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segunda-feira, 27 de julho de 2026

LIVRO: AS LEIS

 

AS LEIS

CONNIE PALMEN

EDITORA 34 – 1ª ED. – 1997

192 páginas

 

PROJETO LER UMA MULHER POR PAÍS – PAÍSES BAIXOS (HOLANDA)


Marie Deniet é uma estudante de filosofia que tem encontros com sete homens diferentes: um astrólogo, um epiléptico, um padre, um filósofo, um psicólogo, um físico e um artista.

O astrólogo, o primeiro que ela encontra, traça seu mapa astral. Deniet estava acostumada a ouvir os outros falando de si mesmos, mas aqui ocorre o contrário, ela ouve alguém falar dela, e com uma certa precisão em suas observações que precisa reconhecer. Para quem não compreende astrologia, como é meu caso, é um capítulo um pouco entediante e confuso.

O epiléptico é seu segundo encontro. Daniel expõe toda uma filosofia da dor e da questão do corpo, que ou esconde uma doença ou dor ou a expõe. A epilepsia está no segundo caso, a pessoa sofre uma crise em plena rua, baba, contorce-se. Não há como esconder. Ele faz uma crítica a Susan Sontag sobre a metáfora da doença.

Ela terá então o terceiro encontro, com o filósofo que será o orientador de seu mestrado. Em seguida, encontrará um padre, um artista e o último será um psiquiatra.

Mas o que Marie busca nesses homens? Aos poucos vamos compreendendo. Ela vem de um pequeno vilarejo católico e teve uma infância e adolescência em que a religião oferecia um sentido para a vida. Quando um jovem lhe empresta um livro de Sartre, ela rompe com Deus e acaba se vendo diante de um vazio de sentido. Muda-se para Amsterdã e começa sua busca.

Aqui é preciso, antes de tudo, fazer uma ressalva. O livro é de 1991 e, para leitoras mais jovens, talvez soe um tanto machista e patriarcal, mas quem é mais velha percebe um percurso que foi muito comum para as mulheres. A pergunta que pode surgir é: porque ela busca nos homens um sentido para sua vida. Primeiro, porque estuda filosofia, e sabemos bem como essa disciplina ainda mantém um cânone predominantemente masculino, mesmo diante de tantas mulheres filósofas. Segundo, porque durante muito tempo os homens foram considerados os detentores da verdade e das leis. Mas isso não diminui o livro; pelo contrário, trata-se de um romance de formação.

Confesso que me incomodou o capítulo com o filósofo, em que vemos uma Marie usando a sedução para atrair o olhar do mestre. Ela, que há muito tempo não usava mais vestidos nem saias, passa a vestir ambos, além de meias de náilon e salto alto. Tenta capturar o olhar dele, e consegue. No entanto, ele não se aproxima como ela esperava. Será por meio dos idosos que frequentam suas aulas e a apresentam a ele que esse contato finalmente acontecerá. Quando ela conclui sua dissertação, o filósofo a encaminha a um padre para orientar seu doutorado.

Aqui temos um capítulo que beira o intragável. O encontro em si é interessante, porém a questão é que ela o considera o homem mais feio que já viu. Ele é corcunda, mas ela acredita que pode lhe dar a felicidade de ser desejado ao lhe oferecer sexo desde que ele não a toque.

Em seguida vem o artista, sua grande paixão. Surgem então questões que a colocam em dúvida sobre ser mulher e ser intelectual. Para ter o amor dele, teria que estar sempre a disposição dele? Justamente ela, que sempre manteve distância dos homens com quem se relacionava. E acredita que pode salvá-lo, dar-lhe amor e fazê-lo feliz. Uma cena muito comum, ainda hoje, quando mulheres se apaixonam. Ele a abandona.

E, finalmente, o psiquiatra, que está mais para um psicanalista. Aqui não temos mais a voz masculina; somente ela fala. É quando ela consegue perceber sua busca infrutífera por leis que pudessem ditar seu destino ou dar um sentido para a vida. Também percebe o quanto confundiu o desejado com o desejante, ou seja, o que ela de fato deseja?

Há análises interessantes e um crescimento que acontece aos poucos. Percebemos certa prepotência típica da juventude, mas ao mesmo tempo uma busca por sentido, um desejo por algo cujo objeto ela não consegue identificar. Ela ama desejar. É somente quando ela se perde que poderá encontrar o que chama de sentido da vida. Eu diria, porém, que o sentido é algo que apenas cada um de nós pode construir, porque ele não existe em si mesmo, nem se apresenta como uma lei. 

Connie Palmen nasceu em Sint Odiliënberg, Países Baixos, em 1955. É uma escritora holandesa