VIVER PARA CONTAR
GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ
Record - 15ª ed. 2003
Após assistir à série Cem
Anos de Solidão, fui até a minha biblioteca e peguei para ler a
autobiografia de Gabriel García Márquez, Viver para Contar.
Foram 474 páginas de um mergulho
na vida dele e na história da Colômbia. A cada episódio de sua trajetória,
encontrei traços claros de seus livros, especialmente de Cem
Anos de Solidão: personagens baseados em pessoas reais, familiares,
situações vividas.
Ele reconstrói sua história a
partir da memória, mas também com uma boa dose de imaginação. Recorda a
infância, a adolescência e os primeiros anos no jornalismo. Li recentemente, em
outro livro que ainda não postei, que muitas vezes a imaginação acaba se
transformando em memória. A memória é um romance: é a forma como lembramos, e
nem sempre corresponde exatamente aos fatos. A psicanálise que o diga.
Há também, de forma muito
presente, a história da Colômbia: suas divisões internas, tanto geográficas
quanto políticas; as lutas, principalmente entre liberais e conservadores; a
censura, os militares, as revoltas e os assassinatos de políticos.
Gabo, na juventude, era muito
pobre. Vivia um dia de cada vez, frequentava bares e bordéis, e teve muitos
amigos — sempre fiéis. Mas nunca abandonou completamente a família e sempre a
respeitou, mesmo vivendo apenas alguns períodos com os pais. Foi criado pelos
avós maternos, que marcaram profundamente sua vida. Após a morte do avô, vai
morar com os pais, mas logo parte para estudar. Primeiro em uma escola
católica, depois em um colégio e, por fim, chega à universidade de Direito,
curso que não irá concluir.
Sempre foi uma pessoa muito
tímida, cheia de receios e medos — e ainda assim se tornou o autor de uma obra
magistral: Cem Anos de Solidão.
Gabriel García Márquez nasceu em Aracataca, Colômbia, em 1927 e faleceu na Cidade do México em 2014. Foi escritor, jornalista, ativista editor e político.


Nenhum comentário:
Postar um comentário