formação é ocidental —, mas posso tentar compreender melhor. Ultrapassar preconceitos, ideias pré-concebidas e ideologias que estruturam o nosso Ocidente.

Muito do que palestinos vêm escrevendo há décadas começa agora a se tornar visível para nós. Um exemplo é o capítulo que trata da chamada “Solução Sinai”. Ora, é exatamente isso que ouvimos recentemente de Trump, com sua ideia de uma “riviera palestina” e a expulsão dos palestinos para o Egito e a Jordânia.


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