ERGUER A VOZ: PENSAR COMO FEMINISTA, PENSAR COMO NEGRA
BELL HOOKS
EDITORA ELEFANTE – 1ª ED. – 2019
380 páginas
Em Erguer a Voz, bell hooks parte da
própria experiência para mostrar que falar e, sobretudo, ser ouvida, nunca foi
um gesto neutro. A voz, para mulheres negras, é um território de disputa
política, atravessado pelo racismo institucional, pelo sexismo e pela lógica da
supremacia branca que estrutura a sociedade e, de modo particular, os espaços
de produção do saber.
A leitura do livro é transformadora porque
desloca o olhar: não se trata apenas de identificar opressões externas, mas de
reconhecer como elas se reproduzem cotidianamente, inclusive entre nós. hooks
nos convida a um exercício radical de autorreflexão, revelando o quanto
mulheres, mesmo aquelas comprometidas com projetos emancipatórios, podem estar
implicadas na manutenção do patriarcado e do machismo, seja pelo silêncio, pela
adaptação ou pela reprodução de hierarquias aprendidas.
Ao discutir o ambiente universitário, a autora
expõe como a academia, longe de ser um espaço neutro, frequentemente reforça
relações de dominação. O conhecimento legitimado, os corpos autorizados a falar
e os modos “aceitáveis” de expressão obedecem a uma lógica excludente que
marginaliza vozes dissidentes. Erguer a voz, nesse contexto, não é apenas falar
mais alto, mas desafiar as estruturas que determinam quem pode falar e quem
deve permanecer em silêncio.
O livro ensina que a educação pode ser um
espaço de libertação, desde que atravesse o desconforto, a escuta crítica e a
disposição para rever privilégios. hooks insiste que transformar a universidade,
e a sociedade, passa necessariamente pela disposição de confrontar o racismo
estrutural, a supremacia branca e o patriarcado, não como abstrações, mas como
práticas cotidianas que atravessam nossas relações, afetos e modos de pensar.
Erguer a Voz é, assim, um chamado ético
e político. Um convite para falar, mas também para escutar. Para ensinar, mas
sobretudo para aprender. E, talvez o mais difícil, para reconhecer que a
transformação coletiva começa por um trabalho profundo e contínuo sobre nós
mesmas.
bell hooks nasceu
em Hopkinsville, Kentucky, EUA, em 1952 e faleceu em Berea, Kentucky, EUA, em
2021. Foi uma teórica feminista, professora, artista e ativista antirracista.


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