CANDÁCIA AMANIRENAS: A MULHER QUE ENFRENTOU ROMA
JOSÉ MIGUEL
PUBLICAÇÃO PRÓPRIA – 1ª ED. – 2022
Este pequeno livro apresenta, de
forma romanceada, a história de Amanirenas,
a Candace que ousou enfrentar o Império Romano. O autor parte de fatos
históricos comprovados e preenche as lacunas com diálogos e cenas imaginadas.
Ainda que esse recurso — mesmo quando verossímil — nem sempre me agrade, a
leitura se mostrou interessante justamente por permitir recriar a presença histórica de uma grande mulher
quase ausente das narrativas clássicas.
Amanirenas foi uma rainha
Candace do Império de Cuxe,
governando entre o final do século I a.E.C. e o início do século I E.C. Nesse
mesmo período, Otaviano Augusto
consolidava seu poder em Roma após derrotar Cleópatra
e anexar o Egito ao Império. O próximo passo de sua expansão era avançar sobre
a Núbia — projeto que encontrou uma resistência inesperada.
O livro reconstrói o confronto
entre Roma e Cuxe como um embate desigual apenas em aparência. Amanirenas surge
como uma líder estrategista, corajosa e determinada, capaz de organizar a
resistência militar e política contra uma das maiores potências da Antiguidade.
A guerra durou cerca de três anos, e, contra todas as expectativas romanas, ela
conseguiu deter o avanço do
Império para o sul da África.
Mais do que uma narrativa de
guerra, o texto chama atenção para a própria figura das Candaces — título
feminino de poder, ainda pouco conhecido e pouco documentado. Justamente por
termos tão poucas informações sobre essas rainhas, a leitura ganha valor: ela
não substitui a pesquisa histórica, mas desperta interesse, curiosidade e
desejo de saber mais sobre uma história africana que raramente ocupa espaço
central nos livros.
Mesmo com as limitações do
formato romanceado, Candácia Amanirenas cumpre um
papel importante: retira do silêncio uma mulher que enfrentou Roma e venceu ao
menos aquilo que mais sustenta os impérios: a ideia de que sua expansão é
inevitável. Ao recuperar essa trajetória, o livro nos lembra que a Antiguidade
não foi feita apenas de imperadores, mas também de mulheres africanas que
governaram, lutaram e decidiram o destino de seus povos.
José Miguel nasceu no Rio
de Janeiro. Escritor brasileiro


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