O NAUFRÁGIO DAS CIVILIZAÇÕES
AMIN MAALOUF
VESTÍGIO – 1ª ED. 2020.
Este é um livro que merece ser
lido. Amin Maalouf parte do presente para desmontar uma ideia muito difundida
sobre o “Oriente Médio”, mostrando que a região já foi palco de uma civilização
radicalmente diferente da imagem de violência, fragmentação e intolerância que
hoje costuma dominá-la e, sobretudo, explicando como se chegou a esse ponto.
Maalouf reconstrói um “Oriente
Médio” plural, atravessado por convivências possíveis, projetos políticos e
culturais que não estavam condenados ao colapso. Ao mesmo tempo, identifica as
rupturas históricas, as interferências externas e as escolhas internas que
levaram ao naufrágio dessa civilização, recusando leituras simplistas ou
essencialistas.
Mas o livro não se limita ao “Oriente
Médio”. Maalouf amplia o olhar para o Ocidente e analisa os processos que
também o afetaram profundamente. O avanço do neoliberalismo, o culto ao
individualismo e a consolidação da meritocracia aparecem como forças
desagregadoras. Segundo o autor, esse giro político tem um marco decisivo nas
eras de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, quando se estabelece um modelo que
transforma não apenas a economia, mas as relações sociais, os valores e a
própria ideia de futuro.
O naufrágio das civilizações é, assim, uma
reflexão sobre perdas — de horizontes comuns, de projetos coletivos, de mundos
possíveis. Uma leitura importante para quem deseja compreender como o mundo
chegou ao ponto em que se encontra hoje, e por que tantas narrativas de
progresso escondem processos profundos de destruição.
Amin Maalouf nasceu em Beirute, Líbano, em 1949. Reside na
França, escritor.


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