A LEBRE DA PATAGÔNIA
CLAUDE LANZMANN
COMPANHIA DAS LETRAS – 1ª ED. 2011
Comprei este livro para ler a
versão de Claude Lanzmann sobre sua vida com Simone de Beauvoir, mas fui
surpreendida pela amplitude de seu conteúdo. A
Lebre da Patagônia é um livro de memórias que atravessa o século XX a
partir de uma experiência singular, intensa e profundamente política.
Lanzmann
revisita sua participação na Resistência durante a Segunda Guerra Mundial, suas
impressões, enquanto judeu, sobre Israel, e suas viagens à Coreia do Norte e à
China. Nessas passagens, apresenta uma visão crítica e realista, bastante
distinta daquela que, à época, levou muitos intelectuais a louvar o comunismo e
o maoísmo sem maiores questionamentos.
O
livro aborda também sua relação com Simone de Beauvoir, mas não se reduz a ela.
Entrelaçam-se a essa narrativa o processo de realização de Shoah, seu filme monumental sobre o extermínio dos judeus,
revelando não apenas os bastidores das filmagens, mas o peso ético e
existencial que atravessou toda a sua feitura.
A
leitura vale muito a pena, inclusive por sua estrutura: o livro não segue uma
ordem cronológica linear, mas avança conforme as lembranças emergem. Esse
movimento fragmentado constrói, pouco a pouco, um panorama complexo e
perturbador do século XX, visto por alguém que o viveu intensamente — sem
ilusões e sem concessões.
Claude Lanzmann nasceu em Bois-Colombe, França, em 1925 e
faleceu em Paris em 2018. Foi um cineasta conhecido pelo documentário Shoah
(1985).


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