quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

QUANDO OUTRAS LÍNGUAS DO FEMININO SE IMPÕEM AO OLHAR OCIDENTAL

 


A OUTRA LÍNGUA DAS MULHERES

LÉONORA MIANO

PALLAS – 1ª ED. - 2024

184 páginas

Uma das melhores leituras de 2024, só perde para A mais recôndita memória dos homens.

Léonora Miano nasceu em Douala, nos Camarões. Escritora amplamente reconhecida, vencedora de diversos prêmios literários, ela nos apresenta aqui um ensaio fundamental sobre as mulheres africanas.

Aprendi muito com este livro. Nós, ocidentais, temos grande dificuldade em compreender as culturas africanas e, infelizmente, há uma tendência persistente de projetar o olhar ocidental sobre as questões das mulheres do continente africano. Miano nos desloca desse lugar confortável e equivocado: ela nos aproxima da realidade dessas mulheres e mostra como o feminismo ocidental, tal como foi formulado, muitas vezes não responde às suas experiências.

A autora evidencia que as mulheres africanas não se colocam no lugar da vitimização, embora tenham sofrido, e ainda sofram, inúmeras violências. São mulheres fortes, guerreiras, que constroem e acionam suas próprias ferramentas para lidar com as adversidades. Ao longo do ensaio, Miano apresenta também figuras centrais da história africana: rainhas, líderes, mulheres poderosas e guerreiras.

Ela defende que as mulheres negras invistam, ou melhor, reinvistam, em sua própria história, recuperando referências femininas que possam servir como modelos de luta, resistência e libertação frente às opressões.

Valeu cada página deste pequeno livro tão grande.

          Léonora Miano nasceu em Duala, Camarões, em 1973. É uma escritora franco-camaronesa. 




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