QUANDO DEUS ERA MULHER
MERLIN STONE
GOYA – 1ª ED. – 2022.
Li este livro inicialmente em
francês e, quando saiu a edição em português, fiz a releitura. Merlin Stone
dedicou-se ao estudo da história da Deusa, realizando uma pesquisa extensa e
cuidadosa, que resulta nesta obra fundamental sobre a religião da Deusa e sobre
os processos históricos de seu apagamento e supressão.
A Deusa aparece sob múltiplos
nomes, mas está presente de forma recorrente nas sociedades da Antiguidade,
assim como as sacerdotisas responsáveis por seu culto. O livro demonstra que
houve um longo período em que a organização política, social, econômica e
cultural girava em torno da mulher. Com o tempo, deidades masculinas passaram a
ser introduzidas, inicialmente como consortes, amantes ou filhos da Deusa, até
que, gradualmente, ocorre seu apagamento quase total — processo que se
intensifica com a imposição das religiões monoteístas.
Stone evidencia como a
construção e a escrita da Bíblia estiveram profundamente comprometidas com a
eliminação da Deusa do imaginário religioso e simbólico, mostrando que esse
apagamento não se deu de forma simples ou imediata, mas exigiu um esforço sistemático
e prolongado.
Atualmente, muitos tratam essa
religião como lenda ou mito. As sacerdotisas e curandeiras passaram a ser
vistas como bruxas, e o sexo sagrado foi rebatizado como “prostituição
sagrada”, termo com o qual não concordo. Não se tratava de prostituição; essa é
uma leitura masculina e patriarcal que distorce práticas rituais profundamente
ligadas à sacralidade, à fertilidade e à vida.
O livro é considerado um dos
principais textos teológicos dedicados a esse período da história e permanece
uma leitura fundamental para compreender a relação entre religião, poder e o
apagamento do feminino ao longo do tempo.
Merlin Stone nasceu em Flatbush, Nova Iorque, EUA, em 1931 e faleceu em
Daytona Beach, Flórida, EUA, em 2011. Foi uma escritora e acadêmica
estadunidense.


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