EDITORA ELEFANTE - 2022
392 páginas
Baseado na pesquisa realizada
por Mariléa de Almeida, o livro aborda os quilombos no estado do Rio de
Janeiro, com foco especial no protagonismo feminino. São as práticas das
mulheres quilombolas que estruturam a luta pelo território, a manutenção das tradições,
dos cultos e a mobilização constante pelo direito à terra — um direito que
frequentemente esbarra na burocracia governamental.
O livro mostra como são essas
mulheres que sustentam a vida coletiva, articulam resistências e mantêm viva a
memória ancestral. A entrada das igrejas neopentecostais nas comunidades
quilombolas aparece como um elemento de tensão, produzindo impactos profundos
nas formas tradicionais de organização e espiritualidade. Por isso, algumas
mulheres defendem com firmeza a preservação do terreiro, entendido não apenas
como espaço religioso, mas como lugar de identidade, memória e pertencimento.
A autora destaca ainda a
importância das griottes, as contadoras de histórias, responsáveis pela
transmissão oral do conhecimento, e das práticas culturais como o jongo, que
articulam corpo, memória e resistência. O livro também aborda as dificuldades
enfrentadas no acesso à educação formal e critica a ausência do ensino da
história da África e da população negra nas escolas, evidenciando como o
apagamento histórico reforça desigualdades e fragiliza identidades.
Mariléa de Almeida nasceu em Vassouras – RJ, em 1973. É
doutora em História.


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