UMA CARTA TÃO LONGA
MARIAMA BÂ
JANDAÍRA – 1ª ED. – 2023
160 páginas
Uma Carta tão longa, da
escritora senegalesa Mariama Bâ, acompanha Ramatoulaye logo após a morte de seu
marido, momento em que escreve uma longa carta à sua melhor amiga de infância,
Aïssatou. Ao longo desta carta, na qual rememora sua vida e a de sua amiga, a
autora discorre sobre os vários problemas enfrentados pelas mulheres
senegalesas, os costumes e tradições, a religião e a poligamia.
Se por um lado vemos Ramatoulaye
se construindo em meio a tudo o que lhe acontece, muitas vezes decidindo
conforme tradições e aquilo que aprendeu desde a infância, Aïssatou já surge
como uma mulher diferente, que enfrenta o sistema e toma decisões em prol de si
mesma, sem se preocupar tanto com a honra familiar e tradições senegalesas.
Ambas passaram pelo mesmo drama: maridos
com os quais conviveram durante anos, construindo uma vida em comum, tendo
filhos e partilhando tudo, decidem tomar uma segunda esposa, ou a “coesposa”,
como são chamadas. No caso de Aïssatou, o casamento do marido foi resultado da vingança
da sogra, que nunca aceitou a união do único filho homem com uma mulher de
casta inferior. Durante anos ela planejou sua vingança até conseguir obrigá-lo a
se casar com sua prima.
Aïssatou não aceitou a situação:
pediu o divórcio, partiu com os filhos, estudou e foi morar nos Estados Unidos,
conquistando estabilidade financeira. Já o marido de Ramatoylaye encantou-se por
uma amiga de sua filha e fez de tudo para conquistá-la. A jovem o chamava de velho,
mas acabou aceitando o casamento por imposição da mãe. Após isso, ele abandonou
a primeira família.
Os filhos de Ramatoylaye revoltaram-se e queriam que a mãe seguisse o exemplo de
Aïssatou, porém ela escolheu permanecer onde estava, mantendo-se como
primeira-esposa. Com a morte do marido surgem novos pretendentes. O primeiro é
o irmão mais velho dele, que deseja casar-se com ela como segunda esposa, o que
ela não aceitou. O segundo é o homem que se apaixonara por ela na juventude e
que era o predileto de sua mãe; novamente ela não aceitou.
A definição que a autora faz da
depressão é feita de forma sensível e precisa. Mariama Bâ também desenvolve uma
bela reflexão sobre o amor e a amizade. Através de relatos íntimos a autora
constrói uma crítica social, principalmente sobre a condição das mulheres
senegalesas.
Mariama Bâ
nasceu em Dacar, Senegal, em 1929 e faleceu na mesma localidade em 1981. Foi
uma pioneira escritora e feminista senegalesa.


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