sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

ENTRE A PÓLIS E O PENSAMENTO: COMO ATENAS MOLDOU O OCIDENTE

 


A ASCENSÃO DE ATENAS

A História da maior civilização do mundo

ANTHONY EVERITT

CRÍTICA – 2019

Mais um título da minha lista dedicada à História — desta vez, voltado à Grécia Antiga, com ênfase em Atenas. Em A Ascensão de Atenas, Anthony Everitt acompanha o percurso dessa cidade-estado desde sua formação até o apogeu no período de Péricles, sem deixar de abordar, com igual atenção, os fatores que levaram ao seu declínio.

Atenas, embora tivesse cerca de duzentos mil habitantes, tornou-se um dos maiores centros culturais do Ocidente. O livro evidencia como, em um espaço relativamente pequeno, se produziram transformações decisivas no pensamento político, filosófico, literário e artístico que ainda hoje moldam nossa forma de compreender o mundo.

Everitt nos conduz pela atuação dos estadistas, pela construção da democracia ateniense, pelo surgimento dos grandes filósofos e pela força do teatro — tragédias e comédias como formas de reflexão coletiva sobre a pólis, o poder, o destino e a condição humana. Ao longo da leitura, torna-se possível compreender como os gregos pensavam, quais eram seus valores e de que modo interpretavam a vida, a política e a guerra.

Um dos aspectos mais interessantes do livro é o contraste que se delineia entre o pensamento grego e o persa, especialmente no contexto das guerras médicas. Essa contraposição ajuda a perceber que Atenas se definiu não apenas por suas realizações internas, mas também pelo confronto com outras formas de organização política e cultural.

Embora a Grécia não se resumisse a Atenas — e o livro mencione diversas outras cidades-estados, sobretudo no contexto de conflitos, rivalidades e alianças —, o foco no pensamento ateniense se justifica. É justamente essa herança que prevaleceu no Ocidente e que continua a influenciar, direta ou indiretamente, nossas ideias sobre democracia, cidadania e cultura.

Nesse sentido, A Ascensão de Atenas atendeu plenamente às minhas expectativas: é uma leitura sólida, acessível e instigante, que permite compreender não apenas os fatos históricos, mas o modo como uma civilização pensou a si mesma e, ao fazê-lo, acabou por nos ensinar a pensar também.


Anthony Everitt nasceu em 1940. É um acadêmico britânico. 


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