QUEM TEM
MEDO DO GÊNERO?
JUDITH
BUTLER
BOITEMPO
EDITORIAL – 1ª – 2024
388
páginas
Em
“Quem tem medo do gênero?”, Judith Butler analisa como o conceito de gênero tem
sido mobilizado em debates políticos contemporâneos, especialmente por grupos
conservadores e de extrema-direita, como narrativas com intuito de criar pânico
moral.
A
autora argumenta que o termo “gênero” passa a ser frequentemente distorcido em
discursos públicos, sendo associado a ameaças à infância, à família e à ordem
social, contribuindo dessa maneira para a mobilização de afetos políticos como
medo e insegurança. Esses discursos, segundo Butler, acabam sendo utilizados
para sustentar projetos políticos autoritários e excludentes em diferentes
contextos nacionais.
Ela
traz vários exemplos que estão acontecendo no mundo e também aponta Instituições
e pessoas que financiam esses projetos e algumas Ongs para propagar essas
narrativas.
Muitas
pessoas diante das mentiras propagadas acabam com medo que seus filhos sejam
induzidos a uma escolha sexual ou de identidade sexual que não é possível
impor. Com isso há muita desvirtuação do conceito e também a intenção de criar
obstáculos aos feminismos que se utilizam do termo para tratar de outros
aspectos do que esse difundido para causar medo.
A
autora discute como essas narrativas se articulam com ataques a políticas de
direitos reprodutivos, debates sobre educação, além de disputas em torno de
identidades trans e questões relacionadas ao reconhecimento social e jurídico
dessas populações.
Butler
também tece críticas a grupos de mulheres que se opõem a inclusão de pessoas
trans dentro do campo feminista, argumentando que certas formas de exclusão
acabam reforçando mecanismos de violência e marginalização já existentes.
Ela
relata que iniciou a desenvolver o livro após a hostilidade extremamente
agressiva que sofreu em sua visita ao Brasil no aeroporto em 2017, por
manifestantes antigênero. Ela e sua parceira, Wendy Brown, foram ameaçadas de
agressão física e só não foi atingida porque um jovem se colocou entre ela e o
agressor recebendo os golpes a ela destinados.
O
que chama a atenção nessas pessoas é que nenhuma delas, em algum momento, leu
um livro de Butler ou procurou saber mais sobre o que significa gênero. Suas
reações são baseadas em informações distorcidas ou em interpretações
simplificadas de suas teorias, frequentemente difundidas em redes sociais e
discursos políticos, sem mediação acadêmica.
É
uma leitura necessária e atual. É preciso conhecer um pouco mais sobre o que
significa gênero e sobre o que é real ou mentira no que se diz. A leitura é
acessível a qualquer pessoa, diferentemente de outras obras da autora, e é um
convite a reflexão crítica.
Judith
Butler nasceu em Cleveland, Ohio, EUA, em 1956. É uma filósofa
pós-estruturalista.


Nenhum comentário:
Postar um comentário