PEDRO PÁRAMO
JUAN RULFO
José Olympio, 7ª ed. 2020
Juan Rulfo é um escritor
mexicano, e sua obra-prima é Pedro Páramo. Confesso que,
no começo, quase desisti: o livro é tétrico, funesto. Mas, aos poucos, fui
percebendo o quanto essa obra é magistral.
Sim, Rulfo retrata um México de
pobreza, miséria e revoluções, onde um único personagem concentra todo o poder:
o nosso “coronel” no México, o latifundiário cruel, aquele que faz as leis e
determina tudo de acordo com seus próprios desejos. E, para isso, manda matar
se for preciso, como se fosse a coisa mais banal do mundo.
Recentemente postei aqui um
livro da Sigrid Nunez, que fala de uma paciente terminal e da vida diante da
morte. Em Pedro Páramo, temos o
inverso: é a morte falando da vida. São os mortos que narram a história de
Comala e de Pedro Páramo.
Juan Preciado, após a morte da
mãe, atende a seu último desejo: ir até a aldeia onde ela nasceu — descrita por
ela como um lugar muito bonito — e exigir de seu pai, Pedro Páramo, tudo o que
lhe é devido, mas sem lhe pedir nada. Ao chegar, encontra um lugar ermo, seco,
abandonado. Não há uma única árvore. Tudo é extremamente desolador.
Aos poucos, começam a aparecer
pessoas. Mas essas pessoas estão mortas — e são elas que vão contando o que
aconteceu ali. Preciado acaba se juntando a elas. Em Comala, já não há mais
lugar para a vida. Pedro Páramo decretou isso após a morte de sua amada, cujo
luto a aldeia desrespeitou. Em vingança, decidiu deixar todos morrerem de fome.
É realismo fantástico, sim — e é
genial. A maneira como Rulfo conta essa história não segue um tempo linear, mas
se constrói como uma reunião de lembranças, fragmentos, vozes. Penso que,
assim, sentimos muito mais o que foi aquele México e aquele tempo.
Juan Rulfo nasceu em Apulco, Tuxcacuesco, Jalisco, México, em 1917 e faleceu na Cidade do México em 1986. Foi escritor.


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