LADY SAPIENS: Como as mulheres inventaram o mundo
THOMAS CIROTTEAU
– JENNIFER KERNER – ÉRIC PINKAS
BUZZ EDITORA – 1ª ED. – 2024.
Li este livro em francês e
fiquei muito feliz ao ver sua tradução publicada este ano. O título me atraiu
imediatamente: estamos acostumados a ouvir falar do Homo sapiens,
e, de repente, surge a Lady Sapiens. Durante muito
tempo, ninguém falava das mulheres nos períodos paleolítico e neolítico. Quando
comecei a estudar esse recorte para escrever meu livro, havia pouquíssimas
informações disponíveis. Subitamente, porém, as pesquisas começaram a emergir e
a ser publicadas e esta obra é um exemplo significativo desse movimento.
Em 2019, uma descoberta bastante
recente, a estatueta da Vênus de Renancourt, na França, colocou em xeque muitas
interpretações consolidadas sobre o período. O livro relata essa descoberta e
mostra como ela contribuiu para rever concepções anteriores sobre o papel das
mulheres na chamada “pré-história”.
Os autores são pesquisadores da
área e apresentam uma série de informações novas, resultantes tanto de
descobertas arqueológicas recentes quanto das revisões possibilitadas pelo uso
do DNA antigo. Essas análises têm revelado dados muito diferentes daqueles que
sustentaram, por décadas, interpretações marcadas por pressupostos patriarcais
do século XIX.
Com foco explícito nas mulheres,
Lady Sapiens desmonta a imagem do homem como
protagonista exclusivo da invenção do mundo humano. O livro evidencia a
centralidade das mulheres na organização social, na transmissão de saberes, nas
práticas simbólicas e na sobrevivência coletiva, contribuindo para uma
reescrita profunda das origens da humanidade.
Reler a obra agora em português
reforça sua importância: trata-se de um livro que não apenas divulga
descobertas recentes, mas participa ativamente da transformação da narrativa
sobre o passado, abrindo espaço para uma história mais complexa, menos hierárquica
e mais fiel à diversidade das experiências humanas.
Thomas Cirotteau nasceu em 1975. É escritor e diretor de cinema.
Éric Pinkas é escritor e
editor chefe da revista francesa História.




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