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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

LIVRO: GRANDE SERTÃO: VEREDAS - JOÃO GUIMARÃES ROSA


GRANDE SERTÃO: VEREDAS

JOÃO GUIMARÃES ROSA

NOVA FRONTEIRA – 20ª ED. – 1986

568 páginas

PAÍS – BRASIL

ESTADO – MINAS GERAIS 


O que falar sobre esta grande obra prima que já não foi dito? Como exaltá-la mais? Prefiro falar da minha experiência de leitura deste grande livro, deste clássico da literatura brasileira.

Normalmente considerada uma leitura difícil, com muitos regionalismos, que para quem não é da terra, das Minas Gerais, do sertão, se torna muitas vezes um desafio. Sabendo disto optei por me lançar na leitura de corpo e alma, e acabei vivendo uma experiência nova para mim. Eu escutei o livro! Li o livro com os ouvidos, se é que isto é possível.

Talvez por ter passado por uma análise psicanalítica isto se tornou possível, não sei, mas o fato é que fiz isto de alguma maneira. Ouvi Riobaldo, atravessei com ele este Grande Sertão e suas veredas. 

Riobaldo elege um interlocutor, alguém a quem falar, para rememorar sua vida recontando sua história de jagunço nos sertões, e com isto reescrevê-la, dar-lhe outro significado, reconstruir sua história, fazendo a travessia de seus fantasmas. E qual o maior deles? o que rege sua vida? O pai. Filho bastardo, busca encontrar a lei, o pai que se reflete em Zé Bebelo, Joca Ramiro, o interlocutor, Medeiro Vaz, seu padrinho, no diabo. Busca de uma identificação capaz de lhe dizer quem é, busca inútil, mas que todos fazemos. 

Interessante o amor dele por Diadorim, que é uma mulher, mas ninguém o sabe. Melhor retrato de que sabemos e não queremos saber? O Olhar, outro traço que rege sua vida, onde ele reencontra o olhar de sua mãe. 

Li o livro com o ouvido, ouvindo este relato, esta construção de uma vida, seus medos, seus amores, suas dúvidas, o ódio, a alegria, ouvindo: Viver é perigoso! Travessia. 

João Guimarães Rosa nasceu em 1908 em Cordisburgo, Minas Gerais e faleceu em 1967 no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

LIVRO: HOTEL DO LAGO - ANITA BROOKNER


HOTEL DO LAGO

ANITA BROOKNER

ROCCO – 1986

Tradução: Donaldson M. Garschagen

163 páginas

PAÍS – REINO UNIDO – INGLATERRA

Título Original: Hotel du Lac

Edith é um escritora que escreve sob um pseudônimo romances de amor. Ela vive sozinha em Londres e tem um romance com David que é casado e alguns amigos, além de seu editor com quem as vezes sai para almoçar. Mas ela comete um erro imperdoável segundo seus amigos que a isolam e enviam para o Hotel do Lago na Suíça.

O Hotel nesta época do ano já tem poucos hóspedes, a temporada está acabando, e na maioria são mulheres desacompanhadas, cada uma com sua história. É um Hotel reconhecido por sua sobriedade e por se manter na tradição não aderindo as muitas novidades que a hotelaria vem utilizando.

Edith inicialmente se mantém distante e observando, aos poucos começa a interagir com os hóspedes, mas mesmo assim, é tudo muito superficial, o que não a impede de criar uma história para cada um, e de perceber o quanto ela acredita em seus romances e no que escreve, apesar das tentativas de seu editor para que ela se modernize, ao invés de acreditar tanto no amor romântico.

A sua estada no Hotel aos poucos a fará repensar muitas coisas, observar o feminino em suas manifestações e de aos poucos compreender o quanto estas pessoas vivem da aparência e não uma vida real. Um consumismo exagerado, manter o status social, e não se sentir ridículo perante os outros, mas quem são estes outros? são importantes? A própria Edith sempre deixou que os outros comandassem sua vida e a repreendessem, a ponto de decidirem que ela devia exilar-se.

Este crescimento permitirá que finalmente Edith tome uma decisão por si mesma e lhe desmanchará as ilusões que mascaram a vida e as pessoas.

Anita Brookner nascem em 1928 em Herne Hill, no Reino Unido. Faleceu em Londres em 2016. Foi uma romancista premiada e historiadora de arte britânica.