FILME: QUANDO BANGLADESH CHOROU – FARAAZ
Direção: Hansal Mehta – 2023
País: Índia
Duração: 1h 52 min
O filme é inspirado no atentado
em Daca, Bangladesh, em 2016, em um restaurante que deixou 20 civis mortos,
além de policiais e dos próprios terroristas. O local era o Holey Artisan
Bakery, localizado no bairro diplomático.
A importância deste filme neste
momento, no Brasil, é que mostra o que são, de fato, terroristas. Diante da
tendência de considerar narcotraficantes ou grupos de resistência armada, em
outros lugares, como terrorismo, é importante saber diferenciar essas três
categorias.
A resistência armada, ou
guerrilha, tem como objetivo lutar contra invasões de seus territórios, ocupações,
ditaduras ou governos opressores e busca a libertação do território, a independência
ou uma mudança de regime político.
O terrorismo, por sua vez, tem como
objetivo coagir governos, impor ideologias, desestabilizar a ordem pública ou o
governo através da intimidação e do medo generalizado.
Enquanto a resistência armada procura
evitar atingir a população civil, o terrorismo não se importa com isso; ao
contrário, a população costuma ser seu principal alvo, atacando locais públicos
e cidadãos desarmados.
O narcotráfico são organizações
criminosas que atuam no tráfico de drogas, pessoas e outras atividades ilícitas
em larga escala, formando redes de crime organizado.
O filme relembra o atentado em
Bangladesh perpetrado pelo Estado Islâmico (ISIS), um grupo extremista armado
de ideologia jihadista sunita. Seu objetivo é instituir o califado, isto é, um
governo sob interpretação rigorosa da lei islâmica – a sharia. São considerados
terroristas devido seus ataques contra civis, execuções brutais, extrema
violência e destruição de patrimônios históricos e culturais.
Cinco jovens foram cooptados pelo
ISIS. Um deles é bem educado e formado em Universidade. Eles passam a acreditar
em uma interpretação extremista e distorcida do Alcorão, convencendo-se de que,
ao morrerem, irão para o paraíso e de que o martírio representa uma honra.
Faraaz (Zahan Kapoor) é um jovem
muçulmano que está no restaurante acompanhado de duas amigas estrangeiras. Ele
conhece o líder do grupo (Aditya Rawal), justamente aquele que estudou na
Universidade. O confronto entre os dois deixa clara a diferença entre suas
interpretações do Alcorão.
Durante o ataque, os terroristas matam
todos os estrangeiros e não-muçulmanos, enquanto poupam os muçulmanos. Ao mesmo
tempo, começam a pregar, afirmando que Bangladesh precisa voltar a ser o que
era no passado. Em determinado momento, as críticas feitas pelo líder ao
Ocidente apresentam questões legítimas, mas isso não serve, em hipótese alguma,
como justificativa para atos terroristas.
Foram horas de terror até que
eles libertam os muçulmanos. No entanto, Faraaz se recusa a sair sem suas
amigas estrangeiras e sela seu destino.
Outro ponto que chama a atenção,
e não apenas neste filme, é a sensação de desorganização na polícia indiana e,
neste caso, bengalesa. Elas aparecem sempre discutindo entre si e demonstrando
dificuldade para agir de forma rápida e coordenada. No filme, ao final, quem invade
o restaurante e mata os terroristas é o Exército.
Preciso incluir aqui um adendo:
os Estados tendem a definir como terroristas os grupos que desafiam sua
autoridade por meio da violência. Ao mesmo tempo, grupos insurgentes costumam se
apresentar como movimentos de libertação, resistência ou revolução. “O
terrorista de uns é o combatente da liberdade de outros”.
Terrorismo é um conceito frequentemente
disputado na política internacional, mas naquele dia em Daca, no restaurante,
se manifestou de forma concreta.
Hansal Mehta nasceu em Mumbai,
Índia, em 1968. É um cineasta indiano.


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