quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Quando a memória vira romance

 


VIVER PARA CONTAR 

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ 

Record - 15ª ed. 2003

Após assistir à série Cem Anos de Solidão, fui até a minha biblioteca e peguei para ler a autobiografia de Gabriel García Márquez, Viver para Contar.

Foram 474 páginas de um mergulho na vida dele e na história da Colômbia. A cada episódio de sua trajetória, encontrei traços claros de seus livros, especialmente de Cem Anos de Solidão: personagens baseados em pessoas reais, familiares, situações vividas.

Ele reconstrói sua história a partir da memória, mas também com uma boa dose de imaginação. Recorda a infância, a adolescência e os primeiros anos no jornalismo. Li recentemente, em outro livro que ainda não postei, que muitas vezes a imaginação acaba se transformando em memória. A memória é um romance: é a forma como lembramos, e nem sempre corresponde exatamente aos fatos. A psicanálise que o diga.

Há também, de forma muito presente, a história da Colômbia: suas divisões internas, tanto geográficas quanto políticas; as lutas, principalmente entre liberais e conservadores; a censura, os militares, as revoltas e os assassinatos de políticos.

Gabo, na juventude, era muito pobre. Vivia um dia de cada vez, frequentava bares e bordéis, e teve muitos amigos — sempre fiéis. Mas nunca abandonou completamente a família e sempre a respeitou, mesmo vivendo apenas alguns períodos com os pais. Foi criado pelos avós maternos, que marcaram profundamente sua vida. Após a morte do avô, vai morar com os pais, mas logo parte para estudar. Primeiro em uma escola católica, depois em um colégio e, por fim, chega à universidade de Direito, curso que não irá concluir.

Sempre foi uma pessoa muito tímida, cheia de receios e medos — e ainda assim se tornou o autor de uma obra magistral: Cem Anos de Solidão.


Gabriel García Márquez nasceu em Aracataca, Colômbia, em 1927 e faleceu na Cidade do México em 2014. Foi escritor, jornalista, ativista editor e político. 

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