1177: O ANO EM QUE A CIVILIZAÇÃO ENTROU EM COLAPSO
ERIC H. CLINE
AVIS RARA – 1ª ED. - 2023
Ao estudar a Antiguidade,
comecei a me perguntar como foi possível que civilizações inteiras — como a
Mesopotâmia, a Assíria ou o Egito dos faraós — simplesmente desaparecessem. Não
falo apenas de derrotas militares, conquistas ou mudanças de poder, mas do
desaparecimento literal de grandes cidades, que deixam de existir e de ocupar
qualquer lugar na história.
Este livro tenta responder a
essa pergunta. Ainda hoje, arqueólogos e historiadores não conseguem afirmar
com total certeza o que ocorreu no final da Idade do Bronze, mas há vestígios
suficientes para levantar hipóteses bastante plausíveis. Eric H. Cline
apresenta essas hipóteses com rigor e clareza, conduzindo o leitor por um
período marcado tanto pela prosperidade quanto pela fragilidade.
Mais do que explicar um colapso,
o autor reconstrói todo o panorama do final da Idade do Bronze e demonstra o
quanto aquelas civilizações, cidades e povos estavam profundamente conectados
entre si. Havia intensas redes de comércio, trocas diplomáticas e circulação de
bens, ideias e tecnologias. A tese central de Cline é provocadora: muito antes
da era contemporânea, já existia algo que podemos chamar, sem exagero, de
globalização.
Foi um período de grande
desenvolvimento, riqueza e interdependência — e justamente por isso vulnerável.
Por volta de 1177 A.E.C., esse mundo entrou em colapso. O que aconteceu? É essa
pergunta que atravessa o livro.
Ao final, 1177
deixa também um alerta inquietante para o presente. Ao mostrar que a extrema
interdependência entre aqueles povos contribuiu para o colapso sistêmico, o
autor sugere paralelos incômodos com o mundo atual. O fim da Idade do Bronze
abriu caminho para uma nova era — a da Grécia Clássica —, mas não sem perdas
profundas. A leitura convida a refletir sobre até que ponto sociedades
altamente conectadas são também estruturalmente frágeis.
Eric H. Cline nasceu em Washington D.C., EUA, em 1960. É historiador,
arqueólogo e escritor.

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