quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Os grandes debates — e as grandes ausências

 


A SAGA DOS INTELECTUAIS FRANCESES VOL I 1944 – 1989

A prova da história – (1944 – 1968)

François Dosse

Estação Liberdade – 1ª ed. 2021. 

Este é o primeiro volume de A Saga dos Intelectuais Franceses e cobre o período logo após o fim da Segunda Guerra até 1968. O historiador François Dosse nos conduz pela filosofia, pela antropologia e pela literatura, mas principalmente pelas revistas e jornais onde se davam os grandes debates intelectuais na França.

Logo após o fim da guerra, temos o grande momento de Jean-Paul Sartre e do existencialismo, uma filosofia que devolve certa esperança após a total desolação. Em 1949, Simone de Beauvoir lança O Segundo Sexo. É também o momento em que a grande maioria dos intelectuais se volta para o comunismo e louva Stálin, até que a invasão da Hungria, em 1956, provoca um colapso dessas ilusões.

A antropologia e o estruturalismo passam então a ocupar o lugar do existencialismo — correntes incompatíveis entre si. É o momento de Lévi-Strauss e Lacan. Surge a semiologia com Roland Barthes. Na sequência, entram em cena a Guerra da Argélia, o Vietnã, o maoísmo, até chegarmos ao nouveau roman, ao cinema da nouvelle vague e ao início das revoltas estudantis.

O livro tem mais de 600 páginas, portanto não é possível fazer um resumo aqui. No entanto, é preciso fazer uma crítica: o livro fala muito pouco sobre as mulheres, o que revela a posição do autor ao relegar a maior parte das intelectuais ao esquecimento. Onde estão Simone Weil, Violette Leduc, Colette, Françoise Dolto? Apenas para citar algumas.



François Dosse nasceu em Paris em 1950. É um historiador e sociólogo francês, especialista em História dos Intelectuais. 

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