BAUMAN: UMA BIOGRAFIA
IZABELA WAGNER
ZAHAR – 1ª ED. 2020
Ler a biografia de Zygmunt
Bauman representou um duplo percurso: por um lado, o conhecimento da vida desse
eminente sociólogo; por outro, um mergulho na história do Leste Europeu,
especialmente da Polônia, do período da Segunda Guerra Mundial até os dias
atuais. Ao longo do livro, é possível acompanhar tanto o desenvolvimento
intelectual de Bauman quanto a formação de sua visão de mundo, profundamente
marcada pelos acontecimentos históricos que atravessaram sua vida.
Um
dos aspectos que mais me interessou foi conhecer melhor Janina Bauman. Mais do
que companheira, ela foi a principal interlocutora do sociólogo e também uma
escritora relevante. Um de seus livros, Inverno
da manhã, está traduzido no Brasil e relata sua vivência durante a Segunda
Guerra Mundial. A leitura desse livro por Bauman foi decisiva para a escrita de
Modernidade e Holocausto, considerada
uma de suas obras-primas.
Bauman
nasceu na Polônia e sempre se considerou polonês, mesmo após sua expulsão do
país em 1968, quando foi forçado a renunciar à cidadania e se tornou apátrida.
Judeu, ele foi atingido por um antissemitismo ainda fortemente presente no país,
que, segundo a autora, tinha um caráter religioso mais do que ideológico.
Com
a invasão nazista da Polônia, Bauman e seus pais fogem para a União Soviética.
É lá que ele ingressa no Exército Vermelho e adere ao comunismo, acreditando
que esse projeto político poderia garantir liberdade e pôr fim aos preconceitos
contra os judeus. Isso, no entanto, não se concretiza. A repressão à liberdade
de expressão, o controle sobre a vida das pessoas e a persistência do
preconceito marcam profundamente essa experiência.
Ao
final da guerra, Bauman retorna a Varsóvia, ingressa na universidade, estuda
sociologia e constrói sua carreira acadêmica até o doutorado, tornando-se
professor. Em 1968, porém, é novamente expulso do país, acusado injustamente de
incitar revoltas estudantis — mais um episódio de perseguição antissemita.
Ele
segue então com a esposa e as filhas para Israel, onde vive por três anos, e
depois para a Inglaterra, país em que passará o resto da vida. É interessante
notar que sua produção intelectual mais conhecida, assim como o célebre
conceito de “modernidade líquida”, surge apenas após sua aposentadoria da
Universidade de Leeds.
Trata-se
de uma vida intensamente vivida, atravessada por exílios, rupturas e
reinvenções, que resultou em uma obra vasta e em reflexões que permanecem
extremamente atuais. Recomendo.
Izabela Wagner nasceu em Wolów, Polônia, em 1964. É socióloga.


Nenhum comentário:
Postar um comentário