JUSTIÇA CLIMÁTICA
CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA – 1ª ED. – 2021
192 páginas
Este é um livro que todos deveriam ler. Mary
Robinson, ex-presidente da Irlanda e ex–alta comissária das Nações Unidas para
os Direitos Humanos, dirige atualmente a Mary Robinson Foundation – Climate
Justice, dedicada à defesa de pessoas em situação de risco e diretamente
prejudicadas pelas mudanças climáticas, além de atuar junto à ONU nesse campo.
Sua trajetória política e humanitária confere ao livro não apenas autoridade,
mas um compromisso ético claro com aqueles que menos contribuíram para a crise
climática e mais sofrem suas consequências.
A obra reúne diversos relatos, sobretudo de
mulheres, que evidenciam como a crise climática atinge de forma desproporcional
povos e comunidades que não são responsáveis por sua origem. São populações que
pagam o preço do desenvolvimento capitalista dos países ricos e
industrializados, enfrentando perdas materiais, culturais e territoriais em
nome de um progresso do qual nunca participaram plenamente.
É ao mesmo tempo interessante e profundamente
lamentável conhecer as situações vividas no Alasca, na Lapônia, em diferentes
regiões da África, em Kiribati — uma nação ameaçada de desaparecer, cujo
presidente chegou a comprar terras em outro país para realocar sua população —
e em tantos outros lugares. O livro dá voz à luta dessas pessoas para preservar
seus modos de vida diante de transformações climáticas abruptas e
irreversíveis.
Antes, o clima era conhecido: sabia-se o tempo
das chuvas e das secas, quando semear, quando colher; as estações do ano eram
estáveis. Hoje, essa previsibilidade desapareceu. O derretimento das geleiras
no Alasca e no Ártico, as enchentes recorrentes, as secas prolongadas, tudo
aquilo que se costuma chamar de “desastre natural”, revela-se, na verdade,
consequência direta de ações humanas. A natureza responde, mas não é a causa.
Mary Robinson também introduz de forma clara o
conceito de transição justa, lembrando que a mudança para uma economia menos
dependente de combustíveis fósseis precisa considerar as comunidades e os
trabalhadores que dependem dessas atividades. O fechamento de minas de carvão,
por exemplo, exige políticas que garantam alternativas reais de trabalho e
subsistência, evitando que a solução de um problema produza novas injustiças
sociais.
Apesar de relativamente curto e de focar em
alguns exemplos específicos, quando sabemos que há muitos outros, o livro
cumpre plenamente seu propósito. Justiça Climática é um alerta
contundente e, ao mesmo tempo, um chamado à ação. As questões que ele apresenta
não pertencem ao futuro: são urgentes, presentes e exigem respostas imediatas.
Mary Robinson nasceu em Ballina, Irlanda, em 1944. Foi a
primeira mulher presidente da Irlanda e Alta Comissária das Nações Unidas para
os direitos humanos.

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