sábado, 14 de fevereiro de 2026

ENTRE CIDADES, DEUSES E MULHERES: O INÍCIO DA HISTÓRIA ESCRITA

 

BABILÔNIA

A Mesopotâmia e os nascimento da civilização

PAUL KRIWACZEK

ZAHAR – 1ª ED. - 2018

O livro se inicia partindo do Iraque contemporâneo para, em seguida, mergulhar na longa duração da história mesopotâmica, desde cerca de 5.400 A.E.C. Esse movimento entre presente e passado não é apenas narrativo: ele nos lembra que a chamada “origem da civilização” não é um vestígio distante e morto, mas algo inscrito em territórios ainda hoje marcados por disputas, violência e apagamentos.

Paul Kriwaczek oferece uma grande quantidade de informações sobre a Mesopotâmia, os sumérios e, mais adiante, a Babilônia. O livro percorre o surgimento das cidades, da escrita, das leis, da administração e da religião, compondo um quadro amplo do que costumamos chamar de “nascimento da civilização”.

Um aspecto especialmente relevante, e ainda raro em muitas obras de história antiga, é a atenção dedicada às mulheres. Fiquei particularmente satisfeita ao encontrar referências consistentes a figuras femininas e à atuação das mulheres em diferentes contextos sociais e religiosos. Destaca-se a presença de Enheduana, filha de Sargão de Acádia, considerada a primeira autora conhecida da história, cuja produção literária e religiosa revela a centralidade do feminino no imaginário e na organização simbólica da época.

A deusa Inana (mais tarde Ishtar) também ocupa um lugar importante na narrativa, evidenciando a força das divindades femininas na Mesopotâmia e a complexidade de seus atributos — erotismo, guerra, fertilidade e poder. Além disso, o livro traz informações sobre mulheres assírias, ampliando o olhar para além das figuras mais conhecidas e mostrando que o feminino não estava ausente das estruturas sociais e políticas dessas civilizações.

Babilônia é, assim, uma leitura que contribui não apenas para compreender a Mesopotâmia como berço da civilização, mas também para questionar a ideia de que esse nascimento foi exclusivamente masculino. Ao incluir as mulheres — ainda que timidamente em alguns momentos, o livro aponta para uma historiografia que começa, finalmente, a reconhecer o que durante tanto tempo foi silenciado.


Paul Kriwaczek nasceu em Viena, Áustria, em 1937 e faleceu em Londres, em 2011. Foi um historiador que passou uma década trabalhando no Irã e no Afeganistão. 


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