ELA DISSE: Os bastidores da reportagem que impulsionou o #MeToo
JODI KANTOR – MEGAN TWOHEY
COMPANHIA DAS LETRAS – 1ª ED. - 2019
376 páginas
O livro evidencia como esse silêncio era
sustentado por um machismo estrutural profundamente enraizado. As mulheres
abusadas tinham medo de falar porque sabiam que, ao denunciarem, seriam
desacreditadas. A sociedade tende a questionar as vítimas: afirma que mentiram,
que consentiram, que “permitiram”, ou que não deveriam estar naquele lugar,
frequentemente uma suíte de hotel, cenário recorrente dos abusos, já que
Weinstein costumava convocar as mulheres para supostas reuniões de trabalho
nesses espaços.
As duas jornalistas precisaram construir um
vínculo de confiança extremamente delicado com as mulheres envolvidas.
Inicialmente, muitas aceitaram falar apenas sob sigilo absoluto. Aos poucos,
porém, uma, depois outra, decidiu autorizar a publicação de seus relatos. Foi
esse gesto de coragem que deu o impulso decisivo ao movimento #MeToo.
A partir da publicação da reportagem, mais
mulheres começaram a se manifestar. Amparadas umas nas outras, romperam o
silêncio e denunciaram abusos que haviam sido naturalizados, ocultados ou
negados por décadas. O livro mostra com clareza não apenas a importância do
jornalismo investigativo, mas também como a escuta, o cuidado e a persistência
podem criar condições para que a verdade venha à tona.
Na verdade, o #MeToo foi iniciado por Tarana
Burke em 2006, mas tornou-se um símbolo a partir das denúncias contra Harvey
Weinstein, em 2017.
Jodi Kantor nasceu em Nova Iorque em 1975. É uma jornalista estadunidense.
Megan Twohey nasceu em Washington D.C. É uma jornalista
estadunidense.



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