quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

NOVAS LEITURAS PARA UM PERÍODO MAL COMPREENDIDO

 

HISTÓRIA DA IDADE MÉDIA: Mil anos de esplendores e misérias.

GEORGES MINOIS

EDITORA UNESP – 1ª ED. - 2023


Depois do ensino médio e de algumas leituras marcantes — como o magistral O Nome da Rosa, de Umberto Eco — percebi que, para escrever a história das mulheres na Idade Média, seria necessário retomar o estudo desse período. Inclusive porque, a cada ano, novas descobertas são feitas: arquivos são abertos, documentos são finalmente liberados para consulta ou simplesmente encontrados. Paralelamente, a historiografia também se transforma. Hoje, ela já não é tão rígida e passa a considerar outras fontes, como biografias, memórias, cartas, diários, obras de arte e até mesmo a literatura da época.

Com isso, muitos historiadores passaram a incluir em seus estudos aqueles que antes eram tratados como “os outros”: mulheres, camponeses, pobres e também regiões fora do eixo estritamente europeu. Esse deslocamento do olhar altera profundamente a maneira como compreendemos a Idade Média.

O livro de Georges Minois tem o mérito de apresentar mil anos de história de forma sintetizada, sem perder a complexidade do período. Além disso, inclui o Oriente e sua influência sobre a Europa — e vice-versa — rompendo com a visão eurocêntrica que marcou por muito tempo o ensino da Idade Média. Não se trata mais da Idade Média exclusivamente europeia que aprendi na escola.

Outro ponto fundamental é que a narrativa histórica aqui não se limita a fatos, heróis ou vencedores. Minois se detém na mentalidade da época, explora a tensão entre fé e razão e examina as crises que atravessaram esse longo período. Epidemias, secas severas e fome aparecem como elementos estruturantes da vida medieval, e não como simples episódios marginais.

Essas informações foram particularmente importantes para complementar a leitura de Calibã e a Bruxa, de Silvia Federici, sobretudo em aspectos que não são abordados por ela. O livro também inclui, ainda que de forma pontual, a presença de mulheres em seu relato — algo que até pouco tempo atrás era difícil de encontrar em obras de síntese sobre a Idade Média. Nesse sentido, a obra se mostra uma ferramenta valiosa tanto para estudos históricos quanto para reflexões críticas sobre gênero, poder e sociedade.


Georges Minois nasceu em Athis-Mons, França, em 1946. É um historiador francês. 


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