HIROSHIMA
JOHN HERSEY
COMPANHIA DAS LETRAS – 1ª ED. – 2002
176 páginas
Ao lermos o livro “Hiroshima” de
John Hersey, nos compadecemos dos japoneses afetados e também ficamos
horrorizados com tamanha monstruosidade perpetrada pelos Estados Unidos contra
civis. De fato, aquele povo era inocente, exceto talvez pelos militares locados
na cidade e em Nagazaki.
É preciso lembrar que os
japoneses foram extremamente cruéis na sua expansão pela Ásia, como ocorreu no
Massacre de Nanquim (1937), na China, que ficou conhecido como o Estupro de
Nanquim, marcado por estupros e assassinatos em massa. Em Cingapura, em 1942,
também massacram chineses no episódio conhecido como o Massacre de Sook.
No entanto, esses atos de
crueldade não justificam o que ocorreu em Hiroshima e Nagazaki. Lançar bombas
atômicas que em questão de segundos destruíram tudo, matando mais de cem mil
pessoas imediatamente em Hiroshima. Muitas
outras morreram depois sob os efeitos da radiação, algo totalmente desconhecido
pelos médicos na época.
Pessoalmente, não aceito a
justificativa dos Estados Unidos de que, agindo assim, pouparam inúmeras vidas.
Com certeza, pouparam vidas americanas e de militares. Acredito que foi mais um
experimento para observar os efeitos e os resultados de uma bomba atômica e, diante
do sucesso destrutivo, impor o medo ao mundo, já que naquele momento apenas
eles possuíam tal arma.
Hersey, jornalista estadunidense,
traz em seu livro o relato e o testemunho de seis sobreviventes do horror e
retorna 40 anos depois para saber o que lhes aconteceu. Mesmo tendo sobrevivido,
todos sofreram as consequências de terem sido expostos à explosão e à radiação,
o que mudou suas vidas.
É interessante perceber que a
cultura japonesa levou a grande maioria da população a aceitar o que ocorreu;
em momento algum levantavam a questão ética e moral do uso de uma bomba dessa
magnitude contra duas cidades. Mas precisamos, sim, pensar nessa ética, e mais
do que nunca, pois estamos assistindo a outra destruição atualmente, em Gaza,
com a morte de milhares de pessoas, não instantaneamente, mas dia após dia, sem
falar nos traumas dos que conseguem sobreviver.
Ler Hiroshima é um alerta.
Aquela primeira bomba ainda era considerada “fraca”; hoje, bombas atômicas ou
de hidrogênio possuem um poder de morte e destruição infinitamente maior.
John Hersey nasceu em Tianjin,
China, em 1914 e faleceu em Key West, Flórida, EUA, em 1993. Foi um escritor e
jornalista estadunidense.


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