NO COMEÇO ERAM OS DEUSES
JEAN BOTTÉRO
CIVILICAÇÃO BRASILEIRA – 1ª ED. - 2011
Este livro do historiador Jean Bottéro me ensinou muito — e, sobretudo, desmontou várias ideias que eu tinha como dadas. Com foco na Mesopotâmia, a obra é composta por uma série de artigos nos quais Bottéro reconstrói aspectos centrais do pensamento, da religião e da vida cotidiana mesopotâmica.
Um dos textos que mais me
impactou, talvez pela minha própria ignorância anterior, é o dedicado ao
chamado “Código de Hamurabi”. Bottéro demonstra que ele não deve ser entendido
como um código de leis no sentido moderno, como eu acreditava, mas algo muito
mais próximo do que hoje chamaríamos de jurisprudência. Trata-se de uma
compilação de decisões tomadas por Hamurabi diante de situações concretas,
reunidas como modelos para julgamentos futuros — o que altera profundamente a
forma como compreendemos o direito nesse contexto histórico.
Outro ensaio particularmente
marcante é o que trata da moral e do pecado, ao evidenciar as diferenças
profundas entre as crenças mesopotâmicas e a tradição judaico-cristã. Bottéro
mostra como conceitos que hoje consideramos universais são, na verdade, construções
históricas específicas, e como outras civilizações pensaram a relação entre
deuses, humanos, culpa e responsabilidade de maneira muito distinta.
O livro aborda ainda temas
variados, como a culinária, o amor, o direito das mulheres e a figura das
prostitutas — aspecto que, no meu caso, foi especialmente relevante. Bottéro
escapa de leituras moralizantes e restitui a complexidade social dessas figuras,
situando-as em seu tempo e em suas funções simbólicas e práticas.
A obra traz também a tradução do
Poema do Supersábio, um mito fundador mesopotâmico
que eu desconhecia, acompanhada de uma análise brilhante. Esse texto, em
particular, amplia o entendimento da cosmovisão mesopotâmica e de sua maneira
de pensar a origem do mundo, o saber e a relação com o divino.
No começo eram os
deuses é um livro que abre horizontes. Trouxe-me muitas informações
até então desconhecidas e obrigou a rever certezas sedimentadas. Por isso, a
leitura vale e muito a pena.vro do historiador Jean
Bottéro me ensinou muito — e, sobretudo, desmontou várias ideias que eu tinha
como dadas. Com foco na Mesopotâmia, a obra é composta por uma série de artigos
nos quais Bottéro reconstrói aspectos centrais do pensamento, da religião e da
vida cotidiana mesopotâmica.
Um dos textos que mais me
impactou, talvez pela minha própria ignorância anterior, é o dedicado ao
chamado “Código de Hamurabi”. Bottéro demonstra que ele não deve ser entendido
como um código de leis no sentido moderno, como eu acreditava, mas algo muito
mais próximo do que hoje chamaríamos de jurisprudência. Trata-se de uma
compilação de decisões tomadas por Hamurabi diante de situações concretas,
reunidas como modelos para julgamentos futuros — o que altera profundamente a
forma como compreendemos o direito nesse contexto histórico.
Outro ensaio particularmente
marcante é o que trata da moral e do pecado, ao evidenciar as diferenças
profundas entre as crenças mesopotâmicas e a tradição judaico-cristã. Bottéro
mostra como conceitos que hoje consideramos universais são, na verdade, construções
históricas específicas, e como outras civilizações pensaram a relação entre
deuses, humanos, culpa e responsabilidade de maneira muito distinta.
O livro aborda ainda temas
variados, como a culinária, o amor, o direito das mulheres e a figura das
prostitutas — aspecto que, no meu caso, foi especialmente relevante. Bottéro
escapa de leituras moralizantes e restitui a complexidade social dessas figuras,
situando-as em seu tempo e em suas funções simbólicas e práticas.
A obra traz também a tradução do
Poema do Supersábio, um mito fundador mesopotâmico
que eu desconhecia, acompanhada de uma análise brilhante. Esse texto, em
particular, amplia o entendimento da cosmovisão mesopotâmica e de sua maneira
de pensar a origem do mundo, o saber e a relação com o divino.
No começo eram os
deuses é um livro que abre horizontes. Trouxe-me muitas informações
até então desconhecidas e obrigou a rever certezas sedimentadas. Por isso, a
leitura vale e muito a pena.
Jean Bottéro nasceu em Vallauris em 1914 e faleceu em Gif-sur-Yvette,
França. Foi um historiador francês, assiriólogo, especialista no Antigo
Oriente.


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