A ASCENSÃO DE ATENAS
A História da maior civilização do mundo
ANTHONY EVERITT
CRÍTICA – 2019
Mais um título da minha lista
dedicada à História — desta vez, voltado à Grécia Antiga, com ênfase em Atenas.
Em A Ascensão de Atenas, Anthony Everitt acompanha o
percurso dessa cidade-estado desde sua formação até o apogeu no período de
Péricles, sem deixar de abordar, com igual atenção, os fatores que levaram ao
seu declínio.
Atenas, embora tivesse cerca de
duzentos mil habitantes, tornou-se um dos maiores centros culturais do
Ocidente. O livro evidencia como, em um espaço relativamente pequeno, se
produziram transformações decisivas no pensamento político, filosófico, literário
e artístico que ainda hoje moldam nossa forma de compreender o mundo.
Everitt nos conduz pela atuação
dos estadistas, pela construção da democracia ateniense, pelo surgimento dos
grandes filósofos e pela força do teatro — tragédias e comédias como formas de
reflexão coletiva sobre a pólis, o poder, o destino e a condição humana. Ao
longo da leitura, torna-se possível compreender como os gregos pensavam, quais
eram seus valores e de que modo interpretavam a vida, a política e a guerra.
Um dos aspectos mais
interessantes do livro é o contraste que se delineia entre o pensamento grego e
o persa, especialmente no contexto das guerras médicas. Essa contraposição
ajuda a perceber que Atenas se definiu não apenas por suas realizações internas,
mas também pelo confronto com outras formas de organização política e cultural.
Embora a Grécia não se resumisse
a Atenas — e o livro mencione diversas outras cidades-estados, sobretudo no
contexto de conflitos, rivalidades e alianças —, o foco no pensamento ateniense
se justifica. É justamente essa herança que prevaleceu no Ocidente e que
continua a influenciar, direta ou indiretamente, nossas ideias sobre
democracia, cidadania e cultura.
Nesse sentido, A
Ascensão de Atenas atendeu plenamente às minhas expectativas: é uma
leitura sólida, acessível e instigante, que permite compreender não apenas os
fatos históricos, mas o modo como uma civilização pensou a si mesma e, ao
fazê-lo, acabou por nos ensinar a pensar também.
Anthony Everitt nasceu em 1940. É um acadêmico britânico.


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