UCRÂNIA: DIÁRIO DE
UMA GUERRA
ANDREI KURKOV
CARAMBAIA – 1ª ED. 2025
Este livro é o diário de guerra da Ucrânia
escrito pelo autor ucraniano Andrei Kurkov.
O
diário inicia-se pouco antes do começo da guerra e vai até o início de 2024.
Muitas coisas aconteceram depois, mas trata-se de um livro que traz ricas
informações sobre o povo ucraniano, sua história e, obviamente, sobre a guerra
e tudo o que ela provoca na população civil. Há aquilo que, se é possível dizer
assim, surge como “bom” em meio ao horror — a solidariedade, a generosidade, a
determinação e a persistência — mas também a destruição, o medo, a fuga
deixando para trás tudo o que se tem, as mortes e o luto.
Li
recentemente o diário de um palestino em Gaza. São contextos distintos, mas em
ambos se mantém o horror da guerra: a destruição, as mortes, o luto, e também a
generosidade e a solidariedade. Em Gaza, não há para onde escapar, não existe
sequer uma zona um pouco mais segura, como no caso da Ucrânia, onde o oeste do
país ainda oferece algum refúgio. Em Gaza, trata-se de uma limpeza étnica.
Ainda assim, há muitos pontos em comum no plano humano: as reações, os
sentimentos, as perdas.
O
autor é russo de nascimento, mas posiciona-se a favor do Ocidente. Entre seus
amigos e conhecidos, há também muitos pró-Rússia. É notório que a Ucrânia é um
país multiétnico: russos e ucranianos conviviam muito bem, casavam-se entre si,
a grande maioria das famílias é mista e praticamente todos falam as duas
línguas. Aqui temos o ponto de vista de quem está vivendo a guerra,
independentemente das disputas geopolíticas ou dos posicionamentos ocidentais
ou russos. Apesar de todos terem suas opiniões, o que se revela é o cotidiano
da guerra, as lembranças de um tempo de democracia e também do período
soviético, e um desejo profundo de liberdade, autonomia e democracia.
Infelizmente,
a guerra trouxe consigo o ódio aos russos, motivado por experiências reais:
casas destruídas, familiares mortos, aldeias e cidades bombardeadas, plantações
perdidas, territórios invadidos. E isso é um fato, seja sob uma perspectiva
pró-Ocidente ou pró-Rússia: trata-se de uma invasão. Antes havia respeito e
liberdade para seguir tradições russas ou ucranianas, algo que aos poucos vem
sendo proibido, como o ensino da língua russa nas escolas, o que, no entanto,
não impede que o povo continue falando-a no cotidiano.
Andrei Kurkov nasceu em Budogoshch, Rússia, em 1961. É um
romancista ucraniano.


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