APAGANDO A HISTÓRIA: Como os Fascistas Reescrevem o Passado Para Controlar o Futuro
JASON STANLEY
Apagando a História, de
Jason Stanley, e Quem tem medo do gênero?,
de Judith Butler, ajudam a compreender o que está acontecendo no mundo
contemporâneo, especialmente diante do retorno de Trump nos Estados Unidos, de
seus ataques às universidades e do empenho da extrema direita contra a teoria
crítica da raça, a teoria de gênero, a história das mulheres e os cursos que
abordam a sexualidade.
Ao
estabelecer paralelos com o período de 1930 a 1945 na Europa — marcado pela
ascensão do fascismo e do nazismo —, Stanley demonstra como a história é
apagada e substituída por uma nova narrativa. Em geral, trata-se da construção
de um mito nacionalista e de “tradições culturais” que devem ser celebradas
como orgulho da nação. Um dos objetivos centrais desse processo é destruir
conquistas e direitos relacionados à classe, ao gênero, à sexualidade e à raça.
Nesse
contexto, todo espírito crítico passa a ser desencorajado. Não se trata mais de
pensar, mas de aceitar, ou engolir, aquilo que esses regimes impõem como
verdade. O ataque principal recai sobre a educação e as universidades:
controla-se o que é ensinado e como é ensinado, moldando subjetividades e
apagando conflitos históricos.
Jason
Stanley expõe com clareza o perigo real representado pelos ataques da direita
autoritária à educação. Identifica suas principais táticas, seus financiadores
e traça as raízes intelectuais desse projeto político, mostrando que não se
trata de episódios isolados, mas de uma estratégia deliberada de controle do
presente por meio da manipulação do passado.
Jason Stanley nasceu em Syracuse
em 1969. É um filósofo estudioso do neofascismo, particularmente nos EUA.


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