BABILÔNIA
A Mesopotâmia e os nascimento da civilização
PAUL KRIWACZEK
ZAHAR – 1ª ED. - 2018
O livro se inicia partindo do
Iraque contemporâneo para, em seguida, mergulhar na longa duração da história
mesopotâmica, desde cerca de 5.400 A.E.C. Esse movimento entre presente e
passado não é apenas narrativo: ele nos lembra que a chamada “origem da
civilização” não é um vestígio distante e morto, mas algo inscrito em
territórios ainda hoje marcados por disputas, violência e apagamentos.
Paul Kriwaczek oferece uma
grande quantidade de informações sobre a Mesopotâmia, os sumérios e, mais
adiante, a Babilônia. O livro percorre o surgimento das cidades, da escrita,
das leis, da administração e da religião, compondo um quadro amplo do que costumamos
chamar de “nascimento da civilização”.
Um aspecto especialmente
relevante, e ainda raro em muitas obras de história antiga, é a atenção
dedicada às mulheres. Fiquei particularmente satisfeita ao encontrar
referências consistentes a figuras femininas e à atuação das mulheres em
diferentes contextos sociais e religiosos. Destaca-se a presença de Enheduana, filha de Sargão de Acádia,
considerada a primeira autora conhecida da história, cuja produção literária e
religiosa revela a centralidade do feminino no imaginário e na organização
simbólica da época.
A deusa Inana (mais tarde Ishtar) também ocupa um
lugar importante na narrativa, evidenciando a força das divindades femininas na
Mesopotâmia e a complexidade de seus atributos — erotismo, guerra, fertilidade
e poder. Além disso, o livro traz informações sobre mulheres assírias,
ampliando o olhar para além das figuras mais conhecidas e mostrando que o
feminino não estava ausente das estruturas sociais e políticas dessas
civilizações.
Babilônia
é, assim, uma leitura que contribui não apenas para compreender a Mesopotâmia
como berço da civilização, mas também para questionar a ideia de que esse
nascimento foi exclusivamente masculino. Ao incluir as mulheres — ainda que
timidamente em alguns momentos, o livro aponta para uma historiografia que
começa, finalmente, a reconhecer o que durante tanto tempo foi silenciado.
Paul Kriwaczek nasceu em Viena, Áustria, em 1937 e faleceu
em Londres, em 2011. Foi um historiador que passou uma década trabalhando no
Irã e no Afeganistão.


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