segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

VIVER SOB BOMBAS SEM ENTENDER A GUERRA

 

O DIÁRIO DE ZLATA: A VIDA DE UMA MENINA NA GUERRA

ZLATA FILIPOVIC

SEGUINTE – 1ª ED. 1994

Abril de 1992 marca uma ruptura definitiva na vida de Zlata Filipovic. No início de seu diário, ela nos apresenta uma infância comum: escola, amigas, viagens, família, programas de televisão, filmes. Uma vida cotidiana de uma menina de onze anos em Sarajevo. Pouco a pouco, tudo isso se desfaz. Zlata é obrigada a abrir mão da infância e dos sonhos diante da eclosão da guerra.

Com o acirramento das divisões nacionalistas, inicia-se a guerra civil na Bósnia, que duraria até 1995 e deixaria o país devastado. A minoria sérvia não aceita a independência da Bósnia-Herzegovina; quando ela se concretiza, começam os bombardeios a Sarajevo e a outras cidades. A guerra passa a fazer parte do dia a dia, transformando radicalmente a experiência de viver.

Zlata chama os políticos de “moleques” e escreve sobre “eles” — figuras distantes, que ela sequer sabe quem são, mas que decidem tudo. Para ela, esses “eles” não pensam em ninguém: apenas destroem e matam. Matam idosos, crianças e adultos; destroem prédios, casas e patrimônios históricos. Ao longo do diário, Zlata se pergunta repetidamente por quê. Por que a guerra? Por que essas decisões recaem sobre pessoas que nada têm a ver com disputas políticas ou nacionalistas?

E é justamente aí que o diário revela sua força. A guerra, vista do ponto de vista de quem vive nela, é dor, morte, destruição e fome. No caso de Zlata, é também a perda da infância. Ela não compreende política, estratégias militares ou disputas territoriais, mas sente no corpo e na vida as consequências dessas decisões.

O livro é curto e escrito por uma criança, mas isso não o torna menos poderoso. Pelo contrário: é um retrato direto, honesto e profundamente humano da guerra. Um testemunho das perdas, do medo e da sobrevivência cotidiana. A voz de uma menina que não fala de ideologias, mas revela, com clareza devastadora, o que a política faz quando se transforma em violência.


                                      Zlata Filipovic nasceu em Sarajevo, Bósnia, em 1980.


Nenhum comentário:

Postar um comentário