O NOME DA ROSA
UMBERTO ECO
RECORD – 25ª ED. - 2019
O Nome da Rosa
é muito mais do que um romance policial ambientado na Idade Média; é uma obra
que atravessa literatura, filosofia, história e semiologia. Umberto Eco nos
transporta a 1327, a um mosteiro beneditino remoto, onde o jovem noviço Adso de
Melk acompanha o franciscano Guilherme de Baskerville em uma investigação que
mistura assassinatos, intrigas religiosas e debates intelectuais.
O livro fascina por sua densidade
histórica e erudita. Eco recria minuciosamente a vida
monástica, a política e os conflitos teológicos da época, mostrando o embate
entre fé e razão, ortodoxia e heresia, autoridade e questionamento. Cada
detalhe — desde a organização da biblioteca labiríntica até os rituais
litúrgicos — serve não apenas para ambientar, mas para refletir sobre o poder
do conhecimento e da interpretação.
A escrita de Eco exige atenção:
sua prosa é rica, por vezes irônica, e repleta de referências filosóficas e
literárias, das quais a obra se alimenta continuamente. O leitor é convidado a
mergulhar em um labirinto de signos e significados, numa espécie de jogo
intelectual que desafia tanto a curiosidade quanto a paciência.
Um dos aspectos mais marcantes é
a reflexão sobre o conhecimento e a censura,
sobre como a história, os livros e as ideias podem ser controlados, ocultados
ou reinterpretados. O romance nos leva a pensar na relação entre linguagem,
poder e verdade, questões ainda profundamente atuais.
Apesar de ser uma narrativa de
mistério, O Nome da Rosa não se limita
à trama investigativa. Ele se abre como ensaio histórico, tratado de filosofia
e estudo literário, oferecendo ao leitor múltiplas camadas de interpretação.
Ler Eco é, acima de tudo, um convite ao pensamento crítico, à reflexão sobre a
construção da história e o valor do conhecimento.
Um clássico que transcende
gêneros e tempos, exigente e generoso, capaz de fascinar leitores interessados
tanto na história medieval quanto na natureza da própria leitura.
Umberto Eco nasceu em Alexandria, Itália, em 1932 e faleceu
em Milão em 2016. Foi um escritor, filósofo, semiólogo, linguista e escritor
italiano.


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