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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

LIVRO: AS FORMAS ELEMENTARES DA VIDA RELIGIOSA

 


AS FORMAS ELEMENTARES DA VIDA RELIGIOSA

O Sistema totêmico na Austrália

ÉMILE DURKHEIM

MARTINS FONTES – 1ª ED. – 1996

Tradução: Paulo Neves

609 páginas

As Formas Elementares da Vida Religiosa, de Émile Durkheim, é um estudo seminal que busca despir as religiões de seu aparato ritualístico e simbólico, indo ao encontro do que há de mais essencial. Durkheim investiga o Totemismo na Austrália, considerado uma forma inicial de organização social e religiosa, em que clãs e fraternidades se estruturam em torno de um animal totêmico. Esse animal, considerado sagrado, não apenas representa o clã, mas também orienta normas, regras e comportamentos internos, bem como regula a convivência com outros grupos.

O livro é particularmente esclarecedor ao mostrar como a religião, mesmo em sua forma mais elementar, contribui para a formação do psiquismo individual e para a estruturação das regras sociais. Durkheim revela que o Totemismo não é apenas uma questão de crença, mas um mecanismo social que organiza a vida coletiva, fornecendo padrões de identidade, disciplina e coesão para o grupo.

Por meio de sua análise, Durkheim oferece uma compreensão profunda da interdependência entre religião, sociedade e indivíduo, mostrando como elementos simbólicos aparentemente simples podem sustentar estruturas complexas de convivência e moralidade.


Émile Durkheim nasceu em Épinal, França, em 1858 e faleceu em Pari em 1917. Foi um sociólogo, antropólogo e filósofo. Considerado o pai da Sociologia. 


terça-feira, 24 de maio de 2016

LIVRO: NISE DA SILVEIRA Uma psiquiatra rebelde - FERREIRA GULLAR



NISE DA SILVEIRA: UMA PSIQUIATRA REBELDE

FERREIRA GULLAR

RELUME-DUMARÁ – 1996

98 páginas


Após assistir ao filme sobre Nise, postado aqui no blog, interessei-me por saber mais sobre sua vida e fui a minha biblioteca onde este livro estava aguardando para ser lido. 

O filme trata de um momento, quando ela volta ao Hospital após seu afastamento por ter sido presa ao ser considerada comunista. Já este livro que também fala muito sobre todo o período tratado no filme, temos uma visão mais ampla de sua vida desde sua infância em Alagoas, sua formação intelectual, a ida para Salvador onde estudou medicina, sua vinda para o Rio de Janeiro, amigos, seu envolvimento com defensores do comunismo que lhe emprestam livros sobre Marx e que fazem com que uma enfermeira a denuncie.

Sua experiência como presa política lhe ensinou muito sobre a questão de estar preso em um lugar, ter sua liberdade cerceada e ser tratado com desprezo e desdém. Nise defende um tratamento humano para os doentes mentais, com atenção, carinho. Diz que precisam ter alguém ao seu lado, dando apoio, sentir segurança.

A escuridão onde estão submersos dá sinais de tentativas de manter contato com a realidade através dos desenhos, das pinturas, da escultura, já que lhes faltam palavras. O psiquismo sempre procura se reequilibrar.

Quando percebe que muitos que deixam o hospital psiquiátrico acabam retornando, se dá conta que é necessário uma fase de transição, para que possam se readaptar ao mundo. Ela criou então a Casa das Palmeiras onde podem fazer esta transição.

O livro também traz uma entrevista com ela.

Ferreira Gullar nasceu em 1930 em São Luís, Maranhão. 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

LIVRO: AMOR, DE NOVO - DORIS LESSING


AMOR, DE NOVO

DORIS LESSING

COMPANHIA DAS LETRAS – 1996

Tradução: José Rubens Siqueira

362 páginas

PAÍS – REINO UNIDO – INGLATERRA


Li este livro em 2011, mas nunca me esqueço dele por me tocar fundo. O Amor, tema de tantos livros, filmes e da vida. Talvez me seja mais inquietante ainda por eu também estar na meia-idade e sozinha.

Logo no início: Estou amando outra vez,
                       Coisa que nunca quis...

Sarah Durham tem 65 anos, fundou uma companhia de teatro com outros três amigos e dedica sua vida à companhia. Sua família, ou seja, seus filhos, não lhe dão atenção, exceto quando precisam dela, mas Sarah acredita que sabe lidar com isto, apesar de muitas vezes não conseguir se desvencilhar destas demandas, o que a leva a acolher sua sobrinha problemática, Joyce.

Há muito tempo, vinte anos, ela abdicou da vida amorosa e segue trabalhando com afinco e dedicação. Sua companhia resolve montar uma peça sobre uma mulher - Julie Vairon, que era da Martinica, uma pintora e musicista que viveu seus amores proibidos no Sul da França. É escrevendo sobre esta mulher que Sarah se verá novamente diante do amor.

A Companhia parte para a França onde serão encenadas as primeiras apresentações de Julie Varon. Sarah irá se apaixonar, primeiro por Bill, um jovem ator, mas também por Henry, o diretor do espetáculo e apesar deste ser mais maduro que Bill, ambos são mais jovens do que ela.

Lessing se detém sobre a mulher madura que de repente se vê apaixonada, com desejos sexuais, mas que não sabe o que fazer, sua angústia, sua indecisão, os medos, e a moral. Todo amor busca reviver a infância, tem suas raízes ali, nos amores objetais, os primeiros de nossas vidas, e ela irá analisar justamente as privações da infância que se refletem na vida adulta da mulher.

Ao se apaixonar nesta idade Sarah revive sua adolescência, percebe que nada muda, é a mesma loucura, a mesma intensidade, o mesmo desejo. Mas há a experiência passada que a faz temer este sentimento. De qualquer maneira o amor a faz reviver com intensidade, a sentir, a desejar. Seu amor por Bill a fará reviver uma fase mais infantil e por Henry uma fase mais madura.

Doris Lessing nasceu em 1919 em kermanshah no Curdistão Iraniano, então parte do Reino da Pérsia e faleceu em 2013 em Londres.