Mostrando postagens com marcador Literatura Filandesa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura Filandesa. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de agosto de 2026

LIVRO: AS VACAS DE STÁLIN

 


AS VACAS DE STÁLIN

SOFI OKSANEN

RECORD – 1ª ED. – 2013

Tradução: Pasi Loman e Lilia Loman

420 páginas

 PROJETO LER UMA MULHER POR PAÍS – FINLÂNDIA 

Sofi Oksanen nos apresenta três mulheres: Sofia, a mãe de Katariina e avó de Anna. Através delas, aborda questões sobre a Estônia durante o domínio soviético, a imagem que o Ocidente construiu sobre as mulheres do “Leste Europeu” e que acabou sendo introjetado na subjetividade das estonianas, e a ligação disso com os desarranjos alimentares de Anna.

A principal narradora é Anna, mas confesso que as primeiras 170 páginas foram muito cansativas e só não abandonei o livro porque queria ler uma mulher da Finlândia. A autora é premiada, mas pelo que pude constatar, se deve mais ao outro livro “Expurgo”.

Esperava mais sobre a história da Estônia, mas o livro tem por foco principal, de um lado, a bulimia e, de outro, a prostituição das mulheres estonianas. Para a narradora, o que mais conta é a questão de que as mulheres finlandesas se vestem com roupas práticas, como jeans e tênis, enquanto as estonianas são femininas, usam vestidos, salto alto, batom vermelho, e isso é muito reforçado por Katariina, sua mãe, que ganha a vida levando produtos ocidentais para a Estônia.

No livro essa feminilidade é que se compara ao ser prostituta, uma vez que as estonianas vivem interessadas em homens finlandeses que trabalham no país. A própria Katariina casou-se com um finlandês e conseguiu deixar o país, podendo retornar para visitar a mãe e a irmã.

Aos interessados em bulimia, o livro é praticamente um manual de como agem as pessoas portadoras desse problema. Anna descreve minuciosamente suas compras, as seguras e as da sessão, ou seja, os alimentos que serão comidos e depois vomitados.

É perceptível a ligação entre a história da família e a bulimia de Anna, mas principalmente o que ela não conseguia admitir: a vergonha que sentia de sua mãe ser estoniana.

Sobre a avó, são poucas as informações que aparecem ao longo do livro sobre o que lhe aconteceu durante o domínio soviético mais intenso, o período dos expurgos. Lamentei isso, pois o que mais me chamou a atenção para comprar o livro era justamente o aspecto histórico do país.

O título também me chamou a atenção, e há apenas uma menção ao significado no livro, o que me levou a pesquisar. A explicação está ligada a uma piada que circulava entre os estonianos deportados ou enviados para a Sibéria: eles diziam que tinham visto por lá “as vacas de Stálin”. Quando perguntavam como eram, vinha o trocadilho: “A vaca de Stálin é um bode”. É incompreensível para nós o que realmente significa. No entanto, as vacas também podem ser um estereótipo associadas às mulheres e toda a pressão para ter um corpo magro.

              Sofi Oksanen nasceu em Jyvaskyla, Finlândia, em 1977. É uma escritora finlandesa.