terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

ENTRE A ARQUEOLOGIA E O MITO: QUEM FORAM, DE FATO, OS CELTAS


 

OS CELTAS: DA IDADE DO BRONZE AOS NOSSOS DIAS

JOHN HAYWOOD

EDIÇÕES 70 – 2ª ED. - 2018

316 páginas

Fiquei muito satisfeita ao encontrar este livro, justamente por ele oferecer aquilo que eu buscava: uma contextualização histórica sólida sobre os povos celtas. Há hoje uma profusão de mitos, lendas e leituras contemporâneas que revestem os celtas de um misticismo difuso, muitas vezes associado a discursos new age. Meu interesse, no entanto, era a história e nesse ponto o livro de John Haywood atende plenamente às expectativas.

A obra percorre a trajetória dos celtas desde a Idade do Bronze, acompanhando sua expansão pela Europa muito antes, e também durante, o contato com o mundo romano. Um dos méritos centrais do livro é desfazer a ideia, ainda muito difundida, de que os celtas se restringiam à Irlanda ou à costa francesa. Haywood mostra que esses povos têm origem na região dos Alpes e se espalharam por vastas áreas do continente europeu, alcançando inclusive os territórios ibéricos.

Baseado em pesquisas arqueológicas, fontes históricas e estudos comparativos, o autor constrói um panorama amplo das diversas sociedades celtas. O livro aborda suas crenças, suas formas de organização social, suas guerras, sua visão de mundo e seus modos de vida, sem recorrer a idealizações românticas ou projeções contemporâneas.

Ao longo da leitura, torna-se claro que não existia “um” povo celta homogêneo, mas uma pluralidade de culturas relacionadas por línguas, práticas e estruturas simbólicas, que variavam conforme o tempo e o território. Essa abordagem contribui para desmontar imagens cristalizadas e essencialistas que ainda circulam com força no imaginário popular.

Os Celtas é, portanto, uma leitura fundamental para quem deseja compreender esses povos para além da fantasia e do exotismo. Ao desmistificar grande parte do discurso espiritualizado que o new age construiu sobre eles, o livro restitui aos celtas sua complexidade histórica e, com isso, nos lembra que conhecer o passado exige, antes de tudo, rigor e disposição para abandonar confortos narrativos.


John Haywood nasceu em 1956. É um historiador britânico.


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