quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

RELIGIÃO, DIREITO E PENSAMENTO NA MESOPOTÂMIA


 

NO COMEÇO ERAM OS DEUSES

JEAN BOTTÉRO

CIVILICAÇÃO BRASILEIRA – 1ª ED. - 2011

 

Este livro do historiador Jean Bottéro me ensinou muito — e, sobretudo, desmontou várias ideias que eu tinha como dadas. Com foco na Mesopotâmia, a obra é composta por uma série de artigos nos quais Bottéro reconstrói aspectos centrais do pensamento, da religião e da vida cotidiana mesopotâmica.

Um dos textos que mais me impactou, talvez pela minha própria ignorância anterior, é o dedicado ao chamado “Código de Hamurabi”. Bottéro demonstra que ele não deve ser entendido como um código de leis no sentido moderno, como eu acreditava, mas algo muito mais próximo do que hoje chamaríamos de jurisprudência. Trata-se de uma compilação de decisões tomadas por Hamurabi diante de situações concretas, reunidas como modelos para julgamentos futuros — o que altera profundamente a forma como compreendemos o direito nesse contexto histórico.

Outro ensaio particularmente marcante é o que trata da moral e do pecado, ao evidenciar as diferenças profundas entre as crenças mesopotâmicas e a tradição judaico-cristã. Bottéro mostra como conceitos que hoje consideramos universais são, na verdade, construções históricas específicas, e como outras civilizações pensaram a relação entre deuses, humanos, culpa e responsabilidade de maneira muito distinta.

O livro aborda ainda temas variados, como a culinária, o amor, o direito das mulheres e a figura das prostitutas — aspecto que, no meu caso, foi especialmente relevante. Bottéro escapa de leituras moralizantes e restitui a complexidade social dessas figuras, situando-as em seu tempo e em suas funções simbólicas e práticas.

A obra traz também a tradução do Poema do Supersábio, um mito fundador mesopotâmico que eu desconhecia, acompanhada de uma análise brilhante. Esse texto, em particular, amplia o entendimento da cosmovisão mesopotâmica e de sua maneira de pensar a origem do mundo, o saber e a relação com o divino.

No começo eram os deuses é um livro que abre horizontes. Trouxe-me muitas informações até então desconhecidas e obrigou a rever certezas sedimentadas. Por isso, a leitura vale e muito a pena.vro do historiador Jean Bottéro me ensinou muito — e, sobretudo, desmontou várias ideias que eu tinha como dadas. Com foco na Mesopotâmia, a obra é composta por uma série de artigos nos quais Bottéro reconstrói aspectos centrais do pensamento, da religião e da vida cotidiana mesopotâmica.

Um dos textos que mais me impactou, talvez pela minha própria ignorância anterior, é o dedicado ao chamado “Código de Hamurabi”. Bottéro demonstra que ele não deve ser entendido como um código de leis no sentido moderno, como eu acreditava, mas algo muito mais próximo do que hoje chamaríamos de jurisprudência. Trata-se de uma compilação de decisões tomadas por Hamurabi diante de situações concretas, reunidas como modelos para julgamentos futuros — o que altera profundamente a forma como compreendemos o direito nesse contexto histórico.

Outro ensaio particularmente marcante é o que trata da moral e do pecado, ao evidenciar as diferenças profundas entre as crenças mesopotâmicas e a tradição judaico-cristã. Bottéro mostra como conceitos que hoje consideramos universais são, na verdade, construções históricas específicas, e como outras civilizações pensaram a relação entre deuses, humanos, culpa e responsabilidade de maneira muito distinta.

O livro aborda ainda temas variados, como a culinária, o amor, o direito das mulheres e a figura das prostitutas — aspecto que, no meu caso, foi especialmente relevante. Bottéro escapa de leituras moralizantes e restitui a complexidade social dessas figuras, situando-as em seu tempo e em suas funções simbólicas e práticas.

A obra traz também a tradução do Poema do Supersábio, um mito fundador mesopotâmico que eu desconhecia, acompanhada de uma análise brilhante. Esse texto, em particular, amplia o entendimento da cosmovisão mesopotâmica e de sua maneira de pensar a origem do mundo, o saber e a relação com o divino.

No começo eram os deuses é um livro que abre horizontes. Trouxe-me muitas informações até então desconhecidas e obrigou a rever certezas sedimentadas. Por isso, a leitura vale e muito a pena.


Jean Bottéro nasceu em Vallauris em 1914 e faleceu em Gif-sur-Yvette, França. Foi um historiador francês, assiriólogo, especialista no Antigo Oriente. 



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