AS VACAS DE STÁLIN
SOFI OKSANEN
RECORD – 1ª ED. – 2013
Tradução: Pasi Loman e Lilia Loman
420 páginas
Sofi Oksanen nos apresenta três mulheres: Sofia, a mãe de Katariina e avó de Anna. Através delas, aborda questões sobre a Estônia durante o domínio soviético, a imagem que o Ocidente construiu sobre as mulheres do “Leste Europeu” e que acabou sendo introjetado na subjetividade das estonianas, e a ligação disso com os desarranjos alimentares de Anna.
A principal narradora é Anna, mas
confesso que as primeiras 170 páginas foram muito cansativas e só não abandonei
o livro porque queria ler uma mulher da Finlândia. A autora é premiada, mas
pelo que pude constatar, se deve mais ao outro livro “Expurgo”.
Esperava mais sobre a história da
Estônia, mas o livro tem por foco principal, de um lado, a bulimia e, de outro,
a prostituição das mulheres estonianas. Para a narradora, o que mais conta é a
questão de que as mulheres finlandesas se vestem com roupas práticas, como jeans
e tênis, enquanto as estonianas são femininas, usam vestidos, salto alto, batom
vermelho, e isso é muito reforçado por Katariina, sua mãe, que ganha a vida
levando produtos ocidentais para a Estônia.
No livro essa feminilidade é que
se compara ao ser prostituta, uma vez que as estonianas vivem interessadas em
homens finlandeses que trabalham no país. A própria Katariina casou-se com um finlandês
e conseguiu deixar o país, podendo retornar para visitar a mãe e a irmã.
Aos interessados em bulimia, o
livro é praticamente um manual de como agem as pessoas portadoras desse
problema. Anna descreve minuciosamente suas compras, as seguras e as da sessão,
ou seja, os alimentos que serão comidos e depois vomitados.
É perceptível a ligação entre a história
da família e a bulimia de Anna, mas principalmente o que ela não conseguia
admitir: a vergonha que sentia de sua mãe ser estoniana.
Sobre a avó, são poucas as informações
que aparecem ao longo do livro sobre o que lhe aconteceu durante o domínio
soviético mais intenso, o período dos expurgos. Lamentei isso, pois o que mais
me chamou a atenção para comprar o livro era justamente o aspecto histórico do
país.
O título também me chamou a
atenção, e há apenas uma menção ao significado no livro, o que me levou a
pesquisar. A explicação está ligada a uma piada que circulava entre os
estonianos deportados ou enviados para a Sibéria: eles diziam que tinham visto
por lá “as vacas de Stálin”. Quando perguntavam como eram, vinha o trocadilho: “A
vaca de Stálin é um bode”. É incompreensível para nós o que realmente
significa. No entanto, as vacas também podem ser um estereótipo associadas às
mulheres e toda a pressão para ter um corpo magro.
Sofi Oksanen nasceu em Jyvaskyla, Finlândia, em 1977. É uma escritora finlandesa.

