sábado, 7 de fevereiro de 2026

A IMPERATRIZ QUE NÃO COUBE NO IMPÉRIO

 


SISSI E O ÚLTIMO BRILHO DE UMA DINASTIA

Uma breve história não contada dos Habsburgos

PAULO REZZUTTI

LEYA – 1ª ED. – 2022

O livro retrata a vida de Elizabeth da Áustria-Hungria, mais conhecida como Sissi, desde a infância até sua morte violenta, assassinada por um anarquista em um porto da França. Paulo Rezzutti reconstrói não apenas a trajetória de uma imperatriz, mas também o crepúsculo de uma dinastia.

Desde jovem, Sissi se destaca por uma personalidade forte, inquieta e profundamente independente — traços que destoavam do ideal feminino esperado pela corte. Foi justamente essa diferença que atraiu o imperador Francisco José I, que a escolheu em detrimento da irmã, considerada a noiva “adequada” segundo os rígidos critérios de sua mãe e da monarquia.

Essa mesma personalidade, no entanto, torna-se fonte constante de conflito. Sissi jamais se adaptou plenamente à vida da corte, às suas regras, vigilâncias e performances. Enfrentou a pressão da monarquia, da aristocracia e da sociedade, sentindo-se frequentemente sufocada em um papel que não escolhera. A imperatriz encarna, assim, a tensão entre desejo individual e dever dinástico.

Apesar do afeto que uniu Sissi e Francisco José, a relação é marcada por distanciamentos. Ela passa longos períodos fora da corte, vivendo em outros países, em uma espécie de exílio voluntário. O afastamento não é apenas geográfico, mas também simbólico: Sissi se retira de um mundo que já não lhe oferece sentido.

Paralelamente à biografia da imperatriz, o livro traça um panorama histórico da Áustria-Hungria e da Europa do período, revelando um império em declínio, pressionado por conflitos internos, transformações sociais e tensões políticas. A vida de Sissi se entrelaça, assim, ao fim do Império dos Habsburgo — seu “último brilho” antes da dissolução.

A figura de Sissi emerge menos como ícone romântico e mais como uma mulher deslocada em um sistema que não comportava sua subjetividade. Sua história pessoal espelha o esgotamento de uma ordem política e social prestes a desaparecer.



                      Paulo Rezzutti nasceu em São Paulo em 1972. É escritor, biógrafo e historiador.


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