O PACTO DA BRANQUITUDE
CIDA BENTO
COMPANHIA DAS LETRAS – 1ª ED. - 2022
Cida Bento apresenta um estudo
fundamental sobre a discriminação racial no mundo do trabalho, evidenciando os
mecanismos sutis, e profundamente eficazes, que impedem a contratação de
pessoas negras, sobretudo para cargos de maior prestígio e melhor remuneração.
Trata-se de um sistema que perpetua desigualdades sociais, mantendo a população
negra com menores possibilidades de ascensão social e econômica.
A
autora explica como esse funcionamento se sustenta por meio do que denomina um
pacto narcísico entre brancos: um acordo silencioso de autoproteção, no qual
privilégios são preservados e reproduzidos. Esse pacto se revela, por exemplo,
quando pessoas brancas se sentem “excluídas” ao perceberem a presença de três
pessoas negras em um grupo de dez — uma reação que beira o absurdo, mas que
escancara a lógica da desigualdade racial no Brasil.
Basta
observarmos espaços como empresas, universidades, clubes e instituições de
poder para constatar que, apesar de a maioria da população brasileira ser
negra, os lugares de destaque continuam majoritariamente ocupados por pessoas
brancas. O que se apresenta como neutralidade ou mérito é, na verdade, a
reprodução histórica de privilégios.
Ao
nomear os “brancos” como grupo racial, Cida Bento rompe com a falsa ideia de
universalidade. Dar nome à branquitude é também revelar que aqueles que se
pensam neutros e superiores têm cor, história e interesses — e que a
desigualdade racial não é um desvio do sistema, mas parte estruturante dele.
Maria Aparecida da Silva Bento, conhecida como Cida Bento,
nasceu em São Paulo, em 1952. É psicóloga.


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